Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
A Casa Branca desmentiu oficialmente a realização de um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana em que o pré-candidato à Presidência do Brasil desembarcou em Washington em busca de um gesto político que pudesse conter a crise provocada pelo escândalo do filme “Dark Horse”.
Segundo apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, da GloboNews, que cobre a Casa Branca, o vice-chefe de gabinete do governo americano, Stephen Miller, afirmou nesta quinta-feira (21) que não havia nenhuma atualização sobre a suposta agenda entre o senador brasileiro e o presidente Donald Trump. “Não tenho nenhuma atualização sobre isso [encontro de Flávio com Trump]”, declarou Miller em resposta a uma pergunta direta sobre a possibilidade do encontro.
A declaração de Miller foi interpretada por analistas políticos como um contundente desmentido à estratégia de comunicação da pré-campanha de Flávio, que vinha alimentando a expectativa de uma reunião na Casa Branca ainda durante esta semana. Desde a última sexta-feira (22), aliados do senador haviam confirmado a agenda a veículos de imprensa, afirmando que o convite teria partido do próprio governo americano e que a reunião estava prevista para a terça-feira (26).
O senador, que viajou a Washington no domingo (24), tentou minimizar o episódio ao ser abordado por jornalistas no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Em tom irônico, respondeu em inglês: “No, I didn’t ask anything” (“Não, eu não pedi nada”), e desafiou os repórteres a ligarem para a Casa Branca para obterem informações. A postura, no entanto, não foi suficiente para conter o desgaste político.
Nos bastidores, a viagem foi articulada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos há mais de um ano e mantém contato com a ala radical do governo Trump. Segundo relatos de integrantes da pré-campanha, o convite teria sido enviado por e-mail ao gabinete de Flávio no Senado na semana passada, mas precisou ser “checado” para comprovar sua veracidade.
O desmentido da Casa Branca ocorre em um momento crítico para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Pesquisas Datafolha divulgadas na última sexta-feira (22) mostram que o presidente Lula (PT) abriu vantagem de nove pontos percentuais sobre o senador em um eventual primeiro turno (40% a 31%) e de quatro pontos no segundo turno (47% a 43%). No levantamento Atlas/Bloomberg, a diferença chegou a sete pontos, com Lula obtendo 48,9% contra 41,8% de Flávio.
O escândalo envolvendo o filme “Dark Horse” — uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro — foi o estopim para a queda nas intenções de voto. Gravações divulgadas pelo site The Intercept Brasil mostram Flávio negociando diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, um repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para bancar a produção do longa, que ainda não foi concluído. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 ao tentar fugir do país, e é alvo de investigações por suspeita de fraudes bilionárias.
Especialistas em direito eleitoral consultados pela reportagem afirmam que o caso pode render a Flávio Bolsonaro uma ação por abuso de poder econômico e caixa dois, o que poderia levar à sua inelegibilidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já recebeu duas representações pedindo a suspensão do filme e a abertura de investigação contra o senador.
A viagem a Washington, apontada inicialmente como uma tentativa de reverter o quadro negativo, se transformou em um novo constrangimento para a pré-campanha. O desmentido público da Casa Branca expõe a fragilidade das articulações internacionais de Flávio e sua dependência de um gesto de Trump que, ao menos por ora, não veio.
Além disso, a agenda do presidente americano está concentrada nas negociações com o Irã, o que reduz ainda mais a possibilidade de um encontro de última hora. O colunista Valdo Cruz, do G1, observou que Flávio Bolsonaro vive, pela primeira vez, uma “agenda negativa” desde que sua candidatura foi lançada pelo pai. A aposta em Trump, até o momento, não surtiu o efeito desejado.
“O que se vê é um candidato desesperado por um fato político que o tire da condição de derretimento nas pesquisas”, avaliou o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, em entrevista ao Brasil de Fato. “O silêncio da Casa Branca é ensurdecedor. Não há sinal de que Trump queira se envolver nessa disputa, ao menos por enquanto.”
Diante do quadro, aliados de Flávio passaram a adotar um discurso de cautela. O empresário Paulo Figueiredo, que acompanha o senador em Washington, afirmou nas redes sociais que “nem a campanha nem a Casa Branca confirmaram ou negaram” a reunião, e classificou as notícias sobre o encontro como “mera especulação”. A tentativa de descolar a imagem de Flávio do episódio, no entanto, parece cada vez mais difícil.
Enquanto o senador permanece em Washington sem uma agenda definida com Trump, o cenário eleitoral no Brasil continua a se deteriorar. A expectativa entre os assessores de Flávio é que ele retorne ao país até quinta-feira (28), sem ter conseguido o tão sonhado encontro com o presidente americano. Para os analistas, o episódio consolida a impressão de que a pré-campanha do PL perdeu o rumo e não consegue mais controlar as crises que se avolumam.
O silêncio da Casa Branca, portanto, fala mais alto do que qualquer declaração. Ao negar a reunião, Trump enviou um recado direto: Flávio Bolsonaro não é prioridade, e a política externa americana não será usada como trampolim para uma candidatura em frangalhos.
Com informações de Bnews, Varela Net, G1, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, O Globo, BBC News Brasil, Reuters, UOL, Metrópoles, O Tempo, Brasil 247, Diário do Centro do Mundo, Intercept Brasil, Datafolha, Atlas/Bloomberg, Valor Econômico, Gazeta do Povo, O Povo, Gaúcha ZH, Congresso em Foco, Jota, Revista Fórum, Movimento Revista, Brasil de Fato, Notícias ao Minuto, Jovem Pan News, Painel Político, BNews São Paulo, Ac24horas, GZH ■