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Em um movimento que reforça a posição do Brasil como referência global em inovação financeira, representantes do setor financeiro da China declararam interesse em estudar o modelo de pagamentos instantâneos brasileiro para inspirar o desenvolvimento de seu próprio sistema, o Internet Banking Payment System (IBPS). Durante o Summit Valor Econômico Brazil-China 2025, realizado em Xangai, Ben Shenglin, membro do conselho de fintechs da influente província de Zhejiang, afirmou textualmente que o PIX é um “exemplo de sucesso que pode inspirar inovações no sistema financeiro chinês”, expressando o desejo de “aprender com o PIX”. A declaração foi ecoada por Chen Jianheng, diretor global de pesquisa da China International Capital Corporation (CICC), que destacou a complementaridade entre as duas economias como um motor para uma cooperação ainda mais estreita.
O elogio ao sistema brasileiro não poderia ser mais oportuno. Lançado pelo Banco Central (BC) em 2020, o PIX atingiu a impressionante marca de 227 milhões de transações em um único dia, com um volume total de operações que ultrapassou a casa dos R$ 60 trilhões. Sua penetração na população adulta é massiva, de 93%, e seu design como uma plataforma pública, aberta e de baixo custo não apenas democratizou o acesso aos serviços financeiros, mas também reduziu drasticamente o uso de dinheiro físico e levou à descontinuação do DOC. Este sucesso, que continua a evoluir com o lançamento de novas funcionalidades como o PIX Automático e o PIX por Aproximação, é um testemunho claro da “escolha diferente e consciente” que o Brasil fez ao priorizar a competição e a inclusão financeira sobre o controle centralizado.
Entretanto, a admiração chinesa esbarra em uma realidade estrutural própria. O IBPS, sistema público chinês, existe desde 2010, mas sua influência é limitada. O ecossistema financeiro do gigante asiático é, na prática, dominado por duas plataformas privadas verticalmente integradas — Alipay (Ant Group) e WeChat Pay (Tencent) — que concentram pagamentos, identidade digital, compras e até serviços governamentais em um único aplicativo. Essa arquitetura, que integra 968,9 milhões de usuários, é radicalmente diferente do modelo aberto e fragmentado do PIX, onde múltiplos aplicativos competem pela preferência do consumidor. Para que a China incorporasse as virtudes do PIX — como a interoperabilidade total e a neutralidade de plataforma —, seria necessária uma profunda reengenharia de seu modelo de negócios, algo que o país parece disposto a explorar, mas que enfrentará a forte resistência de seus atuais gigantes tecnológicos.
Assim, enquanto a China busca no PIX a inspiração para corrigir as distorções de seu sistema concentrado, o Brasil colhe os frutos de sua visão pública e inclusiva. A afirmação do especialista em mercado chinês Theo Paul Santana de que “a diferença não é tecnológica, é de arquitetura e de intenção” nunca foi tão pertinente. O Brasil, ao construir uma ferramenta que é de todos e para todos, estabeleceu um novo padrão de sucesso financeiro que, agora, serve de modelo até mesmo para uma superpotência. O fato de os chineses, conhecidos por seus próprios avanços, explicitamente quererem “aprender com o PIX” é, sem dúvida, a maior prova de que o país acertou na escolha de seu caminho.
Com informações de Valor Econômico, Money Report, Times Brasil | CNBC, Wise, Dock.tech, Banco Central do Brasil ■