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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8 de junho) a suspensão imediata da divulgação da pesquisa do Instituto AtlasIntel que registrou uma queda significativa nas intenções de voto do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão liminar, que na prática censurou o levantamento, foi tomada em atendimento a um pedido do próprio Partido Liberal (PL) e será submetida a referendo do plenário do TSE, com previsão de julgamento já nesta terça-feira (9).
A pesquisa, divulgada em 19 de maio sob o registro BR-06939/2026, foi a primeira sondagem realizada após a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro cobra pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O levantamento apontou um impacto eleitoral imediato e negativo:
Na decisão que determinou a retirada da pesquisa do ar, Nunes Marques argumentou que há "suspeitas de indução ao eleitor" nas perguntas formuladas pelo instituto. O ministro acolheu as alegações do PL, que sustentava que o questionário foi "estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa" sobre Flávio. De acordo com o partido, das 49 perguntas aplicadas, oito tratavam diretamente do Banco Master e do caso Vorcaro, apresentadas de forma sequencial para criar uma narrativa capaz de influenciar a percepção dos participantes antes das questões sobre intenção de voto.
Nunes Marques citou ainda uma entrevista concedida pelo CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, à CNN Brasil no dia da divulgação da pesquisa, na qual ele afirma que o áudio de Flávio seria "muito problemático para a imagem" do pré-candidato e revelaria "fatos extremamente graves", capazes de comprometer a viabilidade de sua candidatura. Para o magistrado, o executivo teria reconhecido o "viés político do conteúdo submetido aos entrevistados".
A suspensão da pesquisa gerou forte reação da comunidade acadêmica e de especialistas no setor. João Francisco Meira, presidente do Conselho de Opinião Pública (COP) da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), classificou a medida como um "ato de censura" e "inconstitucional". Com 40 anos de experiência no setor, Meira afirmou:
O próprio Instituto AtlasIntel reagiu à decisão. Em nota, a empresa informou que respeita a determinação judicial, mas destacou que a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada. O CEO Andrei Roman foi mais incisivo em publicação na rede social X: "Vamos recorrer sim. A nota para imprensa afirma que respeitamos a decisão. Isso é muito diferente de concordar com a decisão ou não recorrer dela. Vamos recorrer e confiamos no plenário do TSE para fazer uma justa aplicação da lei".
A AtlasIntel também esclareceu aspectos de sua metodologia, afirmando que o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro não foi reproduzido durante a aplicação do questionário principal. Segundo o instituto, somente após o encerramento definitivo das perguntas e sem qualquer possibilidade de retornar às perguntas anteriores ou alterar as respostas já registradas é que os participantes eram redirecionados para uma página separada, onde podiam registrar suas reações enquanto ouviam o material.
Além da controvérsia metodológica, a decisão de Nunes Marques levantou questionamentos sobre possível conflito de interesse. Reportagens apontaram que o ministro alterou as regras internas do TSE para assumir a relatoria do processo movido por Flávio Bolsonaro contra a AtlasIntel. Três dias após a ação ser protocolada, Nunes Marques editou uma resolução que dividiu a relatoria de casos de propaganda eleitoral, até então concentrada na ministra Estela Aranha, também incluindo o presidente da Corte e o vice-presidente André Mendonça. Com a mudança, um novo sorteio foi realizado e o processo caiu nas mãos de Nunes Marques.
O caso representa um teste importante para a atuação do TSE no processo eleitoral de 2026, especialmente em um contexto de tensão entre a liberdade de imprensa, o direito à informação do eleitor e os limites da regulação das pesquisas eleitorais. A decisão do plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que será tomada nos próximos dias, poderá definir um precedente relevante para a conduta da Corte durante toda a campanha presidencial.
Com informações de O Dia, Diário do Centro do Mundo, Veja, Revista Fórum, CNN Brasil, O Globo, CBN, Estadao, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, InfoMoney e Poder360 ■