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Uma declaração da influenciadora Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), gerou forte repercussão política e jurídica nos últimos dias. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Heloísa teria confessado que o marido deixou o Brasil deliberadamente para articular sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos Estados Unidos, com o objetivo de "limpar a barra" do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A fala reacendeu o debate sobre a real motivação da mudança de Eduardo para a Flórida, ocorrida no ano passado. Em seu depoimento, Heloísa afirma que não era possível "perder essa porta, esse trânsito que só o Eduardo conseguia fazer aqui fora para voltar e ficar refém do Brasil", admitindo que o parlamentar buscava "articular com o governo estrangeiro". O conteúdo foi interpretado por analistas como uma admissão pública de tentativa de interferência no Judiciário brasileiro, o que levou a oposição a pedir o enquadramento do ex-deputado no crime de traição à pátria.
Julgamento iminente e prisão iminente
O cenário para Eduardo Bolsonaro se agravou ainda mais nesta semana. O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF, marcou para o próximo dia 16 de junho o julgamento da ação penal em que o ex-deputado é acusado de coação no curso do processo e obstrução à Justiça.
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo teria atuado junto a autoridades dos Estados Unidos para coagir a Justiça brasileira, especialmente no âmbito das investigações que levaram à condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, na trama golpista. A expectativa é que o julgamento no plenário físico do STF resulte em condenação, o que pode levar à decretação de sua prisão e à inclusão do nome do ex-deputado na lista de procurados da Interpol.
Flávio Bolsonaro e o impacto do "tarifaço" de Trump
Enquanto isso, o irmão mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enfrenta uma tempestade perfeita. Pesquisas eleitorais recentes indicam uma virada no cenário eleitoral após a imposição de tarifas pelo governo Donald Trump ao Brasil.
De acordo com dados divulgados pelo instituto Vox Brasil (20/05), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 46,8% contra 38,1% do senador. O levantamento da Atlas/Bloomberg, também de 20 de maio, mostrou que Flávio perdeu mais de cinco pontos percentuais no primeiro turno em relação a pesquisas anteriores.
Analistas atribuem a queda à repercussão negativa das novas tarifas americanas, que atingem setores estratégicos da economia brasileira, e à percepção de que Flávio e Eduardo teriam contribuído para o endurecimento da postura de Washington, após viagens e reuniões com aliados de Trump. O senador, que semanas antes chegou a aparecer tecnicamente empatado ou mesmo à frente do petista em alguns cenários, viu sua vantagem se dissipar rapidamente.
Delação de Vorcaro e novos escândalos
Além do desgaste internacional, o senador Flávio Bolsonaro foi mencionado em uma nova proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, Vorcaro incluiu o senador em seu acordo de colaboração com a Polícia Federal e a PGR.
Investigações recentes também apontam que a Polícia Federal apura se dinheiro de Vorcaro bancou despesas de Eduardo Bolsonaro. As operações "Compliance Zero" e as investigações sobre fraudes no INSS, que já prenderam aliados próximos, indicam que o cerco pode estar se fechando diretamente sobre Flávio nos próximos meses.
Proposta polêmica do "Pix americano"
Para completar o quadro de turbulências, Eduardo Bolsonaro sugeriu publicamente a substituição do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, pelo sistema americano Zelle, em uma tentativa de aproximação comercial com os EUA. A proposta foi amplamente criticada por especialistas em tecnologia e finanças, que apontaram o Zelle como um sistema lento, com riscos de fraude e incapaz de competir com a eficiência e a capilaridade do Pix brasileiro.
Com julgamentos se aproximando, delações avançando e o desgaste político aumentando a cada dia, o clã Bolsonaro enfrenta a semana mais desafiadora de sua trajetória recente, com impactos diretos na corrida eleitoral de 2026.
Com informações de G1, BBC News Brasil, CNN Brasil, Poder360, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, Congresso em Foco ■