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A escalada das sanções impostas pelo governo do presidente Donald Trump contra Cuba provocou forte reação da China, que acusou os Estados Unidos de adotarem uma postura de “hegemonia”, “prepotência” e “intimidação econômica” ao ampliar as medidas punitivas contra o governo cubano. A crítica chinesa surge em meio a uma nova ofensiva de Washington destinada a aumentar a pressão política e econômica sobre Havana, ampliando restrições que atingem autoridades, empresas estatais e parceiros comerciais da ilha.
As medidas fazem parte de uma estratégia anunciada pela Casa Branca em maio de 2026, quando Trump assinou uma ordem executiva ampliando significativamente o alcance das sanções americanas. O decreto permite a aplicação de punições não apenas a entidades cubanas, mas também a empresas e indivíduos estrangeiros que mantenham relações comerciais com setores considerados estratégicos para o governo cubano, incluindo energia, mineração, defesa, finanças e segurança.
Segundo a administração norte-americana, o objetivo é combater o que Washington classifica como repressão política, corrupção e ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos. O governo Trump sustenta que conglomerados estatais cubanos, especialmente aqueles ligados às Forças Armadas, concentram recursos econômicos e fortalecem a estrutura política do país.
Pequim, entretanto, rejeitou a justificativa norte-americana. Autoridades chinesas afirmaram que as sanções representam uma tentativa de impor a vontade dos Estados Unidos a outros países por meio de coerção econômica e extraterritorialidade. A diplomacia chinesa reiterou sua oposição histórica a sanções unilaterais que não tenham aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e declarou apoio à soberania de Cuba.
A reação chinesa ocorre em um momento particularmente delicado para a economia cubana. Nas últimas semanas, diversas empresas estrangeiras reduziram ou encerraram operações na ilha em razão do risco de sofrer sanções secundárias dos Estados Unidos. Cadeias internacionais de hotéis, operadores logísticos e empresas ligadas ao comércio exterior passaram a rever sua presença em Cuba após a entrada em vigor das novas regras americanas.
Entre os impactos mais visíveis está o enfraquecimento do setor turístico, considerado uma das principais fontes de divisas do país. Algumas companhias internacionais já anunciaram a suspensão de operações ou o encerramento de contratos com entidades cubanas ligadas ao conglomerado estatal GAESA, alvo prioritário das sanções norte-americanas.
A pressão econômica também alcançou o sistema financeiro. O Banco Central de Cuba anunciou recentemente a suspensão de operações envolvendo cartões Visa e Mastercard no país, atribuindo a decisão às dificuldades provocadas pelo endurecimento das sanções dos Estados Unidos e pela retirada de parceiros financeiros internacionais que processavam pagamentos para a ilha.
Além do impacto econômico, Washington ampliou a lista de autoridades cubanas diretamente sancionadas. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, integrantes de sua família e membros do alto escalão governamental entre os alvos das medidas. O governo cubano classificou as ações como intervencionistas e acusou os Estados Unidos de tentar promover uma mudança de regime por meio de estrangulamento econômico.
Analistas internacionais observam que a política de máxima pressão adotada por Trump representa uma das maiores ofensivas contra Cuba em décadas. As medidas atuais vão além das restrições tradicionais do embargo, ao ameaçarem empresas de terceiros países que mantenham relações comerciais com Havana. Isso amplia significativamente o alcance global das sanções e aumenta o risco de isolamento econômico da ilha.
Organizações internacionais e especialistas em direitos humanos também manifestaram preocupação com os efeitos humanitários da estratégia. Relatores das Nações Unidas afirmaram recentemente que as restrições ao fornecimento de combustíveis e ao comércio exterior agravaram uma situação já considerada severa, contribuindo para escassez de energia, dificuldades de transporte e deterioração das condições de vida da população cubana.
Para a China, a política norte-americana reforça um padrão de utilização do poder econômico como instrumento de pressão geopolítica. A posição chinesa reflete ainda a crescente rivalidade entre Pequim e Washington, que se estende por diversas frentes diplomáticas, comerciais e estratégicas. Ao defender Cuba, Pequim busca fortalecer sua imagem como contraponto à influência dos Estados Unidos entre países em desenvolvimento e parceiros do chamado Sul Global.
Enquanto isso, o governo Trump mantém o discurso de que as sanções são necessárias para pressionar a liderança cubana e estimular mudanças políticas na ilha. Havana, por sua vez, sustenta que as medidas representam uma forma de punição coletiva que agrava dificuldades econômicas enfrentadas pela população. A troca de acusações indica que a disputa diplomática entre Estados Unidos, Cuba e China tende a permanecer como um dos focos de tensão no cenário internacional nas próximas semanas.
Com informações de Reuters, El País, Cadena SER, Casa Branca (White House), Politico, Thompson Hine, Baker McKenzie, Agência Brasil, CNN Brasil ■