Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O Haiti amanheceu em luto neste domingo (12) após um tumulto na Cidadela de Laferrière, no norte do país, ter causado a morte de pelo menos 30 pessoas, incluindo dezenas de jovens, no sábado (11). O incidente, que também deixou dezenas de feridos e um número ainda não contabilizado de desaparecidos, ocorreu durante uma celebração anual do Patrimônio Mundial da Unesco, agravado por uma forte chuva que dificultou a dispersão da multidão.
De acordo com as autoridades locais, o forte do século XIX estava lotado de estudantes e visitantes quando o tumulto eclodiu na entrada do local. Jean Henri Petit, chefe da Defesa Civil do Departamento Norte do Haiti, informou que o pisoteamento aconteceu em um momento de confronto entre pessoas que tentavam entrar e sair da fortaleza, uma das atrações turísticas mais populares do país caribenho. O primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé manifestou “sinceras condolências às famílias enlutadas” e afirmou que “muitos jovens” estavam presentes nas comemorações.
O ministro da Cultura do Haiti, Emmanuel Menard, confirmou que uma equipe de resgate segue em busca dos desaparecidos e que o forte foi fechado por tempo indeterminado. O balanço de mortos, alertam as autoridades, pode aumentar significativamente nas próximas horas, uma vez que há registros de várias pessoas ainda não localizadas.
A Cidadela de Laferrière, construída logo após a independência do Haiti da França, é um símbolo nacional e atrai milhares de visitantes todos os anos. A Polícia local já investiga as circunstâncias do incidente, que expõe mais um capítulo da grave crise de segurança que assola o país.
Contexto de Violência e Crise Humanitária
A tragédia ocorre em meio a uma escalada alarmante da violência de gangues no Haiti. Dados da ONU apontam que mais de 5.500 pessoas foram mortas entre março de 2025 e janeiro de 2026 em atos violentos no país. Grupos armados controlam atualmente cerca de 90% da capital, Porto Príncipe, e têm expandido seu domínio para áreas antes consideradas seguras, como os departamentos de Artibonite e Centre.
O quadro de insegurança é agravado por uma profunda crise humanitária. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 6,4 milhões de haitianos – mais da metade da população – necessitam de assistência humanitária. Destes, 5,7 milhões enfrentam insegurança alimentar grave, com famílias pulando refeições e crianças deixando a escola para ajudar no sustento. Mais de 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas internamente, vivendo em condições subumanas.
A situação se deteriora ainda mais com o fechamento de 1.600 escolas devido à violência, afetando cerca de 250 mil crianças, e com o aumento alarmante da violência de gênero. Em 2025, foram registradas 8.100 sobreviventes de violência sexual, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, sendo que metade dos casos envolveu estupro.
Impactos e Reações Internacionais
Diante do caos, o Exército do Haiti declarou no início de abril o estado de “alerta máximo” (Condição D), mobilizando todo o pessoal e cancelando licenças. Uma nova força multinacional de repressão a gangues (GSF), apoiada pela ONU e com capacidade de até 5.500 agentes, começou a chegar ao país para tentar conter a violência. O primeiro contingente, com policiais do Chade, já está em solo haitiano.
A comunidade internacional, no entanto, tem reduzido a ajuda humanitária. Apenas 19,5% dos US$ 880,3 milhões solicitados pela ONU para o plano de resposta humanitária foram mobilizados, o que coloca em risco a assistência a milhões de vulneráveis.
“O Haiti está enfrentando uma das crises humanitárias mais graves e de rápida deterioração do Hemisfério Ocidental”, alertou Edem Wosurnu, diretora do escritório de assuntos humanitários da ONU (OCHA), em entrevista coletiva na última semana. “Precisamos de ação global urgente para evitar uma catástrofe ainda maior.”
Linha do tempo do incidente e números da tragédia
Com informações de CNN Brasil, CartaCapital, G1, UOL Notícias, O Dia, Reuters, The Star (Malásia), Al Jazeera, RTP, Observador, Swissinfo, Haiti Times, ONU News, Caliber.Az, Express UK, Sputnik Brasil, O Tempo, Primeiro Jornal, LBC, BSS News, ReliefWeb, Al Jazeera Liberties, UN OCHA ■