Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O Peru chega ao segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (7) imerso em um cenário de profunda instabilidade institucional. Na última década, oito presidentes passaram pelo poder, e o próximo mandatário, seja a direitista Keiko Fujimori ou o esquerdista Roberto Sánchez, será o nono chefe de Estado do país desde 2016. A votação acontece em meio a um ambiente de forte polarização, com pesquisas apontando empate técnico entre os candidatos e cerca de 20% do eleitorado ainda indeciso. Além da indefinição política, os peruanos vão às urnas pressionados pelo avanço da criminalidade, que se tornou uma questão central na campanha.
A trajetória do Peru nos últimos dez anos é marcada por uma sucessão de escândalos de corrupção, denúncias e processos de vacância presidencial que se tornaram recorrentes. Especialistas apontam o período posterior às eleições de 2016, que deram a vitória ao economista Pedro Pablo Kuczynski por uma margem estreita contra Keiko Fujimori, como o estopim para a crise. Na ocasião, o partido de Fujimori detinha a maioria no Congresso e, em menos de dois anos, conseguiu derrubar o mandatário. O mecanismo utilizado foi o artigo 113 da Constituição peruana, que permite a destituição do chefe do Executivo por "incapacidade moral permanente", um instrumento que ficou conhecido como "impeachment express" e foi responsável por sucessivas quedas. O cientista político e especialista em sistemas eleitorais, Fernando Tuesta, ressaltou a gravidade da situação ao comentar a apuração controversa do primeiro turno de 2026, afirmando que, após a confirmação dos dados, não havia mais margem para mudanças por parte da Justiça Eleitoral.
Para entender a fundo a crise que o país enfrenta, é necessário relembrar os presidentes que ocuparam o Palácio de Pizarro na última década, conforme detalhado por veículos como a CNN e a revista Wired. A lista evidencia um rodízio de governantes que, na maioria dos casos, não conseguiram completar seus mandatos:
Após um primeiro turno turbulento, realizado em 12 de abril, Keiko Fujimori (Força Popular) garantiu a vaga para o segundo turno com 17,1% dos votos. A disputa pela segunda posição foi decidida por uma margem mínima de apenas 18.799 votos, com o esquerdista Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru) alcançando 12% contra 11,9% do empresário de extrema direita Rafael López Aliaga. A demora na apuração gerou contestações, mas foi validada pelas autoridades eleitorais.
No último dia de campanha, as propostas dos candidatos evidenciaram a polarização. Em comícios lotados, Fujimori defendeu uma agenda focada em ordem, segurança e um governo de confiança. “Queremos um governo que nos traga paz, que restaure a ordem”, pediu a filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que concorre pela quarta vez consecutiva. Por outro lado, Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo, reuniu apoiadores com música andina e prometeu “democracia”, “o fim do caos” e uma reforma constitucional para modificar a Carta Magna. A pesquisa mais recente apontava um empate técnico, com um quinto do eleitorado indeciso, indicando que a decisão será nas urnas.
A economia e a segurança são temas quentes. Enquanto o Peru apresenta um crescimento acima da média regional e mantém uma das moedas mais estáveis do mundo, fruto de uma surpreendente resiliência institucional apesar da crise, a população está indignada com o avanço do crime organizado, incluindo extorsões e homicídios. Além disso, a eleição tem repercussões geopolíticas: analistas apontam que o voto escolherá entre uma aproximação com os Estados Unidos, defendida por Fujimori, e um alinhamento com a China, sugerida por Sánchez, afetando os fluxos de comércio no Oceano Pacífico.
Com informações de BBC News Mundo, CNN Español, G1, Folha de S. Paulo, Agência Brasil, R7, France 24, Wired en Español ■