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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta segunda-feira (25 de maio de 2026), o envio de ajuda humanitária à Bolívia, após um pedido feito por telefone pelo presidente boliviano, Rodrigo Paz. A medida é uma resposta à grave crise social e de desabastecimento que atinge o país vizinho em meio a uma onda de protestos que já dura quatro semanas.
Contexto da crise boliviana
Os protestos na Bolívia tiveram início no começo de maio de 2026, convocados principalmente pela Central Operária Boliviana (COB), com o apoio de setores camponeses, indígenas, mineiros e professores, entre outros. As mobilizações eclodiram após uma série de medidas impopulares do governo de Rodrigo Paz, que assumiu em novembro de 2025 com uma agenda de austeridade para reverter a crise econômica, a pior do país andino em quarenta anos.
Entre as principais causas da revolta popular estão:
A insatisfação transformou-se em uma verdadeira rebelião popular, com bloqueios de estradas em todo o país. No auge, chegaram a ser registrados mais de cinquenta pontos de interdição em sete dos nove departamentos bolivianos. A capital, La Paz, e a vizinha El Alto tornaram-se os epicentros dos confrontos, com manifestantes utilizando dinamite, pedras e palcos, sendo repelidos pela polícia com gás lacrimogêneo. Mais de quatro pessoas morreram e cerca de cem foram presas desde o início das manifestações.
Situação humanitária e pedido de ajuda
A paralisação das principais rodovias provocou uma grave crise de desabastecimento, especialmente de alimentos e combustíveis, afetando hospitais que chegaram a registrar falta de cilindros de oxigênio. Diante do cenário crítico, o presidente Rodrigo Paz entrou em contato telefônico com Lula na tarde de 25 de maio. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois mandatários conversaram sobre a "situação humanitária enfrentada pela Bolívia em decorrência de protestos e bloqueios de estradas". Paz solicitou formalmente o apoio do Brasil, que atendeu prontamente ao pedido.
A ajuda humanitária brasileira
A determinação de Lula inclui o envio imediato de alimentos e medicamentos para mitigar a escassez que já atinge regiões como La Paz e outras cidades isoladas. Além da ajuda material, o governo boliviano também solicitou ao Brasil o empréstimo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para auxiliar na distribuição dos insumos e na abertura de corredores humanitários, um pedido que estava sendo analisado pelo Itamaraty.
Em sua mensagem oficial, Lula reiterou a solidariedade ao governo e ao povo boliviano e enfatizou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito. O presidente brasileiro defendeu que "governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências".
Reação internacional e novos desdobramentos
A crise boliviana mobilizou a comunidade sul-americana. Além do Brasil, Argentina, Chile e Peru também anunciaram o envio de ajuda humanitária, e os Estados Unidos manifestaram sua disposição em colaborar. Enquanto isso, o ex-presidente Evo Morales pediu publicamente a renúncia de Rodrigo Paz e a convocação de novas eleições em um prazo de 90 dias, intensificando a polarização política no país.
Internamente, em uma tentativa de acalmar os ânimos, Paz anunciou que reduzirá em 50% seu próprio salário e o de seus ministros, medida considerada simbólica diante da grave crise econômica. O Congresso boliviano também discute mudanças legais para facilitar a declaração de um estado de exceção, o que permitiria maior deslocamento das forças de segurança para conter os bloqueios.
Com informações de Agência Gov, Agência Brasil, CNN Brasil, SBT News, CBN, Poder360, Diário de Pernambuco, Valor Econômico, La Patria (Bolívia), Red Uno (Bolívia), El Deber (Bolívia), Los Tiempos (Bolívia), El País (Espanha) e BBC ■