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Eduardo Bolsonaro obtém green card do governo Trump
Documento de residência permanente foi concedido em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e após condenação do ex-deputado pelo STF
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 21/07/2026

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, concedeu ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) o green card, documento que autoriza o cidadão estrangeiro a viver, trabalhar e estudar em território norte-americano por tempo indeterminado. A informação foi publicada inicialmente pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, e confirmada por diversos veículos de imprensa nesta segunda-feira (20).

Com o green card em mãos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderá permanecer nos Estados Unidos sem a necessidade de autorizações especiais para trabalhar ou estudar no país. O documento garante a Eduardo quase todos os direitos de um cidadão norte-americano, com exceção do direito de votar nas eleições federais e de obter um passaporte dos Estados Unidos. A medida também é válida para sua esposa e filhos.

Segundo o jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, o pedido de green card foi protocolado há mais de um ano, e a aprovação ocorreu neste mês de julho, após o ex-deputado comprovar o cumprimento dos requisitos exigidos pelas autoridades americanas. Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, quando se licenciou do mandato na Câmara dos Deputados para atuar contra o que classificou como perseguição política à família Bolsonaro.

O ex-deputado afirmou, em entrevista à coluna de Bela Megale no O Globo, que o processo foi estritamente burocrático e sem qualquer motivação política. Ele explicou que obteve o green card na categoria EB1-A, visto de residência permanente concedido a pessoas com habilidades extraordinárias em áreas específicas, considerado um dos caminhos mais rápidos para a aquisição do documento. — Não vejo como um processo político. Foi um processo burocrático que fiz daqui do Texas mesmo, não passou por Washington — relatou o ex-deputado. Quando questionado sobre a possibilidade de o governo Trump ter usado o documento como um gesto político, Eduardo descartou: — Se fosse algum gesto nesse sentido, o governo Trump teria muitas outras oportunidades de fazê-lo.

A concessão do green card ocorre em meio a tensões diplomáticas entre os governos Trump e brasileiro, especialmente em razão do tarifaço aplicado pela administração norte-americana sobre produtos brasileiros. A medida foi acompanhada por críticas do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a integrantes do governo brasileiro.

No mês passado, Eduardo Bolsonaro foi condenado por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de reclusão em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A pena também inclui o pagamento de 50 dias-multa, fixados em dois salários mínimos cada, a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade por oito anos. Os ministros acolheram os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que o ex-deputado atuou junto a autoridades dos EUA para incentivar a adoção de sanções contra magistrados do STF e medidas econômicas contra o Brasil, com o objetivo de pressionar a Corte e interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado.

O relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que as articulações de Eduardo com autoridades dos Estados Unidos — entre elas o presidente Donald Trump — e a defesa de sanções contra integrantes do STF e contra o Brasil extrapolaram os limites da atuação política e configuraram grave ameaça às instituições brasileiras. Segundo Moraes, a desinformação levada às autoridades americanas produziu consequências concretas para o país, entre elas a imposição de sobretaxas sobre produtos brasileiros.

Com o green card, Eduardo Bolsonaro e sua família passam a ter acesso permanente a diversos direitos nos Estados Unidos, como:

  • Trabalhar em qualquer emprego no país
  • Utilizar serviços públicos
  • Solicitar a cidadania americana no futuro, caso preencham os requisitos legais

Por outro lado, os residentes permanentes não podem votar nas eleições federais americanas e precisam evitar longos períodos fora dos EUA, sob risco de perderem esse status migratório.

Diante desse novo cenário, a possibilidade de extradição de Eduardo Bolsonaro para que cumpra a pena no Brasil tornou-se ainda mais remota. Ele afirma ser alvo de perseguição política e tem mantido diálogo com congressistas e autoridades do governo Trump para denunciar o que considera violações à liberdade de expressão no Brasil. Eduardo, que já tinha permissão para trabalhar nos EUA há alguns meses, afirmou que o green card lhe garante uma segurança maior, protegendo-o de situações como a do ex-deputado Alexandre Ramagem, que foi detido em Orlando pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) e liberado dois dias depois.

O ex-deputado também afirmou que só retornará ao Brasil se for concedida anistia. O político de direita permanece numa espécie de autoexílio nos Estados Unidos, sob a justificativa de que sofre perseguição política por parte do Judiciário brasileiro.

Com informações de GP1, Gazeta do Povo, Poder360, CBN, O Globo, CNN Brasil, Folha de S. Paulo, O Povo, Correio do Povo, Diário do Nordeste, Revista Fórum, Band, Jornal de Notícias, Diário do Centro do Mundo, Diário do Litoral, TV Pampa, Gazeta SP, Opera Mundi, UOL, Estadão e Bahia Notícias■

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