Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
PF apreende sete armas de Mario Frias em operação sobre "Dark Horse"
O armamento foi localizado em um endereço diferente do declarado oficialmente pelo parlamentar
Politica
Foto: https://sbt-news-assets-prod.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Armas_de_fogo_do_deputado_Mario_Frias_PL_SP_apreendidas_pela_PF_na_forca_tarefa_Make_Up_Divulgacao_Policia_Federal_e0c92a5e7e.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 10/09/2026

A Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo registradas em nome do deputado federal Mario Frias (PL-SP) durante a Operação Make Up, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10). Segundo os investigadores, a apreensão configura situação irregular e pode resultar em apuração por posse ilegal de arma de fogo. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinadas ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A operação Make Up cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Além de Frias, são alvos a produtora Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment — responsável pela produção do longa —, e duas organizações não governamentais presididas por ela: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A Controladoria-Geral da União (CGU) presta apoio à força-tarefa.

O arsenal apreendido

As sete armas estavam registradas no nome de Mario Frias, mas foram encontradas em um endereço que não pertence ao deputado. Segundo informações obtidas pela reportagem, o local estaria ligado ao advogado do parlamentar. A PF divulgou uma imagem que mostra o que parecem ser uma metralhadora, uma espingarda, um revólver e quatro pistolas. Em outra versão do material apreendido, as autoridades identificaram cinco pistolas, uma espingarda e um fuzil. A corporação ainda apura em nome de quem as armas estavam efetivamente registradas.

A situação irregular decorre do fato de que o registro de armas de fogo exige que o proprietário informe o local de guarda do armamento. Como as armas foram localizadas em endereço diverso do declarado, a PF investiga a possível prática de posse ilegal de arma de fogo.

Além das armas, os agentes apreenderam o celular de Mario Frias durante o cumprimento dos mandados. Um computador do parlamentar também foi recolhido e deverá passar por análise pericial no curso da investigação. Carros de luxo foram apreendidos no mesmo endereço.

O esquema sob investigação

A investigação apura o repasse de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas por Mario Frias, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Segundo a PF, os recursos teriam sido direcionados à organização da sociedade civil e, posteriormente, repassados a empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. A CGU identificou indícios de irregularidade na aplicação da emenda, incluindo despesas sem comprovação documental.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam para a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. Levantamentos financeiros identificaram movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado. Os investigadores também identificaram indícios de elaboração posterior e retrodatação de contratos, orçamentos e notas fiscais, com o objetivo de conferir aparência de legalidade às operações perante a CGU. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendido até julho deste ano.

São investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Contexto e desdobramentos

Mario Frias é roteirista e produtor-executivo de "Dark Horse", filme que narra a trajetória de Jair Bolsonaro e ainda não foi lançado. A sobreposição entre as atividades parlamentares de Frias e os negócios de Karina Gama — que preside o ICB e é dona da produtora do filme — levantou a suspeita de que parte dos recursos das emendas tenha sido usada para custear a produção. Em manifestação enviada ao STF, Frias negou que os recursos tenham sido usados no longa e afirmou que as emendas foram destinadas a projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esportes.

A produção do filme também é alvo de um segundo inquérito no STF, relatado pelo ministro André Mendonça, que investiga repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo relatos, Vorcaro teria doado US$ 12,3 milhões para a produção do filme a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL). Esse dinheiro, no entanto, não é o foco da operação desta quinta-feira, que investiga especificamente as emendas parlamentares.

Mario Frias está proibido de deixar o país por ordem judicial. A CNN Brasil informou que o deputado e outras 28 pessoas são alvos da operação. O celular do parlamentar foi apreendido e passará por análise. A TV Globo e outros veículos procuraram as defesas de Mario Frias e Karina Gama, mas não obtiveram resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Com informações de G1, BNews, Folha de S.Paulo, SBT News, ND Mais, Correio Braziliense, Revista Fórum, CNN Brasil, Diário do Centro do Mundo, Estado de Minas e Extra. ■

Mais Notícias