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Ao vencer as eleições de 2024 e tomar posse em 20 de janeiro de 2025, Donald Trump iniciou seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos. Considerando que seu primeiro mandato ocorreu entre 2017 e 2021, o republicano se tornará, ao fim de seu atual período na Casa Branca, um "pato manco" (lame duck) do ponto de vista constitucional: impedido de disputar um novo pleito. A proibição está prevista na 22ª Emenda à Constituição americana, ratificada em 1951, que estabelece que "nenhuma pessoa poderá ser eleita para o cargo de presidente mais de duas vezes".
A regra constitucional foi criada após a experiência de Franklin D. Roosevelt, único presidente americano a conquistar quatro mandatos (eleito em 1932, 1936, 1940 e 1944). A emenda, aprovada pelo Congresso em 1947 e ratificada pelos estados em 1951, pôs fim à tradição não escrita iniciada por George Washington de limitar a dois mandatos o tempo de um chefe de Estado. Desde então, todos os presidentes eleitos para dois mandatos — consecutivos ou não — estão sujeitos ao mesmo impedimento.
Apesar da clareza do texto constitucional, Trump tem alimentado especulações sobre um terceiro mandato. Em entrevista à NBC News, em março de 2025, o presidente afirmou que "há métodos" para viabilizar uma nova candidatura e que "não está brincando". A declaração veio acompanhada da comercialização de bonés com a inscrição "Trump 2028" e de comentários em eventos públicos nos quais o republicano perguntou a apoiadores se deveria concorrer novamente.
Aliados do presidente e estrategistas do entorno de Trump já articulam pelo menos duas vias para tentar driblar a 22ª Emenda:
Especialistas em direito constitucional, no entanto, consideram as duas hipóteses improváveis. Michael Waldman, presidente do Brennan Center for Justice, afirmou à CNN que a tentativa de um terceiro mandato é "ilegal" e que Trump "não tem chance". A própria CNN destacou que qualquer movimento nesse sentido "violaria a 22ª Emenda".
No plano político, a discussão já gerou reações no Congresso. O deputado democrata Dan Goldman (Nova York) anunciou que apresentará uma resolução para reafirmar o apoio do Legislativo ao limite de dois mandatos, classificando as especulações de Trump como "uma ortodoxia do Partido Republicano" que deixou de ser apenas uma "piada". A resolução pode ser levada a voto por meio de uma petição de descarga (discharge petition), instrumento que força a análise de uma proposta mesmo sem o apoio da liderança da Casa.
Ao fim de seu segundo mandato, em janeiro de 2029, Trump terá 82 anos e 7 meses, tornando-se a pessoa mais velha a ocupar a presidência dos Estados Unidos. A menos que uma mudança constitucional sem precedentes ocorra nos próximos anos — ou que a "brecha" da sucessão seja avalizada pelo sistema judiciário —, 2028 marcará o fim de sua trajetória eleitoral na Casa Branca, encerrando o ciclo iniciado em 2017.
Com informações de BBC News Brasil, CNN, The New York Times, Deutsche Welle (DW), Valor Econômico, ConJur, Público (Portugal) e Wikipédia ■