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PL aciona TSE pela segunda vez para barrar pesquisa Atlas/Bloomberg
Partido do pré-candidato Flávio Bolsonaro alega irregularidades documentais; instituto nega e atribui problema a falha no sistema do Tribunal
Politica
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■   Bernardo Cahue, 17/07/2026

O Partido Liberal (PL) protocolou nesta quarta-feira, 15 de julho, um novo pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impugnar a pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República divulgada no dia 1º de julho pelo Instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg (registro BR-04582/2026). Esta é a segunda representação da sigla contra a mesma empresa em menos de dois meses — em junho, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, já havia suspendido liminarmente outro levantamento da AtlasIntel (BR-06939/2026) que associava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

No novo pedido, distribuído à relatoria do ministro André Mendonça, o PL aponta “vícios de auditabilidade e confiabilidade” no registro da pesquisa. A legenda alega que o instituto divulgou o levantamento sem apresentar, dentro do prazo legal, o arquivo de complementação territorial e demográfica exigido pela Justiça Eleitoral — documento que deveria detalhar os municípios, bairros e setores censitários onde as 5 mil entrevistas foram realizadas. Segundo o partido, a ausência dessas informações configura uma “deliberada opacidade” que impede a fiscalização pública da execução da amostra.

Além da questão documental, o PL sustenta que a pesquisa apresenta “vícios metodológicos” no questionário aplicado. A representação cita ambiguidade nas faixas de renda avaliadas, distorções nos registros de escolaridade e indícios de que o instituto teria utilizado bases de dados coletadas antes do período oficial declarado à Justiça Eleitoral (entre 25 e 30 de junho de 2026) ou mantido formulários ativos continuamente. O partido pede que a pesquisa seja declarada irregular, equiparada a um levantamento sem registro, e que o instituto seja multado.

Em resposta, a AtlasIntel afirmou em nota que “todos os arquivos exigidos pela legislação eleitoral foram devidamente submetidos ao sistema PesqEle dentro do prazo previsto para o registro da pesquisa, incluindo os arquivos referentes aos bairros e municípios contemplados na amostra”. Segundo o instituto, as evidências disponíveis indicam que se trata de “um problema de natureza técnica relacionado ao próprio sistema do TSE”. A empresa explica que, embora o arquivo tenha sido corretamente enviado e permaneça disponível na área restrita do sistema, ele deixou de aparecer na visualização pública do registro — um “comportamento incompatível com o funcionamento esperado da plataforma”.

A versão do instituto é corroborada por integrantes da corte eleitoral. Ministros do TSE afirmaram ao jornal Valor Econômico que outros institutos já haviam relatado erro semelhante de anexação de documentos, e que a falha foi referenciada em decisões de tribunais regionais eleitorais e apontada em reunião com integrantes do TSE. Segundo um ministro ouvido pela reportagem, “é um problema em que, se consultar documento de fora, não aparece. Provavelmente é algum problema de atualização”.

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, manifestou-se publicamente sobre o caso: “Lamento as tentativas de descredibilização do trabalho imparcial e de altíssima qualidade metodológica da AtlasIntel. As campanhas responsáveis por essa prática deverão se explicar perante os seus próprios eleitores”. Roman reiterou que a empresa “não mudará sua técnica nem alterará seus estudos por conta de qualquer tipo de pressão política, econômica ou judicial”.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, reforçou o pedido para que o instituto apresente “certificação cartorial que comprove sua tentativa de anexação dos documentos legais dentro do prazo” e sugeriu a necessidade de alteração na Resolução do TSE para que “o sistema não permita a anexação de qualquer outro documento uma vez encerrados os prazos legais”.

Este não é o primeiro confronto do PL com pesquisas eleitorais. Em maio, a sigla já havia protocolado ação no TSE para suspender a divulgação de levantamento da AtlasIntel/Bloomberg que mostrava queda do senador Flávio Bolsonaro na intenção de voto e alta de sua rejeição, após a revelação de que o parlamentar cobrou dinheiro de Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o PL alegou que o questionário foi elaborado de forma “indutora”, com perguntas formuladas em sequência para associar Flávio ao caso do Banco Master, criando um ambiente de “priming”, “framing” e “ancoragem” que estimularia respostas negativas do eleitorado.

Em junho, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, concedeu liminar suspendendo aquela pesquisa. A decisão foi encaminhada para análise do plenário, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista. Agora, com a nova representação, a corte eleitoral volta a ser acionada para decidir sobre a regularidade de mais um levantamento em meio à disputa presidencial de 2026.

O desfecho do caso pode ter repercussões significativas para o ambiente eleitoral. Integrantes do TSE concordaram em ouvir especialistas para elaborar uma decisão que sirva de parâmetro para pesquisas eleitorais neste ano. Enquanto isso, a AtlasIntel mantém sua posição e afirma estar “plenamente à disposição da Justiça Eleitoral” para demonstrar que cumpriu as exigências legais.

Com informações de O Globo, Gazeta do Povo, Estadão, UOL e Valor Econômico ■

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