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O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, classificou como “infeliz” a declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a confirmação de novas tarifas estadunidenses sobre produtos brasileiros. Em entrevista ao g1 nesta quinta-feira (16), durante agenda no Rio Grande do Sul, Caiado disse discordar da postura adotada pelo representante do governo de Donald Trump.
“Sem dúvida nenhuma, a declaração do Rubio foi uma declaração infeliz”, afirmou o ex-governador de Goiás. A reação veio depois de Rubio publicar críticas a Lula nas redes sociais e atribuir as tarifas à forma como o governo brasileiro conduziu as conversas com Washington. “Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé”, escreveu o secretário. Rubio também afirmou que Lula colocou “o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro” e que “as tarifas são o preço por isso”.
Apesar das críticas ao petista, Caiado afirmou que a disputa política entre lideranças não deveria atingir a população. “Um país não deve ser punido, os 215 milhões de brasileiros, o Brasil que trabalha e produz não pode sofrer dessas penalizações”, ressaltou. O pré-candidato disse que medidas desse tipo podem provocar perda de empregos, fechamento de empresas e dificuldades para setores produtivos, especialmente a agropecuária. “O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar. Não é conversa fiada”, escreveu no X. “É a conta mesmo que não fecha, com 25% a mais de tarifa, que pode chegar a 37,5% somada a outras sobretaxas em análise, indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia”.
Ao comentar a publicação de Rubio, Caiado disse que o secretário expôs a tensão diplomática entre os dois governos. “Marco Rubio deixou claro que foi uma maneira deselegante a que o presidente Lula tem tratado o governo (Trump). Você vê claramente que há algo que interessa ao Lula provocar os Estados Unidos, querer neste momento atender a sua vontade que é a taxação”. Na avaliação do pré-candidato, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos não justificaria sanções desse porte.
Caiado também acusou Lula de buscar vantagem política com o tarifaço. “Lula realmente lutou pela taxação, porque quer buscar um discurso de patriota, de defensor da soberania e quer surfar na mesma condição que os candidatos à presidência do Canadá e da Austrália surfaram naquele momento que o Trump nos tarifou”, declarou. Para o pré-candidato, o Brasil vive um momento de “campanha eleitoral feita de forma provocativa, sem pensar no país, mas apenas na eleição de cada um”. “O governo quer agora buscar um discurso de patriota, de defensor da soberania”.
Nesta quinta-feira, Caiado também criticou o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — sem citar o nome do último — ao comentar os efeitos do tarifaço. “O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país!”, postou o ex-governador de Goiás. “Às vésperas das eleições, houve até quem defendesse que a medida fosse prorrogada para depois do pleito. Ninguém pensou no Brasil; pensaram apenas no processo eleitoral”.
O tarifaço foi oficializado na noite de quarta-feira (15) com a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, que entrará em vigor no próximo dia 22 de julho. Segundo os EUA, as novas tarifas ocorrem por conta de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal. Quanto ao Pix, a avaliação é de que a ferramenta, como um “campeão nacional”, “promove condições desleais de competição no comércio eletrônico”.
Na quarta-feira (15), Caiado já havia criticado tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro em publicação sobre as tarifas. “O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil. Ninguém fala sobre isso. China taxa nossa carne em 55%. UE vetou a carne brasileira. EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos”, escreveu o ex-governador na rede social X.
Nesta sexta-feira (17), Caiado participará de dois eventos no Rio Grande do Sul: pela manhã, no Grupo Tradição e Folclore, no Parque da Fenamilho, em Santo Ângelo; à tarde, no Itaimbé Palace Hotel, em Santa Maria.
Com informações de G1, UOL, CNN Brasil, Diário do Centro do Mundo, Diário do Brasil Notícias, Metrópoles e O Globo■