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Os Estados Unidos da América (EUA) confirmaram, nesta terça-feira (26), mais um ataque militar a uma embarcação que transitava no Oceano Pacífico, resultando na morte de um tripulante e deixando dois sobreviventes. A ação, realizada pelo Comando Sul do Exército dos EUA (SOUTHCOM), faz parte de uma ofensiva contra o suposto narcotráfico na região, mas tem gerado crescentes críticas internacionais devido à falta de provas públicas que liguem os barcos alvejados ao crime organizado.
Detalhes do ataque e operações de resgateO ataque ocorreu em águas internacionais do Pacífico Leste, uma rota conhecida pelo tráfico de drogas. De acordo com um comunicado publicado pelo SOUTHCOM em suas redes sociais, a embarcação era operada por "organizações terroristas designadas" e estava envolvida em "operações de narcotráfico".
As forças militares norte-americanas afirmam que agiram com base em informações de inteligência que indicavam o tráfico de drogas, embora nenhuma evidência concreta tenha sido apresentada publicamente para corroborar a alegação. O governo Trump tem justificado os ataques como parte de um "conflito armado" contra cartéis latino-americanos, classificados como organizações terroristas.
Imediatamente após o ataque, o Comando Sul acionou a Guarda Costeira dos EUA para ativar o sistema de busca e salvamento dos dois sobreviventes. As autoridades americanas confirmaram que nenhum militar norte-americano ficou ferido na operação.
Contexto da campanha militar e números de vítimasEste ataque marca o 58º incidente divulgado publicamente desde o início da campanha militar, em setembro de 2025. De acordo com uma contagem da agência Associated Press (AP), pelo menos 194 pessoas já morreram nessas operações. Dados compilados pela imprensa americana indicam que, em 56 ataques e uma ação de acompanhamento, apenas três pessoas sobreviveram. Os dois sobreviventes mais recentes se juntam a esse pequeno grupo de vítimas que escaparam com vida da investida militar.
Investigação do Pentágono e acusações de crimes extrajudiciaisA escalada da violência tem atraído críticas de organizações de direitos humanos, especialistas jurídicos e legisladores democratas. A administração Trump tem sido acusada de cometer assassinatos extrajudiciais e violar leis internacionais ao usar o exército para operações que seriam, por natureza, de fiscalização policial.
Na semana passada, o órgão de fiscalização do Pentágono anunciou uma revisão para avaliar se os militares seguiram a estrutura de "Ciclo de Segmentação Conjunta" (Joint Targeting Cycle) — um protocolo que inclui intenção do comandante, desenvolvimento, análise, decisão, execução e avaliação do alvo. Contudo, a investigação do inspetor-geral, descrita como "auto-iniciada", não analisará a legalidade dos ataques, foco das principais controvérsias.
A organização Iran SABA, citando o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharib Abadi, relatou que Washington realizou "dezenas de ataques mortais" nos últimos meses no Caribe e no Pacífico Leste contra barcos suspeitos de contrabando de drogas, sem evidências ou julgamentos justos.
Posicionamento do governo Trump e críticas da imprensaApesar do crescente questionamento, o governo Trump mantém sua posição. O presidente declarou ter autoridade legal para continuar os bombardeios em águas internacionais e sinalizou disposição de expandir as operações para terra, caso obtenha aprovação do Congresso. Em pronunciamento, Trump afirmou: "Temos permissão para fazer isso e, se o fizermos por terra, poderemos ir ao Congresso". O secretário de Estado, Marco Rubio, complementou o raciocínio: "Se as pessoas querem parar de ver barcos de drogas explodirem, parem de enviar drogas para os Estados Unidos".
A imprensa internacional, incluindo veículos como The Guardian, NBC News e The Independent, tem questionado a falta de transparência nas operações, apontando que o governo americano ainda não apresentou provas de que qualquer uma das embarcações atacadas transportava drogas.
Outros ataques recentesA campanha militar não é um caso isolado. Levantamento da imprensa aponta que as forças americanas realizaram ataques contra embarcações suspeitas em várias ocasiões nos últimos meses:
As ações fazem parte da chamada "Operação Lança do Sul", que já destruiu dezenas de embarcações e tem como objetivo declarado "detectar, interromper e degradar as redes criminosas transnacionais" que atuam nas rotas do narcotráfico em direção aos Estados Unidos.
Com informações de: UOL, G1, Associated Press (AP), UPI, NBC News, The Guardian, WION, The Independent, BBC News Brasil, RTP, SIC Notícias, The Intercept, The Washington Times, The Globe and Mail, Airwars, The New Age, RTE, Gulf News, SABA, Euronews, Folha de S.Paulo, Veja, Público, The Mirror, WION News, Bluewin, The Peninsula, Honolulu Star-Advertiser, CBS News, The White House, Departamento de Defesa dos EUA, Comando Sul dos EUA, Congresso Americano, Organização das Nações Unidas (ONU), Anistia Internacional, Correio da Manhã Canadá
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