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Em uma decisão que acirrou ainda mais os ânimos na reta final da campanha presidencial colombiana, a Justiça do país proibiu, nesta quinta-feira (4), o candidato de ultradireita Abelardo de la Espriella de utilizar a camisa oficial da seleção colombiana de futebol como instrumento de sua propaganda eleitoral. A medida, de caráter provisório e cumprimento imediato, foi assinada pela juíza Aura Luz Forero, do 120º Tribunal Penal Municipal de Bogotá, e atende a uma ação de tutela movida pelo cidadão Wilman Ramiro Bocanegra Calderón, que alegou sentir-se “discriminado e estigmatizado” pela apropriação do símbolo esportivo nacional por uma candidatura específica.
De la Espriella, advogado de 47 anos conhecido entre seus apoiadores como “El Tigre” e que surpreendeu ao vencer o primeiro turno das eleições com 43,74% dos votos, vinha transformando o uso da camisa amarela em sua principal marca de campanha, uma clara inspiração no movimento de direita brasileiro que adotou a “amarelinha” como símbolo. A prática, intensificada a poucos dias do início da Copa do Mundo, foi denunciada publicamente pelo adversário de esquerda, Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro, que classificou a atitude como um ato de “roubo” e apropriação indébita de um bem imaterial que pertence a todos os colombianos.
No despacho, que também alcança o partido Defensores de la Patria e proíbe o uso da vestimenta em redes sociais, eventos públicos e peças publicitárias, a magistrada Forero foi categórica ao afirmar que o uso político da camisa “cria uma identificação da seleção com uma candidatura específica e compromete a neutralidade dos símbolos nacionais”.
A ordem judicial dividiu imediatamente a opinião pública e os especialistas. Enquanto setores da esquerda e da centro-esquerda saudaram a medida como uma vitória contra a “cooptação” dos símbolos nacionais, a campanha de De la Espriella reagiu com veemência, classificando a decisão como “absolutamente arbitrária e caprichosa” e anunciando que recorreria para reverter a proibição. Paralelamente, o candidato fez um apelo direto a seus eleitores para que continuem vestindo a camisa, afirmando que “ninguém pode proibir os colombianos de sentirem orgulho da Colômbia”.
A controvérsia expôs uma fratura profunda na sociedade colombiana, dividida entre:
O episódio transcende as fronteiras colombianas e reacende um debate global sobre a apropriação política de símbolos esportivos e culturais. Assim como ocorreu no Brasil com o ex-presidente Jair Bolsonaro, a estratégia de De la Espriella busca associar sua imagem a valores de patriotismo e ordem, ao mesmo tempo que tenta deslegitimar a oposição, que agora luta para “retomar” um símbolo que historicamente era apartidário.
A decisão da juíza Aura Luz Forero não é definitiva. O tribunal ainda deve analisar o mérito da ação, ouvindo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o partido do candidato e a própria Federação de Futebol. Independentemente do desfecho, o caso já entrou para a história como um divisor de águas, levantando uma questão central para as democracias modernas: até que ponto é legítimo que um ator político se aproprie de símbolos de identidade coletiva em benefício próprio, sem ferir o princípio da neutralidade e a própria essência do que representam.
Com informações de G1, O Globo, Veja, Folha de S.Paulo, El País, El Espectador, Poder360, MercoPress, Infobae, Noticias RCN, Prensa Latina ■