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Apagão total e onda de protestos marcam nova escalada da crise no Cuba
Colapso da rede elétrica deixa ilha sem energia por mais de 24 horas; falta de combustível e embargo dos EUA agravam situação e levam população às ruas
Central e Caribe
Foto: https://media.gazetadopovo.com.br/2024/10/20124554/apagao-cuba-1-660x372.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 18/03/2026

Cuba enfrenta um dos momentos mais críticos de sua crise energética recente. Na última segunda-feira (16), a União Elétrica de Cuba reportou o colapso total do Sistema Elétrico Nacional, mergulhando a ilha em um apagão completo que se estendeu por mais de 24 horas. Trata-se da sexta falha total do sistema em um ano e meio e a primeira generalizada em 2026.

O governo cubano atribui a gravidade da crise ao recrudescimento do embargo econômico dos Estados Unidos. Desde janeiro, Washington intensificou a pressão ao bloquear completamente as remessas de petróleo da Venezuela, principal fornecedor da ilha, e ameaçar sanções a outros países que negociem combustível com o regime castrista. Especialistas citados pela imprensa internacional, no entanto, apontam que a infraestrutura obsoleta e a falta de investimentos no setor elétrico, com plantas termelétricas operando há mais de quatro décadas, agravam a situação.

Antes mesmo do colapso total desta semana, a população já sofria com cortes diários que chegavam a 15 horas em Havana e até 48 horas em províncias rurais. O apagão generalizado, porém, foi a gota d'água para o descontentamento popular, que vem se manifestando em protestos inéditos nos últimos dias. Os principais pontos de tensão incluem:

  • Morón: Na cidade de Morón, a sede municipal do Partido Comunista foi atacada por manifestantes no fim de semana. Pedras foram lançadas contra o edifício e móveis foram incendiados em via pública. A imprensa estatal local confirmou pelo menos cinco prisões e danos a uma farmácia e um mercado.
  • Havana: Na capital, moradores de diversos bairros realizaram panelassos noturnos para expressar a revolta com a falta de luz e água. Estudantes da Universidade de Havana também organizaram uma sentada em protesto contra a suspensão das aulas presenciais, agravada pela escassez de combustível que inviabiliza o transporte público.
  • Relatos da população: Moradores ouvidos pela agência EFE descreveram a situação como "extremamente crítica". "Sem energia, nada funciona. A comida estraga, não temos água e o desespero toma conta", relatou uma residente do bairro San Leopoldo, em Havana.

Em reação aos protestos, o presidente Miguel Díaz-Canel admitiu que a ira da população com os apagões prolongados é "compreensível", mas advertiu que "não haverá impunidade para atos de vandalismo e violência". O governo informou que já há conversas em curso com os Estados Unidos para tentar aliviar a tensão, embora Washington, na voz do secretário de Estado Marco Rubio, considere que o regime cubano precisa de "mudanças dramáticas".

Enquanto isso, a União Elétrica trabalha na restauração gradual do serviço. Na tarde de terça-feira (17), 45% dos clientes de Havana já tinham energia, e o sistema foi reativado da província de Pinar del Río, no oeste, até Holguín, no leste, ainda que com geração muito abaixo da demanda.

Com informações de Bernama (dpa news agency), Xinhua, Reuters, EFE, Deutsche Welle, Hindustan Times, Anadolu Ajans? ■

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