Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Os Estados Unidos anunciaram, nesta quinta-feira (4), uma nova e contundente rodada de sanções econômicas contra o alto escalão do governo cubano, numa clara escalada da política de máxima pressão exercida pela administração de Donald Trump. As medidas, que atingem o presidente Miguel Díaz-Canel, sua esposa, seu enteado e membros da família do histórico líder Raúl Castro, representam um aprofundamento do bloqueio que já dura mais de seis décadas e levantam sérias questões sobre a legalidade e a real motivação por trás dos atos unilaterais de Washington.
De acordo com informações do Departamento do Tesouro dos EUA, a lista de sancionados inclui, além do presidente Díaz-Canel e da primeira-dama Lis Cuesta Peraza, seu enteado Manuel Anido Cuesta, residente na Espanha. O cerco se estende à antiga guarda castrista, com o coronel Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro, e seu filho, Raúl Alejandro Castro Calis, também sendo alvos. No total, a ação atinge cinco pessoas e cinco entidades, entre as quais figuram o poderoso Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (MINFAR), os Comitês de Defesa da Revolução (CDR), o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), a agência de viagens Amistur e a mineradora La Victoria.
A Casa Branca, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, justificou as sanções como um golpe contra a estrutura que sustenta a “campanha política, ideológica e institucional” de Cuba contra os EUA, acusando a ilha de ser uma plataforma para o terrorismo de esquerda radical. Contudo, a medida parece ter um caráter mais simbólico e punitivo do que prático, uma vez que, como lembrou o ex-conselheiro de segurança nacional americano Richard Feinberg, é improvável que o presidente cubano ou sua família possuam bens significativos em solo americano, tornando o ato uma “declaração de intenções” ou um “prelúdio para uma intervenção”.
A reação do governo cubano foi imediata e contundente. O presidente Miguel Díaz-Canel classificou a ação como uma tentativa de “reforçar o bloqueio e agravar o conflito”, afirmando que a “agressão e a perversão do governo dos EUA” encontrarão a resistência do povo cubano. O chanceler Bruno Rodríguez, por sua vez, classificou a “vil inclusão” das autoridades na lista negra como o “mais recente exemplo do plano intervencionista” de Washington, que visa retratar a ilha como uma ameaça para justificar sua hostilidade.
O cerco econômico se insere num contexto de asfixia humanitária sem precedentes. As novas medidas somam-se ao bloqueio petrolífero imposto desde o início do ano, que já provocou apagões severos, desabastecimento de alimentos e o colapso de setores-chave da economia cubana. A situação tem gerado uma debandada de empresas estrangeiras, como as redes hoteleiras espanholas, que estão sendo pressionadas a abandonar a ilha sob ameaça de retaliações. Diante deste cenário, especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) acusaram os Estados Unidos de recorrerem a “práticas coloniais”, alertando que as medidas coercitivas unilaterais violam princípios fundamentais do direito internacional e afrontam a Carta da ONU.
A escalada unilateral de Trump encontra respaldo no Congresso americano, mas tem gerado forte condenação no cenário internacional. A Rússia e a China manifestaram “firme respaldo” a Cuba, condenando o “endurecimento do bloqueio” e oferecendo suporte humanitário para que a ilha “resista ao imperialismo”. Especialistas em direitos humanos da ONU foram além, afirmando que as ameaças de Trump de “tomar Cuba” representam um risco real à soberania e configuram um abuso de poder inaceitável.
Apesar do endurecimento do discurso e das sanções, ambas as nações afirmam manter canais diplomáticos abertos, com negociações discretas ocorrendo em segundo plano. No entanto, a retórica belicosa de Washington, aliada às medidas de asfixia econômica, aponta para um futuro incerto. O que se vê, por enquanto, é o agravamento de uma crise humanitária que afeta principalmente os mais vulneráveis, enquanto a comunidade internacional observa apreensiva o retorno de uma política externa norte-americana marcada pela coerção e pelo intervencionismo.
Em resumo, a mais nova investida dos EUA transcende o mero confronto político; ela revela uma tentativa de desestabilização completa do Estado cubano, utilizando a fome e a escassez como armas. Ao mirar não apenas os líderes, mas também suas famílias e instituições civis de base, Washington ignora apelos internacionais e aprofunda um abismo humanitário, cujo preço é pago pela população da ilha, sitiada pela maior potência mundial.
Com informações de G1, Folha de S.Paulo, Metrópoles, El País, Deutsche Welle (DW), Agência Brasil, The Mainichi, WION News, Publico.pt, Executive Digest, People's Daily, Brasil de Fato, Expresso das Ilhas ■