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A administração do presidente Donald Trump oficializou uma guinada histórica na política externa dos Estados Unidos com a publicação de sua nova Estratégia de Segurança Nacional (ESN). O documento, de 33 páginas, declara o hemisfério ocidental como a mais alta prioridade geopolítica do país e ressuscita a Doutrina Monroe, agora ampliada por um "Corolário Trump". A estratégia tem como alvo principal conter a expansão da China na América Latina e reafirmar o domínio norte-americano sobre a região, autorizando o uso de força militar e estabelecendo acordos comerciais coercitivos. Em resposta, a China anunciou um novo pacote estratégico de cooperação e crédito de US$ 9,3 bilhões para a região, acirrando a disputa por influência.
A Doutrina Monroe, princípio do século XIX que declarava as Américas como zona de influência exclusiva dos EUA, é explicitamente reafirmada no documento. Analistas e veículos da imprensa já se referem à política como "Doutrina Donroe", um portmanteau de Donald e Monroe. O "Corolário Trump" amplia a doutrina original ao declarar que os EUA "negarão a concorrentes não hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou outros recursos ameaçadores... em nosso hemisfério". Esta é uma referência direta, ainda que não nominal, à República Popular da China, cuja crescente presença econômica e infraestrutural na América Latina é tratada como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
A implementação da nova doutrina se apoia em três eixos principais, que combinam pressão militar, incentivos econômicos e isolamento de rivais:
Em uma resposta calculada, o governo chinês apresentou, em 10 de dezembro, o 3º Documento sobre a Política da China para a América Latina e o Caribe. O ministro assistente de Relações Exteriores, Cai Wei, enviou um recado direto: "a China não aceita coerção nem imposição de alinhamentos". O novo plano amplia a cooperação em 40 áreas e oferece uma linha de crédito de US$ 9,3 bilhões para projetos em infraestrutura, energia e tecnologia. A apresentação contou com representantes de 24 dos 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), incluindo o Brasil, demonstrando a disposição regional em diversificar parcerias e resistir a pressões unilaterais.
Para o Brasil, maior economia da América do Sul, a nova postura de Washington representa um desafio diplomático complexo, reminiscente dos tempos da Guerra Fria. O país, que participou ativamente da atualização da política chinesa, busca manter um equilíbrio estratégico. Analistas apontam que a região como um todo se vê forçada a um jogo de equilíbrio:
A estratégia de Trump também é marcada por um tom profundamente crítico em relação à Europa, que acusa de "declínio civilizacional" devido à imigração, e por uma abordagem conciliatória em relação à Rússia, buscando um fim negociado para a guerra na Ucrânia. Esta reorientação global, que prioriza o hemisfério e questiona alianças tradicionais, sinaliza uma era de maior instabilidade e competição por influência na América Latina.
Com informações de: DW, Politico, Brookings Institution, Vermelho, Esquerda Diário, Americas Quarterly ■