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Nova Doutrina Monroe de Trump declara Guerra Fria à China e exerce pressão sobre América Latina
Estratégia de Segurança Nacional de 2025 redefine hemisfério ocidental como prioridade máxima e estabelece "Corolário Trump", justificando intervenção e bloqueio à influência chinesa
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 13/12/2025

A administração do presidente Donald Trump oficializou uma guinada histórica na política externa dos Estados Unidos com a publicação de sua nova Estratégia de Segurança Nacional (ESN). O documento, de 33 páginas, declara o hemisfério ocidental como a mais alta prioridade geopolítica do país e ressuscita a Doutrina Monroe, agora ampliada por um "Corolário Trump". A estratégia tem como alvo principal conter a expansão da China na América Latina e reafirmar o domínio norte-americano sobre a região, autorizando o uso de força militar e estabelecendo acordos comerciais coercitivos. Em resposta, a China anunciou um novo pacote estratégico de cooperação e crédito de US$ 9,3 bilhões para a região, acirrando a disputa por influência.

A "Doutrina Donroe": Um Revival com Nova Roupagem

A Doutrina Monroe, princípio do século XIX que declarava as Américas como zona de influência exclusiva dos EUA, é explicitamente reafirmada no documento. Analistas e veículos da imprensa já se referem à política como "Doutrina Donroe", um portmanteau de Donald e Monroe. O "Corolário Trump" amplia a doutrina original ao declarar que os EUA "negarão a concorrentes não hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou outros recursos ameaçadores... em nosso hemisfério". Esta é uma referência direta, ainda que não nominal, à República Popular da China, cuja crescente presença econômica e infraestrutural na América Latina é tratada como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

Os Três Pilares da Estratégia Trumpista para o Hemisfério

A implementação da nova doutrina se apoia em três eixos principais, que combinam pressão militar, incentivos econômicos e isolamento de rivais:

  1. Expansão Militar e Intervenção: A estratégia prevê o aumento da presença da Marinha e da Guarda Costeira dos EUA para controlar rotas marítimas e justifica a condução de "operações direcionadas incluindo, quando necessário, o uso de força letal". As patrulhas e ações contra alegados navios narcotraficantes na costa da Venezuela, que já resultaram em dezenas de mortes, são um exemplo prático desta postura.
  2. Acordos Econômicos com Condições: Washington busca recompensar aliados regionais com acordos comerciais preferenciais que dão acesso privilegiado a empresas norte-americanas. O acordo-modelo com a Argentina, que incluiu empréstimos bilionários e a adoção de normas e padrões tecnológicos dos EUA, deve ser estendido a países como Equador, Guatemala e El Salvador. A contrapartida exige o alinhamento com Washington e a redução da cooperação com a China.
  3. Contenção da Influência Chinesa: O documento estratégico é claro ao afirmar que os termos da ajuda e das alianças dos EUA estarão condicionados ao "desmantelamento da influência adversária externa", desde o controle de portos e infraestrutura até a aquisição de ativos estratégicos. O objetivo é expulsar a China de posições de relevância na região.

Resposta Imediata da China: Cooperação e Crédito como Contrapeso

Em uma resposta calculada, o governo chinês apresentou, em 10 de dezembro, o 3º Documento sobre a Política da China para a América Latina e o Caribe. O ministro assistente de Relações Exteriores, Cai Wei, enviou um recado direto: "a China não aceita coerção nem imposição de alinhamentos". O novo plano amplia a cooperação em 40 áreas e oferece uma linha de crédito de US$ 9,3 bilhões para projetos em infraestrutura, energia e tecnologia. A apresentação contou com representantes de 24 dos 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), incluindo o Brasil, demonstrando a disposição regional em diversificar parcerias e resistir a pressões unilaterais.

Brasil e América Latina no Centro do Novo Jogo Geopolítico

Para o Brasil, maior economia da América do Sul, a nova postura de Washington representa um desafio diplomático complexo, reminiscente dos tempos da Guerra Fria. O país, que participou ativamente da atualização da política chinesa, busca manter um equilíbrio estratégico. Analistas apontam que a região como um todo se vê forçada a um jogo de equilíbrio:

  • De um lado, a pressão dos EUA por alinhamento incondicional, sob risco de sanções ou isolamento.
  • De outro, a oferta chinesa de cooperação e investimentos sem condicionamentos políticos explícitos, mas com expectativas de apoio diplomático.

A estratégia de Trump também é marcada por um tom profundamente crítico em relação à Europa, que acusa de "declínio civilizacional" devido à imigração, e por uma abordagem conciliatória em relação à Rússia, buscando um fim negociado para a guerra na Ucrânia. Esta reorientação global, que prioriza o hemisfério e questiona alianças tradicionais, sinaliza uma era de maior instabilidade e competição por influência na América Latina.

Com informações de: DW, Politico, Brookings Institution, Vermelho, Esquerda Diário, Americas Quarterly ■

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