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O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, apresentou nesta sexta-feira (27) um relatório final que pede a prisão preventiva e o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento, que ultrapassa 4.000 páginas, será votado ainda hoje pelo colegiado e acirrou os ânimos políticos a menos de seis meses das eleições, com a defesa do empresário classificando a medida como uma manobra de "caráter eleitoral".
O pedido de prisão preventiva está fundamentado na alegação de "risco de fuga". Segundo o relator, Lulinha deixou o Brasil em abril de 2025, período que coincidiu com a deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal, que investiga as fraudes. Gaspar argumenta que a saída do território nacional com destino à Espanha, onde o empresário reside atualmente, compromete a aplicação da lei penal. No entanto, a defesa rebate o argumento, afirmando que Lulinha retornou ao Brasil entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, após a data citada pelo relator, e que sua mudança para Madri teve motivos profissionais.
Além da prisão, o relatório recomenda o indiciamento de Lulinha por quatro crimes: organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e participação em corrupção passiva. O texto aponta uma relação direta entre o filho do presidente e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", considerado o líder do esquema criminoso que desviava recursos de aposentadorias e pensões.
De acordo com o parecer, há indícios de que Lulinha teria recebido vantagens indevidas. O relatório cita o depoimento de um ex-funcionário do "Careca", Edson Claro, que mencionou pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil em favor do empresário, além da antecipação de R$ 25 milhões para supostos projetos empresariais. A CPMI também menciona viagens e hospedagens custeadas por uma empresária ligada ao esquema, Roberta Luchsinger, considerada a ponte entre Lulinha e o lobista.
A reação do Palácio do Planalto e da defesa foi imediata e dura. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o relatório tem uso político explícito, visando manchar a imagem do presidente Lula em ano eleitoral. A avaliação é que o argumento do "risco de fuga" é frágil, especialmente considerando que o filho do presidente já retornou ao Brasil após a data apontada e mantém residência fixa na Europa por motivos de trabalho.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, classificou o pedido como uma "palhaçada" e afirmou que a recomendação de indiciamento "vulgariza a nobre função de fiscalizar delegada de forma atípica pela Constituição Federal ao Parlamento brasileiro". Em nota, ele acrescentou que a decisão é fruto de "desespero, pirotecnia, diversionismo e malabarismo" e que não há "um único elemento nos autos" que justifique a medida, reiterando que o empresário não tem relação com os fatos investigados.
O contexto político do relator também foi destacado pelas reportagens. Alfredo Gaspar deixou o União Brasil recentemente e se filiou ao Partido Liberal (PL) na última quarta-feira (25), a convite do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), pré-candidato à Presidência e principal adversário de Lula. Integrantes do governo enxergam no movimento uma tentativa de Gaspar crescer politicamente junto ao eleitorado bolsonarista, visando uma vaga ao Senado em outubro.
Além de Lulinha, o relatório pede o indiciamento de outras 217 pessoas, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o próprio "Careca do INSS". A CPMI também recomenda o aprofundamento das investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A votação do relatório está prevista para ocorrer ainda nesta sexta-feira, sendo este o último dia de funcionamento da comissão, após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter negado a prorrogação dos trabalhos.
O histórico de investigações envolvendo Lulinha é longo. Conforme levantado pela reportagem, ele já foi alvo de apurações na CPMI dos Correios em 2005 e na Operação Lava Jato, mas os inquéritos anteriores foram arquivados sem que fossem comprovadas irregularidades.
Com informações de UOL, Valor Econômico, R7, Correio Braziliense, O Globo, BBC News Brasil ■