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Ex-príncipe Andrew é solto após prisão em meio a investigações do caso Epstein
Andrew Mountbatten-Windsor, 66, foi liberado sob investigação após passar várias horas detido; polícia conclui buscas em Norfolk e continua operação em Berkshire
Europa
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■   Bernardo Cahue, 19/02/2026

A Thames Valley Police confirmou na noite desta quinta-feira (19) a libertação de Andrew Mountbatten-Windsor, anteriormente conhecido como príncipe Andrew, que havia sido preso pela manhã em sua residência no Sandringham Estate, em Norfolk. De acordo com o comunicado oficial, "o homem preso foi agora liberado sob investigação" (released under investigation), um status jurídico que significa que o inquérito prossegue e que acusações formais podem ser apresentadas posteriormente. A detenção, que ocorreu no dia em que o ex-príncipe completou 66 anos , foi confirmada publicamente pelo irmão, o Rei Charles III, em uma declaração pessoal e incomum.

A decisão de libertar Andrew após o período de interrogatório é uma prática padrão no sistema jurídico britânico, onde suspeitos são frequentemente liberados enquanto as investigações continuam. Apesar da soltura, a situação legal do ex-príncipe permanece grave. A polícia informou que as buscas em uma propriedade em Norfolk foram concluídas, mas as diligências em um endereço em Berkshire, que inclui a Royal Lodge, sua antiga residência, ainda estão em andamento. As autoridades não revelaram detalhes específicos sobre o que ainda procuram, mas a operação sugere a coleta de mais provas relacionadas às acusações.

O foco central da investigação criminal, conforme detalhado nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA em 30 de janeiro, é a suspeita de que Andrew tenha cometido o crime de "má conduta em cargo público" (misconduct in public office). As principais evidências sob análise incluem:

  1. Compartilhamento de relatórios oficiais: E-mails sugerem que Andrew encaminhou a Jeffrey Epstein relatórios confidenciais sobre suas visitas oficiais como enviado comercial a países como Vietnã, Cingapura e Hong Kong em 2010. Em um caso, um relatório foi supostamente reenviado a Epstein apenas cinco minutos após ter sido recebido de seu assistente.
  2. Informações sobre segurança nacional: Outra mensagem, datada da véspera de Natal de 2010, indica que o ex-príncipe teria enviado a Epstein um documento confidencial sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão, uma área de conflito com presença militar britânica.
  3. Comunicação contínua: Os arquivos contradizem declarações anteriores de Andrew de que havia rompido laços com Epstein, mostrando uma correspondência ativa anos após a primeira condenação do financista.

A detenção de Andrew, mesmo resultando em soltura provisória, é um marco histórico e sem precedentes para a monarquia britânica. Especialistas apontam que a última vez que um membro sênior da realeza foi preso foi no século XVII, com o Rei Carlos I. A Crown Prosecution Service (CPS) emitiu uma nota afirmando que está "em contato próximo com a Polícia Metropolitana e a Polícia de Thames Valley em relação a indivíduos de alto perfil" e pronta para apoiar as investigações. A declaração do Primeiro-Ministro Keir Starmer, horas antes da prisão, de que "ninguém está acima da lei" e que o princípio se aplica "neste caso da mesma forma que em qualquer outro", ecoa a postura das autoridades.

O contexto do escândalo vai além de Andrew, atingindo outras figuras da elite britânica citadas nos arquivos de Epstein. A lista de investigações em andamento inclui:

  • Peter Mandelson, ex-ministro e embaixador britânico nos EUA, que é alvo de uma investigação separada da Polícia Metropolitana de Londres por suspeita de má conduta em cargo público, também por compartilhar documentos sigilosos com Epstein.
  • Sarah Ferguson, ex-mulher de Andrew, cuja correspondência pessoal extensa com Epstein, mesmo após a condenação dele em 2008, veio à tona, gerando críticas.
  • Diversas forças policiais regionais, como as de Surrey, West Midlands e Essex, estão investigando alegações específicas que vão desde abuso sexual infantil em residências particulares até o uso de aeroportos britânicos pelos jatos particulares de Epstein.

A família de Virginia Giuffre, uma das vítimas de Epstein que acusou Andrew de agressão sexual quando ela era menor de idade, celebrou a ação policial. Em comunicado, os irmãos de Virginia afirmaram: "Finalmente, hoje, nossos corações partidos foram elevados com a notícia de que ninguém está acima da lei, nem mesmo a realeza". Andrew sempre negou todas as acusações de má conduta sexual e, em 2022, fez um acordo extrajudicial com Giuffre sem admitir culpa. A sua soltura, portanto, não encerra o caso, mas marca o início de uma fase processual que pode durar meses e cujo desfecho, com possibilidade de julgamento e pena de prisão perpétua para o crime de má conduta em cargo público, permanece em aberto.

Com informações de NYTimes, Reuters, BBC, Manchester Evening News, India Today ■

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