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O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira (27) que os Estados Unidos estão sendo “humilhados” pelo Irã na guerra em curso no Oriente Médio. A declaração foi feita durante uma visita a uma escola em Marsberg, no centro do país, e representa uma das críticas mais duras feitas por um aliado europeu à condução do conflito por Washington.
“Os iranianos são claramente mais fortes do que se esperava, e os americanos claramente não têm uma estratégia verdadeiramente convincente nas negociações”, declarou Merz. “O problema com conflitos como este é sempre o seguinte: não basta entrar, é preciso também sair. Vimos isso de forma muito dolorosa no Afeganistão por 20 anos. Vimos isso no Iraque”, acrescentou, conforme reportagem do G1 e da Deutsche Welle.
Merz foi além ao afirmar que “uma nação inteira está sendo humilhada pela liderança iraniana, em particular pela chamada Guarda Revolucionária”. A declaração ocorre em meio ao agravamento do conflito, que completa dois meses desde os primeiros ataques coordenados entre EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
O chanceler alemão também criticou diretamente a condução das negociações de paz, apontando que “os iranianos são obviamente muito habilidosos em negociar, ou melhor, muito habilidosos em não negociar, permitindo que os americanos viajem para Islamabad e depois partam sem qualquer resultado”. A fala faz referência ao cancelamento, no último sábado (25), da viagem de enviados americanos ao Paquistão, mediador do diálogo entre as partes. Segundo fontes citadas pela CNN Brasil, o chanceler iraniano Abbas Araqchi chegou a entregar no Paquistão uma lista com pontos inegociáveis de Teerã, que incluem “questões nucleares e o Estreito de Ormuz”, mas as conversas não avançaram.
Merz destacou que o conflito já provoca forte efeito econômico negativo na Alemanha. “No momento, é uma situação bastante complicada. Isso está nos custando muito dinheiro. Esse conflito, essa guerra contra o Irã, tem impacto direto sobre a nossa produção econômica”, afirmou. Dados recentes mostram que o governo alemão cortou pela metade a previsão de crescimento do PIB para 2026, de 1% para 0,5%, devido aos impactos da guerra.
Apesar das críticas, o chanceler reafirmou a disposição da Alemanha em enviar navios varredores de minas para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, mas condicionou a medida ao fim das hostilidades. “Oferecemos o envio de navios caça-minas da Alemanha para ajudar a desminar a passagem, já que ela foi claramente, pelo menos parcialmente, minada. Podemos ajudar nisso, mas primeiro os combates precisam acabar”.
As declarações de Merz provocaram reações em diversos países. Na Rússia, o presidente Vladimir Putin elogiou o Irã como “heróico” por resistir à campanha militar americana e israelense. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, classificou as declarações de Merz como manifestação de “nazismo e racismo”. A China, por sua vez, condenou os ataques na época de seu início, enquanto o governo brasileiro também se manifestou contra a ofensiva dos EUA.
Enquanto isso, mais de 40 países lançaram uma coalizão liderada por Reino Unido e França para garantir a livre passagem pelo Estreito de Ormuz assim que a guerra terminar. A Alemanha integra esse grupo, mas Merz tem sido enfático ao afirmar que Berlim não participa do conflito e que os europeus não foram consultados antes do início dos ataques.
Questionado sobre a possibilidade de um desfecho rápido, Merz demonstrou ceticismo. “No momento, não vejo qual saída estratégica os americanos vão escolher, sobretudo porque os iranianos estão claramente negociando de forma muito habilidosa – ou muito habilidosamente não negociando”. Ele concluiu que a Alemanha deve assumir um papel de liderança na União Europeia, pois o bloco “tem 100 milhões de habitantes a mais do que os Estados Unidos. Se nos uníssemos de forma mais eficaz e fizéssemos mais coisas juntos, poderíamos ser pelo menos tão fortes quanto os Estados Unidos”.
Com informações de G1, CNN Brasil, O Globo, Deutsche Welle, Reuters, The Hill, Agência Anadolu, Poder360, BBC News, Euronews, R7, Azernews, Valor Econômico, Observador, Carta Capital, UOL, Veja, InfoMoney, Terra, Folha de S.Paulo, Al Jazeera, The Guardian, Independent, The Wall Street Journal, Financial Times, France 24, The Jerusalem Post, WION, Chosun Ilbo, Internazionale, Telegraph India, US News, BDNews24, e outras agências internacionais■