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Suprema Corte da Itália anula extradição e ex-deputada Carla Zambelli é solta em Roma
Em reviravolta histórica, Corte de Cassação acolhe recurso da defesa e determina liberdade imediata da brasileira; processo ainda depende de parecer do Ministro da Justiça italiano
Europa
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■   Bernardo Cahue, 23/05/2026

A Justiça da Itália anulou nesta sexta-feira o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), presa no país desde julho de 2025. A decisão, proferida pela Suprema Corte de Cassação — a mais alta instância do Judiciário italiano —, determinou a soltura imediata da brasileira, que deixou o presídio de Rebibbia, nos arredores de Roma, na noite de hoje.

Em um primeiro pronunciamento em liberdade, a ex-deputada classificou a vitória como “impossível” e dedicou o resultado a Deus. “Essa vitória foi de Deus. Ele deu força aos nossos advogados e agora estamos livres, graças a Deus, para continuar uma vida de missão”, disse Zambelli, ao lado do marido, Coronel Aginaldo, e do advogado italiano Pieremilio Sammarco.

O julgamento que mudou o destino

O recurso foi analisado na manhã de hoje por uma turma de seis juízes da Corte de Cassação, em audiência a portas fechadas que durou cerca de uma hora. A defesa, liderada pelos advogados Pieremilio Sammarco e Alessandro Sammarco na Itália, e Fabio Pagnozzi no Brasil, conseguiu reverter a decisão de março de 2026, quando a Corte de Apelação de Roma havia autorizado o envio de Zambelli ao Brasil.

Segundo informações da defesa, os argumentos que levaram à anulação da extradição incluem:

  • Vícios processuais no julgamento realizado pelo STF;
  • Condições degradantes no sistema prisional brasileiro, especialmente no presídio da Colmeia, para onde a ex-deputada seria encaminhada;
  • Desproporcionalidade das penas aplicadas;
  • Fragilidade das provas que embasaram as condenações.

O que está em jogo

O pedido de extradição anulado hoje se refere à condenação de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2025. Na ocasião, a Primeira Turma da Corte, por unanimidade, seguiu o voto do relator ministro Alexandre de Moraes e condenou Zambelli pelos crimes de invasão de dispositivo informático e associação criminosa. A investigação apontou que a ex-deputada teria contratado o hacker Walter Delgatti para inserir um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Alexandre de Moraes no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Delgatti foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão.

O caso segue em andamento na Itália, uma vez que a decisão da Suprema Corte não é o fim da tramitação. O processo ainda será enviado ao Ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem 45 dias para dar um parecer final. Somente após esse parecer, que pode ser favorável ou contrário à extradição, o caso será definitivamente encerrado na esfera administrativa italiana.

Um segundo processo pendente

A Justiça italiana ainda analisa um segundo pedido de extradição, referente à condenação de Zambelli por porte ilegal de arma. Em outubro de 2022, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, a então deputada sacou um revólver e perseguiu um homem em uma rua da zona oeste de São Paulo. Nesse processo, ela foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto.

A Corte de Apelação italiana já se manifestou favoravelmente à extradição também nesse caso, mas o julgamento do recurso pela Corte de Cassação ainda não foi agendado. Enquanto isso, Zambelli permanecerá em liberdade na Itália, país do qual possui cidadania e onde pretende residir.

Reações e desdobramentos

Nas redes sociais e em entrevistas, a defesa da ex-deputada classificou a decisão como um “reconhecimento da perseguição política” sofrida por Zambelli no Brasil. “A Suprema Corte entendeu que as condenações foram desproporcionais e lastreadas em provas muito fracas”, declarou o advogado Fabio Pagnozzi.

O deputado estadual Bruno Zambelli (PL), irmão da ex-deputada, afirmou que a família considerou a decisão um “milagre” e que pretende viajar à Itália para visitá-la. Segundo ele, Zambelli não pretende retornar ao Brasil no curto prazo “por saber que se vier ao Brasil pode ser presa”. A ex-deputada, por sua vez, afirmou que seguirá “uma vida de missão” na Europa, sem detalhar quais seriam seus próximos passos.

Procurado, o Itamaraty ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão da Justiça italiana.

Linha do tempo do caso

  • Maio de 2025: STF condena Carla Zambelli a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do CNJ.
  • Maio de 2025: Zambelli foge para os Estados Unidos e depois para a Itália, sendo considerada foragida.
  • Junho de 2025: Governo brasileiro formaliza pedido de extradição à Itália.
  • 29 de julho de 2025: Zambelli é presa em Roma, após ter nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
  • 26 de março de 2026: Corte de Apelação de Roma autoriza extradição no caso do CNJ.
  • 16 de abril de 2026: Corte de Apelação de Roma autoriza extradição no caso do porte de arma.
  • 22 de maio de 2026: Suprema Corte de Cassação anula extradição no caso do CNJ e determina soltura de Zambelli.

O que esperar

Embora a decisão de hoje represente uma importante vitória para a defesa, o desfecho final do caso ainda depende do parecer do Ministro da Justiça italiano e do julgamento do segundo pedido de extradição. Por enquanto, a ex-deputada respira aliviada em solo italiano, enquanto o governo brasileiro avalia os próximos passos.

Com informações de G1, BBC News Brasil, Estadão, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, UOL, Rede 98FM e Agência Brasil ■

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