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Alta do dólar frente ao real reflete ajuste nas expectativas sobre juros nos EUA
Moeda americana valorizou-se nesta terça-feira fechando na casa dos R$ 5,50, influenciada por dados inflacionários resilientes e dinâmicas globais
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 20/08/2025

O dólar à vista registrou alta frente ao real nesta terça-feira (14/08), seguindo tendência de fortalecimento global da moeda americana. O movimento ocorreu após a divulgação de dados de inflação mais fortes que o esperado nos Estados Unidos, que levaram o mercado a revisar para baixo as expectativas de cortes agressivos na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed).

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,37%, atingindo 98,205 pontos. Esse movimento reflete uma correção das expectativas excessivamente otimistas em relação ao ciclo de afrouxamento monetário que havia ganhado força no início da semana.

Os principais fatores por trás dessa movimentação cambial incluem:

  • Dados inflacionários resilientes: O índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA para julho veio mais quente que o anticipado, sugerindo que pressões inflacionárias persistem na economia americana.
  • Revisão das expectativas de política monetária: Apostas iniciais de que o Fed poderia iniciar o ciclo de cortes com redução de 0,50 ponto percentual foram substancialmente reduzidas.
  • Fortalecimento broad-based do dólar: A moeda americana valorizou-se significativamente contra várias moedas de mercados emergentes e desenvolvidos, refletindo um aumento na aversão ao risco global.
  • Acordo comercial EUA-União Europeia: O anúncio de um acordo entre as potências econômicas, que inclui compromissos de investimento e redução tarifária, fortaleceu a posição relativa do dólar no cenário global.

Especialistas destacam que, apesar do movimento de alta recente, a trajetória de mais longo prazo ainda pode ser de enfraquecimento do dólar. Economistas consultados pelos veículos citados projetam que o DXY pode cair para 95 pontos até dezembro, impulsionado por desaceleração econômica nos EUA e perda de pujança do mercado de trabalho.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tem funcionado como um amortecedor para o real, explicando por que a moeda brasileira foi menos impactada que outras divisas emergentes. Enquanto a Selic se mantém em patamares elevados, o Fed sinaliza cautela no processo de flexibilização monetária.

No exterior, o dólar registrou ganhos expressivos contra várias moedas: 0,68% ante o peso colombiano, 1,06% contra o peso mexicano e 1,34% frente ao peso chileno. Esse movimento generalizado reflete um aumento na aversão ao risco global e a revisão das expectativas sobre a política monetária americana.

Analistas do banco ING destacaram em nota que, apesar do fortalecimento recente, "a tendência permanece inequivocamente negativa para o dólar" no médio prazo, especialmente considerando os comentários do Secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que alimentaram expectativas de um banco central mais favorável ao afrouxamento monetário.

Com informações de: Valor Econômico, Einvestidor.Estadao, Agência Brasil, UOL Economia, Folha de S.Paulo, XPI Economia

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