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Argentina e Estados Unidos firmam parceria estratégica em minerais essenciais
Acordo busca reduzir a dependência ocidental da China e projetar a Argentina como potência mineral, com projeção de elevar as exportações do setor para mais de US$ 20 bilhões
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 05/02/2026

Em um movimento estratégico para reconfigurar as cadeias globais de suprimentos, a Argentina e os Estados Unidos assinaram, nesta quarta-feira (4), um acordo bilateral sobre minerais críticos. O instrumento, intitulado “Marco para o Fortalecimento do fornecimento em Mineração e Processamento de Minerais Críticos”, foi firmado durante uma reunião ministerial em Washington convocada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que contou com a presença de mais de 50 países.

O governo argentino projeta que a iniciativa será um motor para o crescimento econômico do país, consolidando a mineração como um dos pilares de sua transformação produtiva, ao lado da energia e da agroindústria. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores argentino afirmou que o acordo visa criar cadeias de valor “mais sólidas e diversificadas” e gerar um ambiente favorável para atrair investimentos produtivos de longo prazo.

Detalhes e Objetivos do Acordo

O acordo entre Buenos Aires e Washington é um instrumento-quadro que estabelece as bases para uma cooperação estratégica. Seus principais objetivos, conforme divulgado, são:

  • Desenvolver um fornecimento seguro, resiliente e competitivo de minerais críticos.
  • Consolidar cadeias de valor globais mais fortes e diversificadas.
  • Gerar um ambiente de negócios estável para atrair investimentos de longo prazo.
  • Responder ao crescimento da demanda global por esses insumos, impulsionada por tecnologias avançadas e a transição energética.

Contexto Geopolítico: A Disputa com a China

A assinatura deste acordo não é um fato isolado, mas parte de uma ofensiva diplomática e comercial mais ampla dos Estados Unidos. No mesmo dia, o governo de Donald Trump anunciou alianças semelhantes sobre minerais críticos e terras raras com o México, a União Europeia e o Japão. O pano de fundo é a posição dominante da China, que controla a maior parte da produção e do processamento mundial desses recursos essenciais.

“A Argentina não tem apenas capacidade em termos de recursos naturais (…) não apenas para os Estados Unidos, mas para o mundo”, declarou o secretário de Estado Marco Rubio, em coletiva de imprensa. Ele ainda ressaltou que o país “também possui conhecimentos em processamento, o que será igualmente de importância crítica”. A Argentina, que mantém fortes laços econômicos com a China, navega agora em um complexo equilíbrio diplomático, enquanto o presidente Javier Milei aprofunda sua aliança geopolítica com Washington.

Potencial e Projeções para a Argentina

A Argentina entra nesta parceria com um potencial mineral substancial. O país é o quarto maior produtor mundial de lítio – mineral crucial para baterias de veículos elétricos – atrás apenas de Austrália, Chile e China, e detém a terceira maior reserva global. Atualmente, possui cerca de 50 projetos de lítio em diferentes estágios.

As ambições do governo são altas. A projeção é que o país aumente suas exportações totais em US$ 100 bilhões nos próximos sete anos, com a mineração representando uma fatia crescente que pode superar os US$ 20 bilhões e alcançar US$ 30 bilhões até o final da próxima década. Em 2025, as exportações do setor mineral argentino já haviam atingido a marca de US$ 6,04 bilhões. O ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, resumiu a expectativa nas redes sociais: o acordo gerará "mais exportações, mais investimentos e mais empregos".

Outras Alianças dos EUA no Setor

Paralelamente ao acordo com a Argentina, os Estados Unidos avançaram em outras frentes para garantir o suprimento de minerais críticos:

  • México: Os dois países promulgaram um Plano de Ação para desenvolver políticas comerciais coordenadas e mitigar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos da América do Norte.
  • União Europeia: EUA e UE pretendem concluir um memorando de entendimento bilateral em até 30 dias, com foco em aumentar a segurança das cadeias, mapear projetos e reduzir riscos de interrupção.
  • Japão: A cooperação com o Japão, que já possui um arcabouço próprio com os EUA, será intensificada no âmbito de uma coordenação trilateral com a Europa.

Essa rede de alianças revela a prioridade máxima que a administração Trump concede à redução da dependência estratégica de rivais geopolíticos, notadamente a China, em setores considerados vitais para a segurança nacional e a economia do futuro.

Com informações de: Estadão, Mining.com, UOL Economia, UOL Notícias (AFP), US News & World Report (Reuters), Diário de Notícias (Portugal) ■

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