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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (17) que os Estados Unidos “proibiram” Israel de realizar novos bombardeios contra o Líbano, utilizando um tom mais severo do que o habitual em relação ao seu aliado histórico. A declaração foi feita em publicação na plataforma Truth Social, poucas horas após o início de um cessar-fogo de dez dias mediado por Washington entre Israel e o Líbano. “Israel não bombardeará mais o Líbano. Os Estados Unidos o PROIBIRAM de fazer isso. JÁ BASTA!!!”, escreveu Trump, em mensagem que rapidamente repercutiu nos principais veículos de imprensa globais. A informação é da Agence France-Presse (AFP), publicada pelo portal UOL , e também foi divulgada pela Reuters, com reprodução do Terra .
Em sua postagem, Trump também tratou da relação com o Irã, afirmando que os Estados Unidos ficarão com “toda a poeira nuclear” gerada por bombardeios norte-americanos contra instalações atômicas iranianas, descartando qualquer troca financeira no acordo. “Os EUA receberão toda a ‘poeira’ nuclear criada por nossos grandes bombardeiros B2 – nenhum dinheiro será trocado de forma alguma”, escreveu o presidente, segundo a AFP reproduzida pelo The Hindu . Ele ainda ressaltou que o entendimento com o Irã “não está de forma alguma sujeito ao Líbano”, mas que Washington trabalhará separadamente com Beirute para lidar com a situação do Hezbollah “de maneira apropriada” .
A fala de Trump ocorreu um dia após ele anunciar, na quinta-feira (16), que Israel e Líbano haviam concordado com um cessar-fogo de dez dias, iniciado oficialmente à meia-noite de sexta-feira no horário local (18h de quinta em Brasília). Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o período de trégua é um “gesto de boa vontade do governo de Israel” destinado a viabilizar negociações de boa-fé para um acordo permanente de segurança e paz entre os dois países, podendo ser prorrogado por mútuo acordo . O presidente norte-americano também convidou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, para um encontro na Casa Branca – o que representaria a primeira reunião direta entre líderes dos dois países em décadas, de acordo com a euronews .
Termos do cessar-fogo
De acordo com comunicado do Departamento de Estado dos EUA, os seis principais pontos do entendimento são:
As informações são da CNN Brasil, que detalhou os seis pontos do cessar-fogo com base no comunicado do Departamento de Estado , e da BBC News Brasil, que destacou os principais compromissos assumidos .
Reações e desdobramentos
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou o acordo em pronunciamento em vídeo, classificando-o como “uma oportunidade para firmar um acordo de paz histórico”. Ele afirmou que Israel aceitou a trégua temporária a pedido de Trump, mas ressaltou que a tarefa de “desmantelar o Hezbollah” não foi concluída. “Em uma mão, seguramos uma arma; a outra estende-se em sinal de paz”, declarou Netanyahu, segundo o Terra . O primeiro-ministro também disse que as tropas israelenses permanecerão no sul do Líbano, estabelecendo uma “zona de segurança” que se estenderia por até dez quilômetros dentro do território libanês, conforme reportou a euronews .
O presidente libanês, Joseph Aoun, agradeceu a Trump pelos esforços para garantir “paz e estabilidade duradouras”, segundo a Folha de S.Paulo . Já o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã, afirmou que respeitará o cessar-fogo enquanto as forças israelenses não realizarem novos ataques, mas deixou claro que se opõe a conversas diretas com o governo de Netanyahu, conforme reportou a CNN Brasil . Em publicação posterior na Truth Social, Trump pediu que o Hezbollah “se comporte bem e de forma adequada durante este importante período”, segundo a BBC News Brasil .
Violations and tensions on the ground
Apesar do anúncio da trégua, o primeiro dia completo de cessar-fogo foi marcado por denúncias de violações. O Exército do Líbano acusou Israel de realizar “atos de agressão” e bombardeios em vilarejos do sul do país, inclusive com disparos de artilharia contra a localidade de Kounine, de acordo com a Folha de S.Paulo e o Ynetnews . Horas antes da entrada em vigor do cessar-fogo, ao menos 13 pessoas morreram em ataques aéreos israelenses na cidade de Tiro, no sul do Líbano, que atingiram seis edifícios residenciais, segundo informações da AFP reproduzidas pelo Estadão .
Já na tarde de sexta-feira (17), um ataque de drone israelense matou uma pessoa no sul do Líbano, no primeiro dia completo de trégua, conforme reportaram paramédicos e o diretor de um hospital local à Reuters . A informação foi divulgada minutos depois da declaração de Trump de que os EUA haviam proibido Israel de realizar novos bombardeios no país. O Hezbollah, por sua vez, afirmou manter “alerta máximo” diante da possibilidade de novas violações israelenses, segundo a AFP .
Contexto do conflito e números da guerra
A escalada atual teve início em 2 de março de 2026, quando Israel lançou uma ofensiva contra o Hezbollah no Líbano em resposta a ataques do grupo xiita, alinhado ao Irã. Desde então, mais de 2.100 pessoas foram mortas e 7.000 ficaram feridas em território libanês, de acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, além de mais de 1 milhão de deslocados, conforme a agência estatal turca Anadolu . A ofensiva israelense incluiu intensos bombardeios aéreos e uma incursão terrestre no sul do Líbano, com o objetivo declarado de criar uma “zona-tampão” e enfraquecer o Hezbollah, como explicou o G1 .
O conflito no Líbano ocorre em paralelo à guerra entre Israel e Irã, que envolveu ataques diretos e bloqueios navais no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, anunciou nesta sexta-feira que o Estreito de Ormuz está “completamente aberto” para navios comerciais durante o período remanescente do cessar-fogo, o que foi recebido com agradecimentos por Trump, segundo o The Hindu .
Negociações EUA-Irã e desdobramentos nucleares
As declarações de Trump também tocaram em negociações paralelas entre Estados Unidos e Irã. O presidente negou qualquer envolvimento financeiro em um possível acordo nuclear, após reportagem do Axios mencionar a possibilidade de os EUA liberarem US$ 20 bilhões em ativos iranianos congelados em troca de estoques de urânio enriquecido. “Não haverá troca de dinheiro de nenhuma forma”, afirmou Trump em sua publicação na Truth Social . A agência de notícias chinesa Xinhua também reportou que, segundo fontes americanas, um dos temas em discussão seria a liberação de US$ 20 bilhões em ativos iranianos para que o país abrisse mão de seu estoque de urânio enriquecido .
A declaração de Trump de que os EUA “proibiram” Israel de bombardear o Líbano repercutiu com destaque nos principais veículos internacionais. O The Guardian, citado pelo Gazeta Express, observou que a fala do presidente ocorreu apenas meia hora depois de ele ter afirmado que o bloqueio naval dos EUA ao Irã continuava em vigor . O Al-Monitor e a Reuters destacaram o “tom atipicamente mais duro” de Trump em relação a Israel, um aliado histórico . O The Jerusalem Post ressaltou que o acordo de cessar-fogo prevê que Israel não atacará alvos libaneses a menos que seja em legítima defesa . O portal chinês 163.com e o HK01 de Hong Kong também repercutiram amplamente a declaração, destacando a ênfase de Trump em “basta!” . O G1, o UOL e a CNN Brasil foram os principais veículos brasileiros a dar destaque à notícia .
Apesar da trégua e da declaração enfática de Trump, a situação no terreno permanece volátil. As tropas israelenses continuam posicionadas no sul do Líbano, e as denúncias de violações do cessar-fogo já no primeiro dia colocam em xeque a efetividade do acordo. A comunidade internacional acompanha com atenção os próximos passos, especialmente a possível reunião entre Netanyahu e Aoun na Casa Branca, que pode representar um avanço histórico nas relações entre Israel e Líbano após mais de quatro décadas de hostilidade.
Com informações de G1, UOL, Terra, CNN Brasil, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, Estadão, Agência Brasil, euronews, Reuters, AFP, Associated Press, The Guardian, The Hindu, Ynetnews, The Jerusalem Post, Al-Monitor, Anadolu Ajans?, Xinhua, 163.com, HK01, Mediaite, Deccan Herald, Khaleej Times, LBC Group, The Quint, Telegraph India, Bernama, Internazionale, US Department of State, Gazeta Express ■