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O Kremlin reiterou nesta quinta-feira (2) seu apelo por um diálogo imediato entre as partes envolvidas no conflito do Oriente Médio e afirmou estar pronto para apoiar um caminho pacífico para a crise. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou a jornalistas que o presidente Vladimir Putin continua em contato com líderes regionais e que a Rússia está preparada para contribuir para que a situação militar "transite para um curso pacífico o mais rápido possível".
"O presidente está mantendo esses contatos e, se nossos serviços forem de alguma forma necessários, estamos, é claro, prontos para contribuir para garantir que a situação militar transite para um curso pacífico", afirmou Peskov, ao responder a uma pergunta sobre o discurso do presidente americano Donald Trump a respeito da guerra com o Irã.
As declarações ocorrem em um momento de escalada sem precedentes na região, após os Estados Unidos e Israel terem lançado uma ofensiva conjunta contra o Irã em 28 de fevereiro. O conflito já deixou mais de 1.340 mortos, incluindo o então líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, além de mais de 150 crianças em idade escolar. Em retaliação, o Irã lançou ataques com drones e mísseis contra Israel, Jordânia, Iraque e países do Golfo que abrigam ativos militares americanos, causando danos significativos à infraestrutura e interrompindo os mercados globais e a aviação.
Diplomacia como único caminho
O Kremlin tem sido enfático ao defender que apenas a via diplomática pode trazer uma solução duradoura para a crise. No dia 23 de março, Peskov já havia afirmado que retomar as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã é "a única maneira de efetivamente aliviar a situação catastroficamente tensa na região", acrescentando que as conversas para encerrar o conflito deveriam ter começado "ontem".
O porta-voz do Kremlin também alertou contra ataques a instalações nucleares iranianas, classificando tais ações como "potencialmente extremamente perigosas". A usina nuclear de Bushehr, no Irã, foi atingida por um projétil na semana passada, marcando o primeiro incidente desse tipo desde o início do conflito.
Contatos diplomáticos intensos
A Rússia tem mantido uma agenda diplomática intensa, com contatos "quase diários" com todas as partes envolvidas, conforme revelou o embaixador-geral da Rússia, Vladimir Safronkov, em entrevista à agência de notícias estatal russa RIA no dia 30 de março. Moscou não apenas confirma sua prontidão para cumprir uma missão de mediação, mas já está tomando as medidas necessárias, afirmou Safronkov.
Entre os contatos recentes de alto nível, destacam-se:
Condenação da agressão e defesa dos interesses iranianos
Em diversas declarações oficiais, a Rússia tem atribuído a responsabilidade pela escalada à "agressão não provocada dos Estados Unidos e Israel contra o Irã". O ministro Lavrov tem enfatizado que a Rússia compartilha suas avaliações da situação no Oriente Médio com o Irã e os membros do Conselho de Cooperação do Golfo, e está convencida de que "o caminho das negociações, da unidade e do equilíbrio de interesses serve aos interesses de toda a região".
O chanceler russo também destacou que o Irã precisa de garantias de segurança, e que a Rússia está pronta para servir como mediadora se os esforços forem genuinamente direcionados para a resolução da crise.
A questão palestina e a solução de dois Estados
Paralelamente aos esforços de mediação no conflito entre EUA/Israel e Irã, a Rússia tem reiterado a importância de não esquecer a crise palestina. Lavrov criticou duramente a comunidade internacional por "convenientemente esquecer" a Palestina em meio à escalada, afirmando que o problema palestino está em "profunda crise".
"Estamos convencidos de que, sem um Estado palestino, não haverá paz ou estabilidade no Oriente Médio", declarou Lavrov em entrevista à emissora Al Arabia em fevereiro. A Rússia defende a criação de um Estado palestino que viva lado a lado com Israel em paz e segurança como "o caminho mais confiável" para resolver o conflito.
Nesse contexto, Putin recebeu um convite do presidente Trump para se juntar ao "Board of Peace" (Conselho da Paz), uma iniciativa americana destinada a supervisionar a governança e a reconstrução de Gaza no período pós-guerra. A Rússia, como "amiga do povo palestino", está analisando a proposta, segundo o Kremlin.
Desafios e perspectivas
Apesar dos intensos esforços diplomáticos, as perspectivas de uma solução rápida permanecem incertas. Dmitry Peskov reconheceu que, no momento, realizar uma cúpula Rússia-mundo árabe é "improvável de ser realista no futuro próximo", embora tenha considerado que tal encontro poderia ser uma boa plataforma para reduzir as tensões no Oriente Médio.
Enquanto isso, os confrontos militares continuam. O presidente Trump prometeu intensificar os ataques ao Irã, ameaçando bombardear usinas de energia iranianas — um ato que especialistas consideram crime de guerra. O barril de petróleo voltou a superar a marca de US$ 105, refletindo a instabilidade na região e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou como "irrealista" uma operação militar para reabrir o estreito de Ormuz, posição compartilhada pela Rússia, que defende exclusivamente a via diplomática para a resolução da crise.
Enquanto a comunidade internacional observa com apreensão, a Rússia consolida seu papel como ator diplomático central na região, equilibrando suas relações com Irã, países do Golfo, Israel e os Estados Unidos, em uma tentativa de construir uma arquitetura de segurança coletiva para o Oriente Médio.
Com informações de CBN Globo, Sapo, Anadolu Agency, Xinhua, The Hindu, Bernama, The Moscow Times, Arab News, LaPresse, Interaffairs, ANI, Agencia Nova, Izvestia, Gulf Times, Boston Globe ■