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Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, explosões sacudiram Caracas e regiões costeiras, marcando o início da Operação "Resolução Absoluta" (Operation Absolute Resolve) . A ação militar dos Estados Unidos, autorizada pelo presidente Donald Trump, tinha como alvos primários instalações militares e de comunicações venezuelanas, com o objetivo declarado de capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sob acusações de narcoterrorismo . Horas após os bombardeios, Trump anunciou em suas redes sociais que as forças especiais americanas haviam capturado com sucesso o mandatário venezolano e o estavam transportando para fora do país . Maduro e Flores foram levados para Nova York, onde estão detidos e responderão a processos judiciais .
O saldo humano da operação foi severo. Iniciativas jornalísticas locais contabilizaram pelo menos 77 mortos até 6 de janeiro . Entre as vítimas estão:
A captura de Maduro não foi um golpe de sorte, mas o resultado de uma operação de inteligência prolongada e infiltrativa. Meses antes do ataque, a CIA já tinha agentes atuando clandestinamente no solo venezolano . O ponto crucial foi o recrutamento de uma fonte infiltrada no alto escalão do governo de Maduro, que forneceu informações precisas sobre seus padrões de vida e localização . Esta fonte foi decisiva para o sucesso da operação, sendo claramente beneficiada pela recompensa de US$ 50 milhões oferecida pelos EUA por informações que levassem à captura do presidente .
Este episódio aprofundou um clima generalizado de desconfiança e alarmismo dentro do aparelho de Estado e entre a população. A revelação de que houve um "traidor" no núcleo duro do chavismo alimenta narrativas de espionagem e traição à pátria, justificando, em tese, uma maior vigilância interna e repressão. A acusação de "traição à pátria" não é nova no léxico do regime venezuelano – foi usada, por exemplo, para prender a ativista Rocío San Miguel em 2024 – mas ganha um peso explosivo em um contexto de guerra real e intervenção estrangeira.
O governo interino de Delcy Rodríguez, instalado após a captura de Maduro, enfrenta o desafio de navegar este clima tenso enquanto tenta estabilizar o país sob a tutela americana. Um de seus primeiros atos foi anunciar a libertação de um "número significativo" de presos políticos, incluindo San Miguel e o ex-candidato Enrique Márquez, num gesto descrito como "unilateral" para a "convivência pacífica" . Analistas veem a medida como uma tentativa de acalmar os ânimos internos e atender a uma das fases do plano de transição desenhado pelos EUA .
A justificativa pública dos Estados Unidos para a intervenção centrou-se no combate ao narcoterrorismo. A administração Trump designou organizações criminosas venezuelanas, como o Tren de Aragua e o Cártel de los Soles – este último alegadamente liderado pelo próprio Maduro – como organizações terroristas estrangeiras, o que forneceu o arcabouço legal para ações militares . No entanto, analistas e observadores internacionais veem motivações mais profundas e geopolíticas por trás da operação.
A mais explícita delas é o controle sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo. Imediatamente após a captura de Maduro, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos "irão governar a Venezuela" rumo a uma transição e que estarão "muito implicados" na exploração do petróleo venezolano . Ele chegou a declarar que o país "tomará controle" das reservas de petróleo e recrutará empresas americanas para investir bilhões na revitalização da deteriorada indústria petrolífera nacional . Esse interesse é estratégico, pois o petróleo pesado venezuelano é valioso para a produção de diesel e outros derivados específicos .
Especialistas em relações internacionais interpretam essa ação como a manifestação de um novo e alarmante padrão de intervencionismo na América Latina, que resgata e atualiza a Doutrina Monroe. Alguns o chamam de "Corolário Trump": uma combinação da antiga doutrina que via o hemisfério ocidental como esfera de influência dos EUA com a lógica do "policial regional" que intervém para proteger interesses nacionais, que agora incluem o combate a ameaças transnacionais como o narcotráfico e o controle de recursos estratégicos .
Com Maduro preso em Nova York, a estrutura de poder na Venezuela entra em um período de reconfiguração profunda e incerta. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente encarregada, com o aval do Tribunal Supremo de Justiça, que citou a "ausência forçosa" de Maduro . Seu mandato, nos termos constitucionais, pode durar até 90 dias, prorrogáveis por mais 90, até que a Assembleia Nacional decida se declara uma "falta absoluta" do presidente, o que desencadearia a convocação de novas eleições .
No entanto, essa transição ocorre sob uma tutela explícita dos Estados Unidos. O secretário de Estado Marco Rubio delineou um plano de três fases para o país: estabilização, recuperação (com anistias e reconstrução da sociedade civil) e, por fim, transição política . O próprio Trump afirmou que os EUA permanecerão como "tutores políticos na Venezuela por 'muito mais tempo'" . Esse cenário levanta questões fundamentais:
A Venezuela acorda a cada dia em um estado de exceção que vai além da legalidade formal, permeado pelo trauma dos bombardeios, pela desconfiança alimentada pela espionagem interna bem-sucedida e pela sombra longa de uma potência estrangeira que agora decide, abertamente, os rumos do país. O caminho à frente é nebuloso, marcado pela dor das dezenas de famílias que perderam entes queridos em uma madrugada de janeiro e pela incerteza de uma nação cujo destino, por ora, parece ter sido sequestrado junto com seu presidente.
Com informações de Wikipedia, BBC News, O Globo/The New York Times, CNN, Agência Pública, e The Conversation.
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