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Chefe da OMC alerta EUA e China para conter escalada comercial e evitar danos ao crescimento global
FMI revisa projeção de crescimento mundial para cima, mas adverte que guerra tarifária ameaça a estabilidade econômica
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 17/10/2025

A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) fez um apelo para que Estados Unidos e China evitem uma escalada no conflito comercial, alertando que uma guerra tarifária prolongada representa um risco significativo para o crescimento econômico global a longo prazo. O alerta ocorre em meio a acusações recentes de Pequim contra Washington de práticas discriminatórias no comércio internacional.

Nesta terça-feira (15), o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou sua previsão de crescimento global para 2025 para 3,2%, um aumento em relação aos 3,0% projetados em julho. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, atribuiu parte dessa resistência a um fator crucial: a decisão da maioria dos países de não retaliar contra as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

"O mundo, até agora, e não posso enfatizar o suficiente, até agora, optou por não retaliar e continuar a comercializar praticamente com as regras que existiam", disse Georgieva durante um evento nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial. Essa contenção, segundo ela, evitou uma escalada tarifária mais debilitante para a economia mundial.

Os esforços para mediação e diálogo são contínuos. A OMC sediou seu Fórum Público anual em setembro, um espaço projetado para promover discussões sobre os últimos desenvolvimentos no comércio global e melhorar o sistema multilateral de comércio.

Panorama das tarifas e impactos

Apesar do tom ameaçador, a carga efetiva das tarifas americanas tem sido menor do que a inicialmente anunciada:

  • As estimativas iniciais apontavam para uma taxa média americana próxima de 30%, mas os modelos atuais a colocam perto de 18%.
  • Georgieva, do FMI, calculou que a tarifa efetiva, após isenções e acordos, está entre 9% e 10%.
  • Quase metade das importações americanas foi isenta das tarifas de Trump, com eletrônicos como smartphones e computadores sendo totalmente poupados.

Essa moderação prática ajuda a explicar por que, seis meses após o anúncio das tarifas, o cenário catastrófico previsto por alguns economistas ainda não se materializou. A economia americana cresceu 3,8% em taxa anualizada no segundo trimestre, e a OCDE também elevou sua previsão de crescimento global.

Preocupações futuras e tensões bilaterais

No entanto, os riscos são reais. O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, descreveu o ambiente atual como "muito fluido" e um "lembrete muito útil" de que as tensões comerciais podem se intensificar a qualquer momento. Ele alertou que o impacto das tarifas "obscurece ainda mais as já fracas perspectivas de crescimento".

As relações entre EUA e China permanecem no centro das preocupações. Recentemente, a missão chinesa na OMC acusou publicamente os Estados Unidos de minar o sistema multilateral de comércio desde que a nova administração assumiu em 2025, citando o uso repetido de políticas discriminatórias, tarifas reciprocas e sanções unilaterais. Um relatório do ministério do comércio da China, previsto para ser divulgado em breve, deve avaliar a conformidade dos EUA com as regras da OMC em 11 áreas.

Enquanto isso, outros países estão se adaptando. Em vez de retaliar, muitas nações estão diversificando seu comércio e aprofundando laços entre si. A China, por exemplo, viu suas exportações para os EUA caírem, mas aumentou suas vendas para o Sudeste Asiático e Europa. Acordos comerciais como o entre UE e Indonésia foram fechados, e o investimento chinês no Brasil aumentou significativamente.

Enquanto a economia global mostra resiliência no curto prazo, os apelos da OMC destacam a necessidade urgente de desescalada entre as duas maiores economias do mundo para proteger o crescimento sustentável. A decisão de Washington e Pequim de buscar o diálogo ou aprofundar o conflito definirá o rumo da economia global nos próximos anos.

Com informações de: Reuters, UOL, Folha de S.Paulo, CNN Brasil. ■

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