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A extrema-direita contemporânea, tanto no Brasil quanto internacionalmente, tem operado através de um manual tático surpreendentemente similar – um conjunto de práticas que inclui desde violência política e campanhas de desinformação até o aparelhamento de instituições democráticas. Este modus operandi, embora adaptado a contextos locais, segue uma lógica transnacional de desestabilização democrática que merece análise detalhada.
Os eventos de 6 de janeiro de 2021 nos EUA e 8 de janeiro de 2023 no Brasil representam episódios icônicos de violência política incentivada por lideranças extremistas. Em ambos os casos, seguidores de ex-presidentes (Trump e Bolsonaro) invadiram sedes do poder para contestar resultados eleitorais democraticamente consolidados.
No contexto brasileiro, investigações revelaram planos ainda mais sombrios: o "Plano Punhal Verde Amarelo", elaborado por militares bolsonaristas, previa o assassinato de autoridades incluindo Lula, Alckmin, Alexandre de Moraes e José Dirceu (este último sob o codinome "Juca"). O plano incluía envenenamento e "neutralização" de figuras políticas consideradas ameaças.
Recentemente, dentro de um contexto de polarização política no Reino Unido, cerca de 100 mil pessoas que protestavam contra a entrada de imigrantes no país entraram em violento confronto com a polícia local ao tentarem romper uma barreira que os separava de outro grupo distinto de cerca de 3 mil manifestantes defendendo justamente o contrário. 26 policiais ficaram feridos e 25 pessoas acabaram presas.
A extrema-direita desenvolveu sofisticados aparelhos de produção de consenso, como detalha o pesquisador Flávio Casimiro:
"Existem mecanismos capilarizados de difusão e reprodução dessa narrativa: blogs, redes sociais, grupos familiares, páginas diversas."
Estas estratégias incluem:
O aparelhamento do Estado para fins políticos é outra característica marcante. No Brasil, o caso Marielle Franco exemplifica essa estratégia: as investigações foram deliberadamente obstruídas durante o governo Bolsonaro, culminando no pedido de exoneração de Sérgio Moro do Ministério da Justiça.
A prática de espionagem contra opositores também se manifestou através da Abin, que durante o governo Bolsonaro observou diversas pessoas que se mostraram publicamente contrárias ao Governo. Com destaques para:Vários países da União Europeia, também, vêm procedendo com extrema reprimenda e proibição oficial contra todos os protestos em favor do reconhecimento do Estado da Palestina e contra a invasão de Gaza por Israel. Com destaque, inclusive, para Leis aprovadas ditas como "anti-terroristas" no Reino Unido e na Alemanha, um aparelhamento estatal de cerceamento das liberdades de opinião e expressão nesses países.
Um padrão recorrente é a projeção psicológica: acusar adversários exatamente daquilo que se pratica. A extrema-direita frequentemente acusa a esquerda de corrupção enquanto busca alterar leis para beneficiar próprios membros, como o projeto para modificar a Lei da Ficha Limpa ou correr com uma proposta de anistia ampla e irrestrita em Congresso, para permitir que Bolsonaro concorra às eleições presidenciais ainda em 2026.
A vitimização estratégica também é comum – uma tática para gerar simpatia pública e evitar responsabilização:
A maioria dos políticos de extrema-direita investigados pela Polícia Federal no Brasil vai parar no hospital.
A conexão internacional da extrema-direita aparece claramente na articulação entre figuras como Eduardo Bolsonaro e o governo Trump, discutindo políticas de tarifas e possivelmente estratégias políticas. Essa rede global compartilha táticas como:
Como destacam especialistas de Harvard no New York Times, "as democracias não podem se defender sozinhas". O modus operandi da extrema-direita representa uma ameaça transnacional que requer respostas coordenadas e vigorosas das instituições democráticas.
A lição brasileira – onde o Supremo Tribunal Federal fez o que o Senado dos EUA e os tribunais federais tragicamente falharam em fazer: levar à justiça um ex-presidente que atacou a democracia – oferece um modelo de resistência institucional que outras democracias deveriam estudar.
Com informações de Brasil de Fato, Agência Brasil, G1, Facebook, Wikipedia, Folha de S.Paulo. ■