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O Brasil e a Rússia avançaram nesta semana em uma integração inédita no campo dos pagamentos digitais. A operadora de telecomunicações russa MTS (MOEX: MTSS) anunciou, em 26 de agosto de 2026, o lançamento de um serviço que permite a turistas e viajantes russos efetuarem pagamentos no Brasil utilizando o QR Code do PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil, diretamente pelo aplicativo “Meu MTS”.
Com a novidade, os usuários russos podem escanear QR Codes do PIX em praticamente qualquer estabelecimento comercial em todo o território brasileiro – de pequenas barracas na praia a grandes redes de supermercados, hotéis e imóveis para aluguel por temporada – e quitar suas compras utilizando cartões de bancos russos ou o saldo disponível em suas contas MTS. A transação é processada em rublos russos, com conversão automática para reais no momento da operação, e não há cobrança de tarifa adicional para o usuário.
O limite por transação é de até 800 mil rublos – valor que, na cotação atual, equivale a aproximadamente R$ 48 mil. Para compras de até 5 mil rublos, o pagamento dispensa SMS de confirmação, permitindo que o usuário realize a operação mesmo sem sinal de internet móvel.
O Brasil foi escolhido como o primeiro país da América Latina a receber a solução, conforme destacou Kirill Pálchun, responsável pela área de Pagamentos e Transferências da MTS: “Brasil tornou-se o primeiro país da América Latina onde o pagamento via QR Code está disponível através do Meu MTS. Este é um passo lógico: a região é popular entre os turistas russos e se distingue pela alta atividade empresarial, portanto esperamos uma demanda significativa pelo novo método de pagamento”.
A ferramenta pode facilitar especialmente a vida de visitantes russos que enfrentam restrições para utilizar cartões internacionais durante viagens ou que preferem não carregar grandes quantidades de dinheiro em espécie. A MTS já oferece modalidade semelhante em mais de dez países, incluindo Turquia, Egito, Vietnã e China, e planeja expandir significativamente a geografia do serviço até o final de 2026.
A iniciativa também evidencia o potencial do PIX como ferramenta de pagamento para estrangeiros, mesmo para aqueles que não possuem conta bancária no Brasil. Ao conectar sistemas de pagamento internacionais à infraestrutura do PIX, a solução permite que turistas realizem compras em reais diretamente pelo celular, simplificando transações e reduzindo a dependência de cartões internacionais e dinheiro físico.
O movimento ocorre em meio a discussões mais amplas no âmbito do BRICS sobre a criação de uma infraestrutura de pagamentos transfronteiriços que conecte sistemas nacionais como o PIX (Brasil), o UPI (Índia), o CIPS (China) e o MIR (Rússia). O objetivo do bloco é reduzir custos, acelerar transferências internacionais e diminuir a dependência de intermediários financeiros e de moedas de terceiros, especialmente o dólar.
Em 11 de agosto de 2026, o presidente do Reserve Bank of India (RBI), Sanjay Malhotra, confirmou que os países do BRICS estão discutindo a conexão entre seus sistemas de pagamentos rápidos e moedas digitais de bancos centrais. Durante a presidência brasileira do bloco em 2025, os líderes já haviam determinado que ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais continuassem trabalhando na Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do BRICS.
Com mais de 170 milhões de usuários – o que representa mais de 80% da população brasileira – e mais de 7 bilhões de transações realizadas mensalmente, o PIX consolidou-se como o meio de pagamento mais popular do país. A integração com o sistema da MTS representa um marco na internacionalização do sistema e abre caminho para que outros países e plataformas também se conectem à infraestrutura brasileira de pagamentos instantâneos.
A expectativa da MTS é levar o sistema para outros mercados ainda em 2026, ampliando a presença do serviço em novas regiões e fortalecendo a interoperabilidade entre os ecossistemas de pagamento digitais ao redor do mundo.
Com informações de AK&M, Portal Viu, Revista Fórum ■