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BTG/Nexus turbina Cury na dança das cadeiras eleitoral
Sempre sob a lupa da Faria Lima, pesquisa que impulsiona o escritor psiquiatra à terceira posição repete padrão de vínculo institucional com o mercado financeiro e escancara o DNA da pesquisa
Analise
Foto: https://static.poder360.com.br/uploads/2026/08/Nexus-BTG-31ago20265.png
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■   Bernardo Cahue, 31/08/2026

A mais nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (31), escancarou um movimento pouco usual na corrida presidencial: a chamada “dança das cadeiras” entre os candidatos da chamada terceira via. O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) saltou de 2% para 11% das intenções de voto no cenário estimulado, ultrapassando Ronaldo Caiado (PSD), que ficou com 5%, e Romeu Zema (Novo), que despencou para 1%. O salto de nove pontos percentuais em apenas uma semana consolidou Cury como a terceira força na disputa, atrás apenas de Lula (PT), com 39%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%.

O que os números não dizem, mas a estrutura por trás deles revela, é que a pesquisa BTG/Nexus — assim como a Quaest — está umbilicalmente ligada a um instituto que integra um grupo de investimentos com forte presença na Faria Lima, o epicentro do mercado financeiro brasileiro. A Nexus Pesquisa e Inteligência, responsável pelo levantamento, é uma empresa da FSB Holding, que unificou em 2024 o Instituto de Pesquisa em Reputação e Imagem (IPRI) e a FSB Inteligência para dar origem à Nexus. A nova empresa já nasceu com uma carteira de 150 clientes, entre eles Banco Pan, Banco Safra, Enel, Grupo Bimbo, Kwai, TIM e, claro, o BTG Pactual.

Não por acaso, a pesquisa é “encomendada e paga pelo banco BTG Pactual”, o que coloca em xeque a isenção de um levantamento que, a cada rodada, parece desenhar cenários convenientes aos interesses do mercado. A própria metodologia — 2.005 entrevistas telefônicas realizadas entre 28 e 30 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais — não escapa às críticas sobre a representatividade da amostra e o recorte populacional.

O movimento de Cury na “dança das cadeiras” é, no mínimo, digno de nota. Veja a evolução dos principais candidatos na comparação com a rodada anterior:

  • Lula (PT): de 41% para 39% (oscilação negativa de 2 pontos)
  • Flávio Bolsonaro (PL): de 37% para 33% (queda de 4 pontos)
  • Augusto Cury (Avante): de 2% para 11% (crescimento de 9 pontos)
  • Ronaldo Caiado (PSD): manteve 5%
  • Romeu Zema (Novo): de 3% para 1% (queda de 2 pontos)

O dado mais revelador, porém, é que o maior impacto do crescimento de Cury não se deu sobre Caiado ou Zema, mas sobre Flávio Bolsonaro, que perdeu quatro pontos percentuais. Em outras palavras: o eleitorado que migrou para Cury saiu, em grande medida, do campo bolsonarista — e não do espólio da terceira via tradicional. Isso explica por que Caiado, mesmo estagnado em 5%, mantém-se como o nome preferido do mercado financeiro para um eventual segundo turno contra Lula, cenário em que o ex-governador de Goiás aparece em empate técnico com o petista (45% a 44%).

A crítica à BTG/Nexus não é nova. Em julho, o jornalista Moisés Mendes, no Diário do Centro do Mundo, já apontava o caráter “terrivelmente estranho” da pesquisa, que insiste em colocar Caiado num patamar muito superior ao registrado por outros institutos. “O que a pesquisa BTG/Nexus está querendo dizer, que as outras pesquisas não dizem? Que é para trocar Flávio por Caiado, e trocar logo? Que o desejo da Faria Lima, da Globo, do agro pop e do centrão pode se manifestar numa pesquisa”, escreveu Mendes.

O paralelo com a Quaest é inevitável. Ambas as pesquisas são conduzidas por institutos que, direta ou indiretamente, mantêm vínculos com grupos de investimento sediados ou com forte atuação na Faria Lima. No caso da Nexus, a relação é explícita: a empresa é controlada pela FSB Holding, que tem o BTG Pactual não apenas como cliente, mas como parceiro estratégico na divulgação das pesquisas eleitorais. A Quaest, por sua vez, também é frequentemente associada a interesses do mercado financeiro, o que torna o paralelo metodológico e político ainda mais relevante.

Não se trata de desqualificar o fenômeno Augusto Cury. O escritor de autoajuda realmente cresceu nas redes sociais e no debate da Band, tendo seu melhor desempenho entre jovens de 16 a 24 anos (22%) e eleitores com renda de até dois salários mínimos. Mas a velocidade e a magnitude do salto — de 2% para 11% em sete dias — exigem cautela analítica, sobretudo quando a própria estrutura que produz o dado tem interesses declarados no jogo eleitoral.

A “dança das cadeiras” divulgada pelo BTG/Nexus pode até refletir um movimento real do eleitorado. Mas também pode ser, como alertam os críticos, uma coreografia ensaiada nos escritórios da Faria Lima, onde o mercado financeiro ensaia seus passos para a sucessão presidencial de 2026. A diferença, como sempre, está no olhar de quem observa — e no bolso de quem financia o espetáculo.

Com informações de O Tempo, CartaCapital, Gazeta do Povo, Diário do Grande ABC, GZH, Estado de Minas, Diário do Centro do Mundo, Meio & Mensagem, GCMAIS, A Gazeta Bahia, Informe Baiano.

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