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JN dedica 20 minutos ao "maior escândalo" e coloca Moraes no centro do caso Master
Cobertura do principal telejornal da Globo expôs mensagens da PF, contrato de R$ 130 milhões e reação de presidenciáveis; Flávio Bolsonaro teve 12 vezes menos tempo
Analise
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcT7XQtxNaxRp5a02n3YGLktO_YYnNfUopX9tuJb31c5lzHG91rmdb92EzY&s=10
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■   Bernardo Cahue, 02/09/2026

O Jornal Nacional dedicou sua edição desta terça-feira (1º de setembro de 2026) a uma ampla cobertura do Caso Master, colocando em sequência, em pouco mais de 20 minutos, as peças do que foi descrito como o “maior escândalo” envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e autoridades do topo da República brasileira. A reportagem principal do telejornal da TV Globo expôs mensagens recuperadas pela Polícia Federal, contratos milionários e uma rede de contatos que, segundo os documentos divulgados, alcançou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A cobertura foi ancorada na decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master, que retirou o sigilo e tornou públicas 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes. Os registros, extraídos do celular de Vorcaro com 4 terabytes de informação, abrangem o período de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez.

Entre os elementos de maior impacto revelados pelo JN, está a informação de que Moraes analisou e fez alterações em um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de sua esposa, Viviane Barci. O escritório confirmou que o ministro analisou a minuta para verificar a existência de eventual impedimento legal para a contratação.

O JN também exibiu mensagens em que Vorcaro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o Brasil. Em outra troca, um dia antes da prisão, o banqueiro propôs um encontro com o ministro. Parte das respostas não pôde ser recuperada porque as comunicações eram enviadas por meio de imagens de visualização única. O relatório também registra pedidos de Vorcaro para que o interlocutor buscasse informações ou atuasse junto a autoridades, com menções a “Andrei” e “Paulo” – identificados como referências a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Outro eixo da cobertura envolveu a relação de pessoas próximas a Vorcaro com o procurador-geral. A PF encontrou mensagens do advogado Ciro Soares nas quais ele relata conversas com Gonet e afirma ter solicitado sua intervenção em uma disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais. O relatório também contém referências a uma viagem a Londres envolvendo Pedro Gonet, filho do chefe da PGR.

Diante das revelações, o JN ouviu os principais candidatos à Presidência da República. As reações foram duras contra Moraes:

  • Flávio Bolsonaro (PL): “São muitas acusações graves e que eu espero, de verdade, que ele esclareça, porque, caso contrário, se ele não esclarecer e se comprovar o que essas suspeitas que estão sendo reveladas agora por vocês da imprensa, vejam a importância da imprensa, da transparência a tudo, ele não tem a menor condição de continuar sendo ministro do Supremo Tribunal Federal”.
  • Romeu Zema (Novo): “Nós sabemos que Supremo no Brasil hoje é uma instituição desacreditada, até porque alguns ministros lá estenderam o tapete vermelho para o banqueiro bandido Vorcaro, fizeram negócios com esse bandido e temem qualquer candidato que venha com uma proposta moralizante”.
  • Ronaldo Caiado (PSD): “Com os fatos que vieram ao conhecimento da população brasileira diante da quebra de sigilo do caso Master, fica claro que o ministro Alexandre de Moraes não tem a menor condição de continuar à frente do Supremo Tribunal Federal”.
  • Renan Santos (Missão): afirmou que o “impeachment será protocolado”.

Um levantamento do portal NaTelinha apontou que o JN dedicou 12 vezes mais tempo à cobertura contra Alexandre de Moraes do que à cobertura contra Flávio Bolsonaro no mesmo caso. Foram seis reportagens com denúncias contra o ministro, totalizando cerca de 30 minutos – incluindo uma de 9 minutos e meio sobre o contrato de R$ 130 milhões e outra de 13 minutos com os prints das mensagens. Já a única reportagem sobre Flávio Bolsonaro, que mostrou novos pagamentos de Vorcaro para a produtora do filme sobre Jair Bolsonaro no valor de R$ 73 milhões, durou apenas 2 minutos e meio – 15 vezes menos que a cobertura sobre Moraes.

A Procuradoria-Geral da República se manifestou e afirmou que é nula a investigação ordenada por André Mendonça. O ministro Mendonça, por sua vez, declarou que os novos elementos trazidos pela PF devem ser analisados pelo plenário da Corte.

O escândalo do Banco Master, que envolve suspeitas de fraudes, uma grave crise de liquidez que levou o Banco Central a liquidar a instituição em 18 de novembro de 2025 – um dia após a primeira prisão de Vorcaro –, tornou-se o centro da disputa de poder no STF, com acusações mútuas de interferência e reflexos diretos sobre a eleição de 2026. O caso ainda depende de apuração formal e não há condenação contra os citados nesses fatos.

Com informações de G1, TVS1, Diário do Brasil Notícias, NaTelinha, Metrópoles, O Sul, Jornal do Brasil, Band, CNN Portugal, UOL Notícias, Revista Fórum e ICL ■

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