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O Jornal Nacional dedicou sua edição desta terça-feira (1º de setembro de 2026) a uma ampla cobertura do Caso Master, colocando em sequência, em pouco mais de 20 minutos, as peças do que foi descrito como o “maior escândalo” envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e autoridades do topo da República brasileira. A reportagem principal do telejornal da TV Globo expôs mensagens recuperadas pela Polícia Federal, contratos milionários e uma rede de contatos que, segundo os documentos divulgados, alcançou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A cobertura foi ancorada na decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master, que retirou o sigilo e tornou públicas 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes. Os registros, extraídos do celular de Vorcaro com 4 terabytes de informação, abrangem o período de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez.
Entre os elementos de maior impacto revelados pelo JN, está a informação de que Moraes analisou e fez alterações em um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de sua esposa, Viviane Barci. O escritório confirmou que o ministro analisou a minuta para verificar a existência de eventual impedimento legal para a contratação.
O JN também exibiu mensagens em que Vorcaro perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o Brasil. Em outra troca, um dia antes da prisão, o banqueiro propôs um encontro com o ministro. Parte das respostas não pôde ser recuperada porque as comunicações eram enviadas por meio de imagens de visualização única. O relatório também registra pedidos de Vorcaro para que o interlocutor buscasse informações ou atuasse junto a autoridades, com menções a “Andrei” e “Paulo” – identificados como referências a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.
Outro eixo da cobertura envolveu a relação de pessoas próximas a Vorcaro com o procurador-geral. A PF encontrou mensagens do advogado Ciro Soares nas quais ele relata conversas com Gonet e afirma ter solicitado sua intervenção em uma disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais. O relatório também contém referências a uma viagem a Londres envolvendo Pedro Gonet, filho do chefe da PGR.
Diante das revelações, o JN ouviu os principais candidatos à Presidência da República. As reações foram duras contra Moraes:
Um levantamento do portal NaTelinha apontou que o JN dedicou 12 vezes mais tempo à cobertura contra Alexandre de Moraes do que à cobertura contra Flávio Bolsonaro no mesmo caso. Foram seis reportagens com denúncias contra o ministro, totalizando cerca de 30 minutos – incluindo uma de 9 minutos e meio sobre o contrato de R$ 130 milhões e outra de 13 minutos com os prints das mensagens. Já a única reportagem sobre Flávio Bolsonaro, que mostrou novos pagamentos de Vorcaro para a produtora do filme sobre Jair Bolsonaro no valor de R$ 73 milhões, durou apenas 2 minutos e meio – 15 vezes menos que a cobertura sobre Moraes.
A Procuradoria-Geral da República se manifestou e afirmou que é nula a investigação ordenada por André Mendonça. O ministro Mendonça, por sua vez, declarou que os novos elementos trazidos pela PF devem ser analisados pelo plenário da Corte.
O escândalo do Banco Master, que envolve suspeitas de fraudes, uma grave crise de liquidez que levou o Banco Central a liquidar a instituição em 18 de novembro de 2025 – um dia após a primeira prisão de Vorcaro –, tornou-se o centro da disputa de poder no STF, com acusações mútuas de interferência e reflexos diretos sobre a eleição de 2026. O caso ainda depende de apuração formal e não há condenação contra os citados nesses fatos.
Com informações de G1, TVS1, Diário do Brasil Notícias, NaTelinha, Metrópoles, O Sul, Jornal do Brasil, Band, CNN Portugal, UOL Notícias, Revista Fórum e ICL ■