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O caso em torno do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (14) com a divulgação de versões conflitantes entre os envolvidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, admitiu ter intermediado a negociação de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados para a produção do longa. Em contrapartida, o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, inicialmente negou o recebimento de qualquer recurso oriundo do banqueiro, afirmando que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em 'Dark Horse'”.
Após cerca de 20 horas da primeira declaração, Frias recuou e publicou uma nova nota, alegando que suas afirmações não teriam entrado em contradição com as de Flávio Bolsonaro. Segundo o parlamentar, “não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”. Frias explicou que, ao dizer que não havia “um centavo do Master” no filme, ele se referia ao fato de que Daniel Vorcaro e o banco não assinaram nenhum acordo como investidores diretos, mas o dinheiro teria sido repassado pela empresa Entre Investimentos, que o deputado descreveu como “pessoa jurídica distinta”.
A produtora GOUP Entertainment também divulgou nota negando ter recebido dinheiro diretamente de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob seu controle societário. Em contrapartida, a própria GOUP reconheceu que parte dos recursos do projeto circulou por meio da empresa Entre Investimentos, apontada como intermediária dos repasses financeiros. A polêmica se intensificou após o site The Intercept Brasil divulgar áudios nos quais Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro por pagamentos atrasados para a produção do filme, antes da prisão do banqueiro na Operação Compliance Zero, em novembro de 2023.
Além do imbróglio sobre os repasses privados, a produção de “Dark Horse” também é alvo de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou uma denúncia ao ministro Flávio Dino, alegando que Mário Frias teria destinado R$ 2 milhões em emendas para a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, que também comanda a produtora do filme. Outros parlamentares do PL, como Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS), também foram mencionados na denúncia, com repasses de R$ 150 mil e R$ 1 milhão, respectivamente, para projetos ligados à mesma produtora.
O ministro Flávio Dino determinou a intimação dos deputados para prestarem esclarecimentos em 21 de março, concedendo cinco dias para resposta. No entanto, enquanto Bia Kicis e Marcos Pollon já entregaram suas justificativas, Mário Frias ainda não foi localizado pelos oficiais de justiça. Foram realizadas pelo menos três tentativas de intimação no gabinete do deputado na Câmara, nas datas de 31 de março, 7 de abril e 14 de abril, sem sucesso. Em uma dessas ocasiões, uma assessora informou que Frias estava em São Paulo, e o chefe de gabinete “não demonstrou interesse” em fornecer sua agenda, sugerindo que ele fosse intimado em sua residência na capital paulista. Diante das dificuldades, Dino determinou, no dia 23 de abril, que a Câmara fornecesse os endereços residenciais de Frias e, em 7 de maio, autorizou a intimação em sua residência em Brasília.
A Advocacia da Câmara dos Deputados chegou a atestar não haver irregularidades processuais nas emendas de Mário Frias, mas o caso continua sob análise do STF. Enquanto isso, os produtores de “Dark Horse” tentam se desvincular do escândalo, enfatizando que o filme contou apenas com capital privado. Mário Frias reiterou que os filhos do ex-presidente “não têm sociedade no filme nem na produtora”, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. As investigações, no entanto, prosseguem, e o depoimento do deputado é considerado crucial para o esclarecimento dos fatos.
Os principais pontos abordados na reportagem incluem:
Com informações de G1, O Globo, CBN, Jornal de Brasília, Agência Brasil, UOL, InfoMoney, Jovem Pan, CNN Brasil, CartaCapital, Revista Fórum, SBT News, Band.com.br, Jornal Razão, Times Brasil | CNBC, Diário do Centro do Mundo, Congresso em Foco, iG Último Segundo, Metrópoles, O Sul, A Gazeta, Valor Econômico, Portal Giro, Imirante, TMC, Mundo Ba, Brasil 247, Folha de Pernambuco, Jovem Pan News e Portal Carlos Souto ■