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Justiça dos EUA reconhece liquidação do Banco Master; investigação atinge Flávio e Eduardo Bolsonaro
Decisão do juiz Scott Grossman, da Flórida, bloqueia bens do banco no país e autoriza rastreamento de possíveis desvios; PF apura conexão de recursos com fundo no Texas ligado a Eduardo Bolsonaro
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 22/05/2026

Em uma medida histórica de cooperação jurídica internacional, a Justiça dos Estados Unidos reconheceu oficialmente a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central do Brasil, e determinou o bloqueio imediato de todos os ativos da instituição financeira e de suas controladas em território americano. A decisão, proferida em 8 de janeiro de 2026 pelo juiz Scott M. Grossman, da Corte de Falências do Distrito Sul da Flórida, representa um duro golpe no esquema de fraudes bilionárias que levaram à quebra do banco e acendeu um sinal de alerta para o núcleo político da família Bolsonaro, agora no centro de investigações da Polícia Federal e de agências norte-americanas.

O magistrado enquadrou a liquidação brasileira como “processo estrangeiro principal” nos termos do Chapter 15 da lei de falências dos EUA, o que obriga tribunais e credores americanos a respeitarem o andamento do processo conduzido no Brasil e confere ao liquidante — a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas, nomeada pelo Banco Central — plenos poderes para administrar os bens das empresas nos EUA. “Todas as pessoas e entidades ficam proibidas de transferir, onerar ou de qualquer outra forma dispor de quaisquer ativos dos devedores localizados nos Estados Unidos”, afirmou o juiz em seu despacho.

A ordem de Grossman suspende todas as ações judiciais, execuções de dívidas e qualquer tentativa de movimentação de ativos do Banco Master fora do controle do liquidante. A medida também alcança as empresas do conglomerado:

  • LetsBank S.A.
  • Banco Master de Investimento S.A.
  • Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários

Além de legitimar as providências nos EUA, a ação tem o objetivo de blindar o patrimônio do Master contra credores que tentassem furar a ordem de preferência legal para o pagamento das dívidas e de rastrear bens supostamente desviados por meio de “fraude massiva”. O juiz rejeitou os pedidos apresentados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, que alegava que a liquidação poderia ser revertida no Brasil, especialmente em razão de questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU).

Em processo paralelo, em abril de 2026, Grossman autorizou a EFB a acessar seis anos de registros financeiros de Daniel Vorcaro e a expedir intimações a empresas de luxo, imobiliárias, negociantes de arte e entidades financeiras. O objetivo é descobrir ativos, examinar transações e determinar se ocorreu má conduta envolvendo o patrimônio que deveria pertencer aos credores. A lista inclui mais de 28 intimações, e Vorcaro já se encontra preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

Investigações atingem Flávio e Eduardo Bolsonaro
O cerco internacional se intensificou após a revelação, pelo site Intercept Brasil, de áudios e mensagens que comprovam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou diretamente com Daniel Vorcaro o repasse de valores milionários sob a fachada de financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A negociação envolvia um pedido de R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões foram efetivamente transferidos.

Os investigadores da Polícia Federal e as agências americanas rastrearam o caminho desse dinheiro e identificaram que os recursos foram remetidos para o exterior por meio de uma engrenagem de lavagem de capitais centrada no Havengate Development Fund, um fundo de investimentos sediado no Texas. O fundo tem como “agente legal” um escritório ligado a Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Documentos mostram que Eduardo assinou o contrato de produção do filme como produtor executivo, e a suspeita principal é que o esquema tenha sido desenhado para desviar dinheiro público para contas ocultas no Texas, possivelmente para custear a permanência do parlamentar nos EUA.

Em maio de 2026, a PF abriu investigação formal para apurar o destino de US$ 10 milhões transferidos por Vorcaro ao fundo Havengate. A suspeita é que a estrutura financeira no Texas tenha sido utilizada para driblar bloqueios judiciais impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) às contas de Eduardo Bolsonaro no Brasil. Flávio e Eduardo negam as acusações: Flávio afirma que os recursos foram integralmente destinados à produção do filme, e Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro, dizendo que apenas cedeu seus direitos de imagem.

O papel do FBI e o risco de prisão nos EUA
Há indícios de que o FBI já monitorava Daniel Vorcaro desde antes de sua prisão, e a agência americana, juntamente com a Homeland Security Investigations, tem colaborado com as investigações brasileiras. De acordo com relatos, o FBI estaria monitorando movimentações ligadas ao Banco Master diante da possibilidade de que parte do dinheiro desviado pudesse ter ingressado no sistema financeiro americano.

A gravidade dos fatos e a possibilidade de comprovação de crime federal de lavagem de dinheiro em solo americano colocam Flávio e Eduardo Bolsonaro na iminência de terem suas prisões decretadas pela Justiça dos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, se for confirmado que os recursos desviados do Banco Master foram utilizados para adquirir imóveis ou custear despesas pessoais nos EUA, os irmãos podem responder por lavagem de dinheiro, crime que prevê penas severas no sistema judiciário norte-americano.

As investigações ainda estão em curso e dependem da cooperação jurídica bilateral entre Brasil e Estados Unidos, mas o avanço célere do processo em 2026, com o congelamento imediato de ativos na Flórida e a autorização para o liquidante rastrear bens, representa um marco na luta contra a impunidade do crime organizado transnacional e um duro revés para o clã Bolsonaro.

Com informações de: Agência Brasil, G1, Conjur, Estadão, Poder360, BBC News Brasil, O Globo, CBN, Intercept Brasil, Plantaõ Brasil, Metro1, Jovem Pan ■

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