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Passado mais de um mês desde o primeiro turno das eleições presidenciais no Peru, realizado em 12 de abril, o país ainda não conhece o nome do segundo candidato que irá à segunda volta, no dia 7 de junho. Com a apuração de 99,76% das urnas, a candidata de direita Keiko Fujimori, do partido Força Popular (Fuerza Popular), já está matematicamente classificada para a disputa decisiva. A briga pela segunda vaga se concentra entre o esquerdista Roberto Sánchez, da coalizão Juntos por el Perú, que tem 12% dos votos válidos, e o ultraconservador Rafael López Aliaga, do partido Renovação Popular (Renovación Popular), com 11,91% dos votos válidos. A diferença entre os dois é de apenas 14.474 votos, uma margem que mantém o pleito indefinido.
Os Candidatos e o Contexto Político:
O cenário eleitoral peruano, já naturalmente fragmentado, foi marcado por um recorde de 35 candidatos. A demora na divulgação dos resultados oficiais gerou um clima de desconfiança e tensão, reflexo da grave crise política que o país enfrenta há anos, escolhendo o seu nono presidente em uma década. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), lidera a corrida presidencial com 17,17% e chega ao quarto segundo turno de sua carreira política.
Enquanto isso, a disputa pelo segundo lugar se desenrola em um cenário de denúncias de irregularidades e extrema polarização. Roberto Sánchez, ex-ministro do governo do presidente deposto Pedro Castillo, lidera a votação fora dos grandes centros urbanos, com forte apoio nas áreas rurais. Já Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, é a expressão da direita radical e religiosa, e tem sua base de apoio concentrada na capital e em algumas regiões específicas.
Apuração Turbulenta e Alegações de Fraude:
A demora na finalização da contagem dos votos foi causada por uma conjunção de fatores. O principal deles foi a contestação em massa de atas eleitorais, que totalizou cerca de um milhão de votos paralisados, cada um precisando ser revisado individualmente pela Justiça Eleitoral. Esse processo de revisão contribuiu decisivamente para o atraso de mais de 30 dias na apuração definitiva. Além disso, o dia da votação foi marcado por falhas logísticas, como o atraso na entrega de materiais, que impediu cerca de 50 mil pessoas de votar e forçou a abertura de seções eleitorais por 24 horas extras, uma situação inédita na história do país.
As denúncias de López Aliaga de que a apuração foi fraudada para favorecer seu adversário foram rejeitadas pela comunidade internacional. Observadores da União Europeia afirmaram não ter encontrado nenhuma evidência concreta de irregularidades intencionais. Organizações locais de observação eleitoral, como a Associação Civil para a Transparência (Transparencia), também indicaram que os incidentes não foram capazes de alterar a vontade das urnas. Apesar disso, López Aliaga mantém sua posição, exige uma auditoria internacional e afirma que tem provas de que teria sido prejudicado pela falta de material para votação em Lima.
Detalhamento da Apuração Atual:
Esta é a primeira eleição após a restauração do sistema bicameral no país, que agora conta com Senado e Câmara dos Deputados. As eleições legislativas também ocorreram no mesmo dia. Neste cenário de incerteza e instabilidade, o próximo presidente peruano terá o imenso desafio de governar um país mergulhado em uma profunda crise de representatividade e com um sistema político extremamente fragmentado.
O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para o dia 7 de junho.
Com informações de Poder360, G1, Agência Brasil, Opera Mundi, Brasil de Fato, El Comercio, The Print ■