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Trump volta a sugerir Venezuela como 51º estado dos EUA
Presidente republicano retoma retórica expansionista e cita reservas de petróleo; regime venezuelano rejeita proposta e Maduro segue em cárcere privado em Nova York
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 12/05/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a anexação da Venezuela como o 51º estado norte-americano, conforme revelou a Fox News nesta segunda-feira (11). Em conversa com o copresentador John Roberts, Trump afirmou estar “considerando seriamente” incorporar o país sul-americano ao território dos EUA, citando as gigantescas reservas de petróleo venezuelanas como um dos principais atrativos da proposta.

Segundo a Fox News, durante a ligação telefônica, Trump teria declarado que “a Venezuela ama Trump” e que o país possui cerca de 40 trilhões de dólares em petróleo — valor já mencionado anteriormente para justificar a expansão territorial. O republicano também voltou a empregar uma retórica expansionista já utilizada anteriormente em relação ao Canadá, à Groenlândia, a Cuba e ao Panamá.

De acordo com uma projeção da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgada em abril, a Venezuela deve arrecadar mais de 22 bilhões de dólares em exportações de petróleo em 2026, um crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior. Trump destacou ainda que a nação caribenha possui “as maiores reservas de petróleo do planeta” e uma das maiores de gás natural, o que, em sua visão, justificaria o controle direto de Washington sobre o país.

Ainda não há informações sobre qualquer ação concreta nesse sentido. O porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, recusou-se a comentar os planos de Trump, limitando-se a afirmar que o presidente é “famoso por nunca aceitar o status quo”. Constitucionalmente, Trump não pode declarar a Venezuela como estado sem aprovação do Congresso dos EUA e o consentimento do próprio país sul-americano, o que inviabiliza juridicamente a proposta.

A proposta de anexação gerou reação imediata da líder interina venezuelana, Delcy Rodríguez, que participava de audiências na Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia. Rodríguez respondeu com firmeza: “Isso não está previsto. Jamais estaria previsto, porque, se algo temos os venezuelanos e as venezuelanas, é que amamos nosso processo de independência”.

“Nossa história é uma história de glória de homens e mulheres que deram sua vida por fazer de nós, não uma colônia, mas um país livre”, acrescentou a mandatária interina, ao mesmo tempo em que afirmou que Caracas mantém uma agenda de cooperação diplomática com Washington. Rodríguez também evitou um tom mais beligerante e declarou que “esse é o curso, esse é o caminho” em relação ao restabelecimento das relações diplomáticas, que haviam sido rompidas há sete anos durante o governo Maduro.

A declaração de Trump ocorreu meses após o sequestro do presidente Nicolás Maduro, que ocorreu no dia 3 de janeiro de 2026 durante uma operação militar norte-americana em Caracas, codinome “Operação Resolução Absoluta” (Operation Absolute Resolve). A ação conjunta da DEA e de forças especiais dos EUA resultou em sequestro de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, imediatamente extraditados para Nova York, onde aguardam julgamento em uma prisão federal.

O ex-presidente venezuelano está preso no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn e deve enfrentar acusações de narcotráfico e crimes contra a humanidade em um tribunal federal de Manhattan. Maduro e sua esposa declararam-se “não culpados” das acusações em uma audiência realizada em 5 de janeiro de 2026, e aguardam novas fases do processo. Ainda não existe uma data definitiva para o início do julgamento, uma vez que o caso envolve complexas questões de jurisdição internacional e provas coletadas tanto nos EUA quanto no exterior.

Trump já havia provocado polêmica em março de 2026, quando, após a vitória da seleção venezuelana sobre a Itália no Clássico Mundial de Beisebol, escreveu em sua rede social: “Estão acontecendo coisas boas na Venezuela… Estado nº 51, alguém?”. Além disso, o republicano tem repetido outras declarações polêmicas sobre o país, como a de que os cidadãos venezuelanos “estão dançando nas ruas” por conta dos benefícios econômicos das novas operações de petróleo, além de cogitar candidatar-se à presidência venezuelana — ideia que ele mesmo descreveu como “obter um respaldo maior do que qualquer outro na história”.

Apesar da repercussão negativa, a administração Trump tem aumentado sua influência na Venezuela: nos últimos meses, a embaixada dos EUA foi reaberta em Caracas, os voos diretos entre os dois países foram retomados e funcionários norte-americanos mantêm conversas com empresas de energia e mineração para ampliar a participação dos EUA no setor petrolífero venezuelano.

A proposta de anexação continua a gerar forte rejeição internacional. A líder interina Rodríguez, que assumiu o poder após a deposição de Maduro, tem mantido uma linha cautelosa de cooperação com Washington — desde que a soberania venezuelana seja integralmente respeitada. Enquanto a questão permanece em aberto, Trump dá mostras de que não pretende abandonar seu discurso de expansão territorial, o que mantém o tema como um dos pontos mais controversos da agenda diplomática das Américas.

Com informações de CNN Español, Fox News, Infobae, Associated Press (via Japan News e Los Angeles Times), Agence France-Presse (AFP), EFE, The Times of India, Swissinfo, Washington Examiner, Mediaite, Newsweek, USA Today, NJ.com, El Deber, Sky News Australia, PBS, Britannica, Brookings Institution, Wikipedia, El País e Antena 7 ■

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