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O hotel que foi palco do tiroteio que atingiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite deste sábado (25) é o mesmo onde o ex-presidente Ronald Reagan foi baleado em uma tentativa de assassinato em 1981. O Washington Hilton, localizado na capital americana, sediou o jantar anual da Associação dos Correspondentes da Casa Branca (WHCA) que terminou em pânico e uma rápida evacuação das principais autoridades do governo.
O atirador, identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, ex-aluno do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e morador de Torrance, na região de Los Angeles, foi detido no local após invadir o hotel armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas. Segundo a polícia de Washington, o suspeito, que estava hospedado no mesmo estabelecimento, teria dito às autoridades que seu alvo eram os altos funcionários do governo Trump.
As câmeras de segurança do hotel e imagens divulgadas pelo próprio presidente em sua rede social, a Truth Social, mostram o momento em que Allen — descrito por Trump como "uma pessoa doente" — corre em direção ao salão de baile, onde os cerca de 2,3 mil convidados, entre jornalistas, políticos e celebridades, aguardavam o discurso do mandatário. O homem foi interceptado pelos agentes do Serviço Secreto e derrubado no chão, mas antes que pudesse ser contido, disparou sua espingarda a curta distância contra um agente federal, que foi atingido no colete à prova de balas e passa bem. As testemunhas relataram ter ouvido de cinco a oito tiros durante a troca de tiros entre o suspeito e os agentes.
O pânico instalou-se no salão principal. O âncora da CNN, Wolf Blitzer, que testemunhou a ação a poucos metros de distância, relatou o momento de terror: "De repente, um homem com uma arma muito séria começou a atirar. Eu estava a apenas alguns metros dele". Dentro do salão, centenas de convidados se jogaram no chão e se esconderam embaixo das mesas enquanto agentes do Serviço Secreto, com armas em punho, formavam um cordão de isolamento ao redor da mesa onde estavam Trump, a primeira-dama Melania Trump e o vice-presidente J.D. Vance.
O presidente foi rapidamente retirado do local e levado para a Casa Branca. Em entrevista coletiva horas depois, Trump, ainda em trajes de gala, afirmou que inicialmente achou que o barulho era de uma bandeja que havia caído. "Ouvi um barulho muito alto, achava que era uma bandeja que tinha caído, mas eram balas", contou. A primeira-dama, Melania, foi descrita pelo presidente como tendo ficado "bastante traumatizada" com o incidente. Apesar de inicialmente ter recomendado que o evento continuasse ("QUE O SHOW CONTINUE", em letras maiúsculas na rede social) Trump acabou seguindo a orientação das forças de segurança e o jantar foi cancelado.
A coincidência do local, no entanto, tornou-se o foco central da cobertura internacional. O Washington Hilton, que recebeu o apelido mórbido de "Hinckley Hilton" pelos locais, foi o palco de uma das tentativas de assassinato mais famosas da história americana. Em 30 de março de 1981, apenas 69 dias após assumir a presidência, Ronald Reagan foi baleado por John Hinckley Jr. na saída do hotel, após discursar para membros da AFL-CIO. Hinckley disparou seis tiros em questão de segundos com um revólver calibre .22. Uma das balas ricocheteou na limusine presidencial e atingiu Reagan no peito, parando a apenas 2,5 centímetros de seu coração. Apesar da gravidade — o tiro perfurou um pulmão e causou hemorragia interna — Reagan sobreviveu e foi internado por 12 dias. Três outras pessoas também foram baleadas: o secretário de imprensa da Casa Branca, James Brady (que ficou permanentemente paralisado), um agente do Serviço Secreto e um policial. A motivação do atentado contra Reagan foi ainda mais insólita: Hinckley agiu movido por uma obsessão doentia pela atriz Jodie Foster, acreditando que o ataque chamaria sua atenção.
O paralelo histórico foi imediatamente notado por autoridades e especialistas. A congressista republicana Kat Cammack declarou que "não passou despercebido por ninguém que este é o mesmo hotel onde o presidente Reagan foi baleado em 1981. Chega de violência política". O Serviço Secreto, que já havia alertado para um aumento de ameaças nos dias que antecederam o evento, viu sua estratégia de segurança de múltiplas camadas ser posta à prova e funcionar conforme o planejado, embora falhas na fiscalização hoteleira tenham permitido que o suspeito, por ser hóspede, contornasse as barreiras mais externas. O atirador, que está sob custódia, deverá responder formalmente na segunda-feira (27) por duas acusações: uso de arma de fogo durante crime violento e agressão a oficial federal com arma perigosa.
O presidente confirmou que o jantar será remarcado dentro de 30 dias e pediu que os americanos resolvam suas diferenças pacificamente. "Esta não é a primeira vez nos últimos anos que nossa república foi atacada por um aspirante a assassino que procura matar. Peço que todos os americanos se comprometam novamente a resolver nossas diferenças pacificamente", declarou. O Brasil, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também se manifestou, afirmando que "o Brasil repudia veementemente o ataque" e que a violência política é uma "afronta aos valores democráticos".
Com informações de G1, Folha Vitória, O Tempo, O Público, BBC News Brasil, CNN Brasil, JC (UOL), Notícias UOL, Associated Press (AP), Politico, BBC News, Daily Times, Indian Express, Kathmandu Post, WJLA, Chosun, The Mirror, Le Parisien, La Tercera, RT, YLE, News18 e China Press ■