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Itália rechaça proposta de Trump
A proposta do enviado especial dos EUA de colocar a Itália no lugar do Irã na Copa do Mundo de 2026 gerou uma resposta contundente e unânime dos italianos, que classificaram a ideia como "vergonhosa" e "inapropriada"
Europa
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■   Bernardo Cahue, 24/04/2026

O governo da Itália e as principais figuras do esporte italiano rejeitaram veementemente, nesta quinta-feira (23), a sugestão do enviado especial dos Estados Unidos, Paolo Zampolli, de que a seleção italiana substitua o Irã na Copa do Mundo de 2026. A proposta, revelada pelo jornal Financial Times, foi recebida com indignação em Roma, com autoridades usando termos como "vergonhosa" e "ofensiva" para descrever a ideia, que muitos interpretam como uma tentativa de manobra política para reparar as relações entre o presidente americano, Donald Trump, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

A proposta partiu de Paolo Zampolli, um empresário e socialite ítalo-americano que atua como enviado especial de Trump para Parcerias Globais. Em entrevista ao Financial Times, Zampolli confirmou ter levado a ideia diretamente ao presidente americano e ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. "Confirmo que sugeri a Trump e ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que a Itália substitua o Irã na Copa do Mundo. Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos EUA", declarou Zampolli, argumentando que os quatro títulos mundiais da Itália dariam à equipe o "pedigree" necessário para justificar a inclusão.

A reação das mais altas autoridades italianas foi imediata e dura. O ministro da Economia da Itália, Giancarlo Giorgetti, foi um dos primeiros a se manifestar, definindo a proposta como "vergonhosa". "Li a notícia de que o enviado de Trump pediu à Fifa que readmitisse a Itália no Mundial. Me parece vergonhoso. A mim me daria vergonha", disparou Giorgetti, em uma clara rejeição à ideia de que seu país pudesse herdar uma vaga que não conquistou em campo.

O ministro do Esporte e da Juventude, Andrea Abodi, também rejeitou a possibilidade de forma categórica, ecoando o sentimento de que uma vaga na Copa não pode ser uma concessão política. "Uma repescagem da Itália para a Copa do Mundo? Não é apropriado, a classificação se conquista em campo", afirmou Abodi à agência de notícias italiana LaPresse. O presidente do Comitê Olímpico Italiano (Coni), Luciano Buonfiglio, endossou o coro de rejeição com uma declaração ainda mais enfática: "Em primeiro lugar, não acredito que seja possível. Em segundo lugar, me sentiria ofendido. É preciso merecer para ir à Copa do Mundo". O renomado técnico italiano Gianni De Biasi também opinou, lembrando que qualquer substituição seguiria critérios esportivos lógicos. "Uma eventual ausência do Irã seria, logicamente, preenchida pela equipe logo atrás na classificação do grupo. Além disso, acredito que a Itália não precisa do apoio de Trump em uma questão como essa", disse De Biasi à Reuters.

O episódio ocorre em um momento de profunda turbulência geopolítica. A participação do Irã na Copa, que será sediada primariamente nos Estados Unidos, foi colocada em xeque após o início de um conflito armado entre os dois países. Em março, o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, declarou que o país não participaria do torneio devido à falta de segurança, citando os ataques aéreos dos EUA e de Israel. No entanto, o governo iraniano parece ter recuado. Nesta semana, a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou que a seleção está "totalmente preparada" para participar da Copa do Mundo, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, já garantiu publicamente que o país asiático estará presente. "A equipe iraniana virá, sem dúvida alguma", afirmou Infantino recentemente, descartando qualquer "plano B, C ou D".

Por trás da cortina esportiva, a proposta de Zampolli é amplamente vista como uma tentativa de consertar as tensas relações entre Trump e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Nos últimos meses, os laços entre os dois líderes foram abalados após Trump lançar duras críticas ao Papa Leão XIV em meio ao conflito com o Irã. Ao oferecer um "presente" simbólico como a vaga na Copa, a administração Trump tentaria suavizar as arestas com a Itália. No entanto, a manobra teve o efeito contrário, unificando a classe política italiana contra a intromissão americana.

Do ponto de vista estritamente regulamentar, a Fifa deixa claro que possui "discrição total" sobre qualquer substituição, com base no Artigo 6 de seus regulamentos. Apesar disso, fontes da entidade ouvidas pela BBC afirmaram que não há planos para realizar a troca, a menos que o Irã desista formalmente da competição. Em caso de desistência, a Fifa provavelmente buscaria um substituto da mesma confederação asiática para manter o equilíbrio continental, o que tornaria a Itália, uma equipe europeia, uma opção improvável. Nomes como os Emirados Árabes Unidos, a melhor seleção asiática não classificada, surgem como alternativas mais lógicas.

A repercussão do caso atravessou fronteiras. Na China, o portal Stheadline noticiou que a Fifa já teria "excluído" a possibilidade de uma troca. Em Taiwan, a reportagem da Rti destacou a posição firme dos dirigentes italianos. O portal do Oriente Médio Middle East Monitor, por sua vez, destacou que a proposta gerou novos pedidos de investigação ética contra a Fifa, com críticos apontando a iniciativa como uma tentativa vergonhosa de fazer lobby político na maior vitrine do futebol mundial. A proposta foi amplamente repercutida também por veículos do Japão, como a Kyodo News e a Sankei Shimbun, e na Europa pelos portais Euronews e OneFootball, que repercutiram a posição firme da Itália e o pedido de investigação contra a Fifa.

Ao final, a proposta, que visava aproximar os governos, terminou por constranger Washington e unificar o discurso italiano em defesa do mérito esportivo. A Itália, tetracampeã mundial, amargará sua terceira ausência consecutiva em uma Copa do Mundo, enquanto o Irã, apesar da guerra, reafirma sua intenção de entrar em campo nos Estados Unidos. A Fifa, por sua vez, mantém sua posição de que o esporte deve ficar à parte da política, mesmo com todo o teatro geopolítico que se desenrola nos bastidores da competição.

Com informações de Financial Times, G1, BBC, Reuters, CNN Brasil, DW Brasil, Poder360, InfoMoney, Veja, Rti (Taiwan), Stheadline (Hong Kong), Middle East Monitor, Euronews, OneFootball, Anadolu Ajans? (Turquia), Kyodo News (Japão), Sankei Shimbun (Japão) ■

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