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A taxa de aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permanece no nível mais baixo de seu mandato, enquanto a maioria dos americanos questiona seu temperamento em meio à guerra contra o Irã e uma série de ataques públicos ao Papa Leão XIV, revelou uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira (21).
O levantamento de opinião pública, conduzido online ao longo de seis dias e concluído na segunda-feira (20), mostra que apenas 36% dos americanos aprovam o desempenho de Trump no cargo, percentual inalterado em relação ao mês anterior e que iguala o pior índice de sua popularidade desde que assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025. O presidente alcançou seu melhor índice, de 47%, logo após a posse.
Crise de imagem e temperamento explosivo
A pesquisa aponta que as recorrentes explosões verbais do presidente de 79 anos geram preocupação até mesmo dentro de sua própria base de apoio. Apenas 26% dos americanos consideram Trump uma pessoa de temperamento "equilibrado" (even-tempered). Entre os eleitores republicanos, as opiniões estão divididas: 53% o consideram equilibrado, enquanto 46% afirmam que ele não é. Já entre os democratas, apenas 7% compartilham da mesma visão.
Ameaças e comportamento errático
O levantamento foi realizado em meio a uma série de episódios que escancararam o comportamento considerado errático por muitos. Nas últimas semanas, Trump utilizou suas redes sociais para ameaçar "aniquilar a civilização" do Irã, prometendo destruir pontes e usinas elétricas do país inimigo — em alguns casos, usando termos explícitos. O presidente também atacou o Papa Leão XIV, classificando o pontífice como "fraco contra o crime" após críticas do líder religioso à guerra no Oriente Médio.
Além disso, o republicano alarmou aliados internacionais ao ameaçar usar força militar contra a Dinamarca, país membro da Otan, em razão de sua demanda para anexar a Groenlândia aos Estados Unidos. A pesquisa aponta que 51% dos americanos (incluindo 14% dos republicanos) afirmam que a "lucidez mental" de Trump piorou ao longo do último ano.
Guerra no Irã e impacto econômico
Trump tem enfrentado forte pressão desde fevereiro, quando sua administração, ao lado de Israel, iniciou uma guerra contra o Irã, o que provocou uma disparada nos preços dos combustíveis nos EUA. Cerca de 36% dos entrevistados aprovam os ataques militares americanos contra território iraniano, percentual praticamente estável em relação a pesquisas anteriores.
As consequências econômicas do conflito são sentidas diretamente pela população: a aprovação de Trump em relação ao seu manejo do custo de vida nos EUA é de apenas 26%, o pior índice já registrado para ele nesse quesito. A maioria dos cidadãos também não vê benefícios na guerra: somente 26% acreditam que a ação militar no Irã valeu seus custos, e apenas 25% (incluindo 6% dos democratas e 57% dos republicanos) acham que os ataques tornaram os EUA mais seguros.
Popularidade do Papa supera a de Trump
Os ataques do presidente americano ao Pontífice chamaram a atenção também porque a imagem do Papa Leão XIV é significativamente melhor do que a do presidente entre os americanos. Cerca de 60% dos entrevistados afirmaram ter uma visão favorável do líder religioso, contra apenas 36% que disseram o mesmo de Trump. A popularidade do Papa supera até mesmo a de políticos democratas de destaque, como o governador da Califórnia, Gavin Newsom, e a ex-vice-presidente Kamala Harris.
A pesquisa também aponta que a ideia de uma retirada dos EUA da Otan, repetidamente ameaçada por Trump, é rejeitada pela grande maioria: somente 16% dos americanos apoiam uma eventual saída do país da aliança militar.
Metodologia
A pesquisa foi realizada com 4.557 adultos em todo o território nacional, entre os dias 14 e 20 de abril, por meio de coleta online. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre os resultados do levantamento.
Com informações de G1, U.S. News & World Report, The Irish Times, Politiken, Al Arabiya, Times of Israel, Al-Manar TV, China Times, Reuters ■