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O governo dos Estados Unidos determinou, na última segunda-feira (20), a expulsão do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuou diretamente na prisão do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A decisão foi comunicada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, por meio de sua conta oficial na rede social X, sem citar nominalmente o agente, mas com uma mensagem clara: “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”.
Fontes da diplomacia e da imprensa confirmaram, ainda no mesmo dia, que o servidor expulso é Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE), em Miami. A Polícia Federal informou que não foi notificada formalmente sobre a expulsão, e o Itamaraty limitou-se a declarar que não comentaria o caso naquele momento.
Carreira e atuação nos EUA
Nomeado para a missão em Miami em março de 2023, com duração inicial de dois anos, Marcelo Ivo de Carvalho teve sua permanência prorrogada por portaria publicada em março de 2025, que estendia sua atuação nos Estados Unidos até agosto de 2026. Como oficial de ligação da PF junto ao ICE, suas funções incluíam a identificação e prisão de foragidos da Justiça brasileira em território americano, além da coordenação de investigações transnacionais e operações migratórias. Carvalho foi o responsável direto pela articulação que culminou na prisão de Ramagem em Orlando, na Flórida, no dia 13 de abril, em uma ação que a PF classificou como fruto da “cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”.
A prisão e libertação de Ramagem
Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin durante o governo Jair Bolsonaro, estava foragido nos Estados Unidos desde setembro de 2025, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ele teria entrado no país com visto de turista e, posteriormente, formalizado pedido de asilo político. A detenção ocorreu no dia 13 de abril, em Orlando, após uma abordagem por suposta infração de trânsito que levou à verificação da situação migratória irregular do ex-parlamentar. Dois dias depois, no entanto, Ramagem foi solto. Aliados do ex-deputado agradeceram publicamente à “alta cúpula da administração Trump” pelo auxílio no esclarecimento de sua situação migratória.
Reação do governo brasileiro e possibilidade de retaliação
A expulsão pegou o governo brasileiro de surpresa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em declaração a jornalistas em Hannover, na Alemanha, afirmou que o Brasil poderá adotar o princípio da reciprocidade caso se confirme um abuso de autoridade por parte dos Estados Unidos. “Não podemos aceitar essa interferência e abuso de autoridade que alguns americanos querem exercer sobre o Brasil”, disse Lula. Nos bastidores, a CNN Brasil apurou que o governo federal considera seriamente a possibilidade de expulsar agentes norte-americanos que atuam no Brasil em retaliação à medida. O presidente ainda declarou acreditar que Ramagem acabará sendo extraditado para cumprir sua pena no Brasil.
Perfil e controvérsias do delegado expulso
Marcelo Ivo de Carvalho tem mais de 20 anos de carreira na Polícia Federal. Entre os cargos que ocupou estão a chefia da delegacia no Aeroporto Internacional de Guarulhos (2016), a direção da unidade de combate ao crime organizado em São Paulo (2018–2021) e a superintendência regional na Paraíba (2022–2023). Em 2016, seu nome esteve envolvido em uma polêmica: ele foi responsável por um atropelamento que resultou na morte do motociclista Francisco Lopes da Silva Neto, na rodovia Raposo Tavares, em Sorocaba. Na ocasião, o delegado dirigia com a habilitação vencida e o teste do bafômetro indicou consumo de álcool acima do limite permitido. Após pagar fiança de R$ 2 mil, foi liberado e, em setembro de 2020, a Justiça de São Paulo o absolveu por falta de provas, com o processo transitando em julgado no mês seguinte.
Principais fatos e cronologia do caso
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho deve retornar ao Brasil nos próximos dias, encerrando abruptamente sua missão de cooperação internacional. Até o fechamento desta nota, nem a Polícia Federal nem o Itamaraty haviam se manifestado oficialmente sobre os termos da expulsão ou sobre eventuais medidas de resposta do governo brasileiro.
Com informações de CBN Globo, G1, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Gazeta do Povo, Infobae, Miami Herald, UOL, Diário do Poder, Correio Braziliense, Metrópoles, Revista Oeste, U.S. News, Agência Brasil ■