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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou no último instante e anunciou na noite desta terça-feira (7) a suspensão dos bombardeios e ataques contra o Irã por um período de duas semanas. A decisão, que adia o ultimato que expiraria às 21h (horário de Brasília), foi comunicada por meio de sua rede social, Truth Social, e representa uma reviravolta nas tensões que há semanas ameaçam escalar para um conflito de grandes proporções no Oriente Médio.
“Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, escreveu Trump, conforme repercutido pelo portal G1. A decisão foi tomada horas depois de o presidente ter feito ameaças apocalípticas, afirmando que “uma civilização inteira morreria esta noite” caso o Irã não atendesse às exigências americanas.
De acordo com o anúncio presidencial, a trégua está condicionada ao compromisso do Irã de promover a “ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz”. A via marítima, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, foi fechada por Teerã em retaliação aos ataques iniciados em 28 de fevereiro.
Mediação do Paquistão e proposta de paz iraniana
O principal articulador do recuo foi o Paquistão, que tem atuado como mediador entre Washington e Teerã. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o marechal de campo Asim Munir solicitaram diretamente a Trump que suspendesse a “força destrutiva” que seria enviada contra o Irã. Sharif chegou a pedir publicamente um adiamento de duas semanas, afirmando que os esforços diplomáticos estavam “progredindo de forma constante, firme e eficaz”.
Trump justificou a pausa afirmando que os Estados Unidos já “cumpriram e superaram todos os objetivos militares” e que as negociações para um acordo de paz de longo prazo estão avançadas. Segundo ele, os EUA receberam uma proposta de paz com 10 pontos apresentada pelo Irã, que considera uma “base viável para negociação”. O presidente americano afirmou que quase todos os pontos de discórdia do passado já foram acordados entre os dois países, restando apenas a finalização do pacto nas próximas duas semanas.
Do lado iraniano, a reação foi de cautela, mas também de otimismo. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã confirmou o acordo de cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão, e informou que a trégua foi aprovada pelo novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei. Teerã classificou o entendimento como uma “vitória para o Irã”, e as negociações para um acordo definitivo deverão ocorrer em Islamabad.
Ameaças apocalípticas e escalada militar às vésperas do prazo
A suspensão dos ataques ocorreu em meio a um cenário de extrema tensão. Horas antes do anúncio, Trump havia ampliado suas ameaças contra o país, declarando que a “civilização inteira” iraniana poderia ser extinta. Em postagens nas redes sociais, o presidente afirmou que os EUA poderiam destruir “todas as pontes e usinas de energia” do Irã, levando o país de volta à “Idade da Pedra”.
As declarações foram duramente criticadas pela comunidade internacional. O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, classificou as falas de Trump como “incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio”. O papa Leão XIV também se manifestou, considerando a ameaça contra todo o povo iraniano “verdadeiramente inaceitável”.
Mesmo com o anúncio da trégua, os combates não cessaram completamente. A imprensa iraniana reportou ataques aéreos dos EUA e de Israel contra alvos militares na ilha de Kharg, importante terminal de exportação de petróleo, e contra ferrovias no interior do país. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou ataques a pontes e estradas usadas pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Reações internacionais e próximos passos
A comunidade internacional reagiu com alívio, mas também com cautela, diante do anúncio do cessar-fogo temporário. A chancelaria do Egito informou que seu ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, manteve contatos com autoridades paquistanesas para coordenar esforços de desescalada. Esforços diplomáticos semelhantes foram relatados entre Turquia e Arábia Saudita com suas contrapartes paquistanesas.
A suspensão dos ataques teve impacto imediato nos mercados financeiros. O preço do petróleo, que havia disparado desde o início do conflito, caiu acentuadamente após o anúncio de Trump, aliviando as pressões políticas sobre o presidente americano.
As próximas duas semanas serão decisivas para o futuro do conflito. O acordo de cessar-fogo estabelece uma janela para que as negociações de paz sejam concluídas, com o Paquistão mantendo seu papel central como mediador. A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, na esperança de que a trégua temporária possa evoluir para um acordo de paz duradouro no Oriente Médio.
Conclusão
A decisão de Trump de adiar o ultimato e suspender os ataques representa mais um capítulo na volátil relação entre os EUA e o Irã. Se por um lado o anúncio evita uma escalada militar imediata, por outro mantém a pressão sobre Teerã para que atenda às exigências americanas, especialmente quanto à reabertura do Estreito de Ormuz. Nos próximos dias, a comunidade internacional deverá redobrar esforços para consolidar o cessar-fogo e construir as bases para uma paz estável na região.
Com informações de G1, InfoMoney, Veja, Times Now News, The New Arab, Khaleej Times, Egypt Today, The Peninsula Qatar, Al Jazeera, RT em Árabe, UDN (Taiwan), HK01, TVB News, BSS News (Bangladesh), China.org.cn (Xinhua), The New York Times ■