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Trump anuncia guerra contra o Irã e promete levar o país de volta à Idade da Pedra
Em pronunciamento televisionado, presidente dos EUA disse que objetivos militares estão quase completos, mas não deu prazo para o fim do conflito e ameaçou ataques ainda mais duros
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 02/04/2026

Em um pronunciamento televisionado em horário nobre na noite de quarta-feira (1º de abril), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as forças militares do país estão “próximas de completar” seus principais objetivos estratégicos na guerra contra o Irã. Em uma fala que misturou autoconfiança com ameaças explícitas, Trump afirmou que os Estados Unidos vão “atingir o Irã com extrema força” nas próximas duas a três semanas, prometendo “levar o país de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”.

O discurso, realizado no Salão Oval, teve início às 21h (horário da costa leste dos EUA) e durou cerca de 20 minutos. Foi a primeira vez que Trump se dirigiu formalmente à nação desde o início do conflito, deflagrado em 28 de fevereiro, há 32 dias, após uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel.

“Graças ao progresso que fizemos, posso dizer esta noite que estamos no caminho certo para completar todos os objetivos militares da América em breve, muito em breve”, afirmou Trump, em tom solene. “Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas a três semanas”, acrescentou. O presidente também afirmou que a Marinha e a Força Aérea iranianas foram “destruídas”, e que os programas de mísseis balísticos e nucleares do país foram “paralisados”.

No entanto, Trump evitou apresentar um cronograma claro para o fim das operações militares, limitando-se a dizer que os Estados Unidos vão “terminar o trabalho muito rapidamente”. Essa falta de clareza gerou apreensão nos mercados: as bolsas de valores caíram, o dólar se fortaleceu e o preço do petróleo subiu logo após suas declarações, refletindo o temor de que o conflito se prolongue.

Apesar de ter afirmado que a “mudança de regime nunca foi nosso objetivo”, Trump reconheceu que o cenário político iraniano já está transformado. “A mudança de regime ocorreu por causa da morte de todos os seus líderes originais. Eles estão todos mortos”, declarou, referindo-se à morte do aiatolá Ali Khamenei em um dos primeiros ataques da coalizão. Em seguida, descreveu o novo grupo no poder como “menos radical e muito mais razoável”, indicando que conversas estariam em andamento. Contudo, em um tom de ameaça, alertou: “Se durante este período nenhum acordo for feito, temos nossos olhos em alvos-chave. Vamos atingir cada uma de suas usinas de geração de eletricidade, com muita força e, provavelmente, simultaneamente”.

Outro ponto central de sua fala foi o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial e que foi efetivamente fechado pelo Irã desde o início da guerra. Trump afirmou que o estreito se reabrirá “naturalmente” quando a guerra terminar. Em um momento de crítica aos aliados, sugeriu que países como França e China deveriam “ir buscar seu próprio petróleo”, protegendo a rota. “O trabalho duro está feito. Vão buscar o próprio petróleo!”, escreveu em sua rede social Truth Social.

No mesmo dia, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, respondeu em uma carta aberta ao povo americano, questionando se a guerra realmente atende aos interesses dos EUA e acusando Washington de crimes de guerra. Além disso, em um movimento desafiador, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) lançou ataques com mísseis contra Israel, os estados do Golfo e bases americanas, apenas minutos após o término do discurso de Trump. “É você quem está enviando seus soldados para as sepulturas, não o Irã”, declarou um comandante do IRGC, classificando as ameaças de Trump como “delírios de Hollywood”.

O pronunciamento foi amplamente criticado pela imprensa e por analistas internacionais, que apontaram a falta de novidades e a ausência de um plano de saída claro para o conflito. A BBC classificou o discurso como uma “repetição” do que Trump vinha postando em suas redes sociais. A agência de notícias Associated Press destacou que Trump “ofereceu poucas respostas” e deixou perguntas-chave sem resposta, como o futuro do estoque de urânio enriquecido do Irã e o papel das tropas terrestres americanas que continuam a chegar à região.

A Deutsche Welle (DW) publicou uma verificação de fatos, apontando imprecisões nas declarações de Trump, especialmente sobre a independência energética dos EUA e a situação dos líderes iranianos. A imprensa chinesa, por sua vez, repercutiu a ameaça, apontando o perigo da retórica de “voltar à Idade da Pedra”. No campo político interno, legisladores americanos criticaram duramente o pronunciamento. A congressista Yassamin Ansari classificou a ameaça de Trump como “vil e horrível”, enquanto o senador Murphy afirmou que o discurso foi “confuso e muito triste”.

Em meio à escalada das tensões, uma reunião com cerca de 35 países foi convocada pelo Reino Unido para discutir medidas diplomáticas e políticas para reabrir o Estreito de Ormuz. As negociações são vistas como um passo crucial para conter os danos econômicos globais, mas as perspectivas de um cessar-fogo de curto prazo permanecem incertas, especialmente com a disposição do Irã de continuar a resistência. “Esta guerra já dura um mês. Não importa quanto tempo leve, vamos continuar”, afirmou um aposentado de 57 anos em Teerã.

Reações e impacto imediato

  • Mercados: Após o discurso, as bolsas de valores caíram, o dólar se fortaleceu e o preço do petróleo disparou.
  • Forças Armadas: O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ecoou a ameaça nas redes sociais com a frase “Back to the Stone Age”[.
  • Irã: Além dos ataques com mísseis, o governo iraniano rejeitou as ofertas de cessar-fogo, descrevendo as exigências dos EUA como “maximalistas e irracionais”.
  • Israel: As sirenes de ataque aéreo soaram em Tel Aviv durante o feriado do Pessach, com a população sendo forçada a se abrigar.
  • Reação internacional: A União Europeia e a China pediram moderação, enquanto o Reino Unido convocou reunião de emergência sobre o Estreito de Ormuz.

Até o momento, estima-se que milhares de pessoas tenham morrido no Oriente Médio desde o início do conflito, com um número ainda maior de feridos e deslocados no Irã, Líbano, Israel e outras partes da região. A guerra já provocou uma crise econômica global, com o preço dos combustíveis disparando nos postos dos Estados Unidos.

Com informações de Reuters, AFP, Associated Press, BBC News, CNN, DW, Al Arabiya English, The Express Tribune, Press TV, The New Indian Express, ThePrint, People's Daily, ANI News, WION, BSS News, VnExpress, Malay Mail, TVP World, QQ News, The News, PhilStar, Defense One, e Middle East News ■

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