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Em pronunciamento oficial, porta-voz da chancelaria russa classifica incursão de lancha da Flórida como 'provocação agressiva' e adverte para escalada de tensão na ilha, enquanto porta-voz presidencial destaca necessidade de resolver crise humanitária cubana.
O governo da Rússia emitiu uma contundente manifestação oficial nesta quinta-feira (26) sobre o confronto armado entre militares cubanos e ocupantes de uma lancha registrada nos Estados Unidos, ocorrido na véspera em águas territoriais de Cuba. Em declarações à imprensa, o Kremlin não apenas defendeu a ação das forças de Havana, mas também classificou o episódio como uma escalada deliberada promovida por Washington, que resultou na morte de quatro pessoas e deixou outros seis feridos.
Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a situação envolvendo a ilha caribenha "está se agravando" e que o foco principal da comunidade internacional deve ser a resolução das necessidades socioeconômicas e humanitárias do povo cubano. "A situação em torno de Cuba, como podemos ver, está se agravando. O principal é o componente humanitário. Todas as questões humanitárias relativas aos cidadãos cubanos devem ser resolvidas, e ninguém deve criar obstáculos para isso", declarou Peskov.
Sobre a ação militar cubana que resultou nas mortes, Peskov foi enfático ao justificar a reação das tropas da ilha. Segundo ele, os guardas de fronteira de Cuba "fizeram o que tinham de fazer naquela situação". O porta-voz russo baseou sua defesa nas informações divulgadas pelo governo cubano, que indicam que os ocupantes da embarcação, identificados como cubanos residentes nos EUA, teriam confessado a intenção de realizar "ações terroristas" na ilha portando armas. "Não há nada a comentar aqui", resumiu Peskov, referindo-se à legitimidade da resposta cubana.
Em um tom ainda mais duro, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, utilizou o termo "provocação" para definir a incursão da lancha norte-americana. Em declaração reproduzida pela agência estatal russa TASS, Zakharova classificou o ocorrido como:
Zakharova também enfatizou que o incidente representa uma ação hostil, uma vez que a embarcação que adentrou as águas cubanas ostentava bandeira americana e teria iniciado os disparos contra os patrulheiros cubanos. A posição russa surge em um momento de máxima tensão geopolítica, alinhando-se à versão apresentada por Havana, que alega ter repelido um ataque de um grupo que planejava atos de terrorismo e desestabilização na ilha.
Em sua declaração, Peskov também fez um apelo direto a todas as partes envolvidas, pedindo moderação para evitar que o episódio isolado se transforme em um conflito de maiores proporções. "No que diz respeito à segurança ao redor da ilha, é, claro, muito importante que todos exerçam moderação e não permitam quaisquer ações provocativas", afirmou.
Contexto geopolítico
A reação russa ocorre em meio a um estreitamento das relações entre Moscou e Havana, que enfrenta uma severa crise energética e humanitária, agravada pelo recente bloqueio naval imposto pelos EUA e pela interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano. O chanceler russo, Sergei Lavrov, já havia manifestado, dias antes do incidente, o apoio incondicional à soberania cubana, condenando as "acusações infundadas" de que a cooperação entre Rússia e Cuba representaria uma ameaça aos EUA.
Enquanto isso, o governo do presidente Donald Trump, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, afirmou que investigará o caso de forma independente, rejeitando a versão cubana e sinalizando que responderá "de forma adequada" assim que todos os fatos forem esclarecidos.
Com informações de Anadolu Ajans?, TASS, Reuters, Deccan Herald, US News & World Report, Euronews, Kyiv Post, Devdiscourse ■