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Trump discursa por quase duas horas no Congresso
Em tradicional discurso sobre o Estado da União, presidente dos EUA exalta seu governo, fixa posição agressiva contra Teerã, reafirma doutrina Monroe e trava bate-boca com democratas sobre políticas migratórias; fala mais longa da história estabelece tom para eleições legislativas de novembro
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 25/02/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou na noite desta terça-feira um discurso ao Congresso que estabeleceu novos recordes de duração e acirrou os ânimos políticos a poucos meses das eleições de meio de mandato. Durante mais de uma hora e quarenta minutos, Trump alternou entre a exaltação de suas políticas internas, ataques frontais ao Irã, a defesa de uma visão unilateral para as Américas e confrontos diretos com parlamentares democratas sobre imigração.

Ameaças ao Irã e política externa
O presidente dedicou parte significativa de sua fala à escalada de tensões com o Irã, classificando o país como "a maior ameaça à estabilidade no Oriente Médio". Trump reiterou que não permitirá que Teerã desenvolva armas nucleares e prometeu ações "decisivas" caso os iranianos avancem em seu programa atômico. A postura endurecida visa também pressionar os aliados europeus a abandonarem qualquer acordo que não atenda às exigências americanas.

  • Ameaça velada de ataque preventivo a instalações nucleares iranianas.
  • Reforço da aliança com Israel e países do Golfo contra a influência iraniana na região.
  • Críticas à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), acusada de "omissão" diante das atividades de Teerã.

Domínio nas Américas
Em um claro retorno à doutrina Monroe, Trump declarou que os Estados Unidos não tolerarão ingerência extracontinental no continente americano. "As Américas são nossa casa, e vamos garantir que nenhuma potência estrangeira venha a interferir", afirmou, em referência indireta à presença chinesa e russa na região. O presidente destacou parcerias com países como Brasil e Argentina, mas voltou a criticar governos de esquerda na América Latina, acusando-os de promover instabilidade.

  1. Anúncio de novas sanções econômicas a nações que mantenham acordos militares com China ou Rússia.
  2. Fortalecimento da cooperação em segurança com governos alinhados a Washington.
  3. Defesa do muro na fronteira sul como instrumento de soberania e proteção contra ameaças vindas da América Central.

Bate-boca sobre imigração
O momento de maior tensão ocorreu quando Trump abordou a política migratória. Ao exaltar a redução de entradas ilegais e defender a continuidade da construção do muro fronteiriço, foi interrompido por protestos de congressistas democratas. O presidente reagiu com ironia, convidando os críticos a "visitarem as áreas rurais devastadas pelo tráfico de drogas" e acusando a oposição de defender "fronteiras abertas". A troca de farpas alongou o discurso e evidenciou a polarização que marca a corrida eleitoral.

"Os democratas querem fronteiras abertas, querem que criminosos entrem livremente. Nós queremos segurança, queremos empregos para americanos e queremos um país que respeite suas leis", disparou Trump, sob aplausos da base republicana.

Recorde de duração e contexto eleitoral
Com cerca de 1 hora e 48 minutos, o discurso superou a marca anterior, estabelecida pelo próprio Trump em 2020. A extensão é vista como estratégia para dominar o noticiário e apresentar um balanço de realizações antes da eleição que renovará um terço do Senado e toda a Câmara. Enquanto republicanos elogiam a "energia e determinação" do presidente, democratas classificam a fala como "longa, divisiva e repleta de inverdades".

Pesquisas recentes indicam disputa acirrada pelo controle do Legislativo, e o discurso de Trump é parte fundamental da tentativa republicana de mobilizar sua base e conquistar eleitores indecisos.

Repercussão internacional
Governos de diversos países acompanharam com atenção as declarações. O Irã já reagiu por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, classificando as ameaças como "retórica de campanha" e afirmando que não se curvará à pressão. Na América Latina, chanceleres de nações como México e Bolívia manifestaram preocupação com o tom intervencionista, enquanto aliados como o governo brasileiro mantiveram silêncio cauteloso.

Analistas apontam que o discurso pode endurecer ainda mais as relações dos EUA com adversários e até com parceiros comerciais, como a União Europeia, insatisfeita com a abordagem unilateral sobre Irã e comércio.

Com informações de Associated Press, Reuters, The New York Times, The Washington Post, CNN, El País ■

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