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México sitiado
Com a morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração, "El Mencho", o México enfrenta uma das suas piores crises de segurança, com estradas bloqueadas, aeroportos fechados e uma população refém do medo, enquanto os EUA intensificam a pressão sobre o governo de Claudia Sheinbaum
America do Norte
Foto: https://imagenes.elpais.com/resizer/v2/R75425H7BQDCTW57733NWRWGDI.jpg?auth=3bb3f09be8016f018970f24c6b8400aca0886511046b13364f176b24b05f2717&width=1960&height=1470&smart=true
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■   Bernardo Cahue, 23/02/2026

O México vive dias de terror e incerteza. O que parecia ser uma vitória significativa do governo contra o crime organizado se transformou em um caos nacional. A morte de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, o "El Mencho", líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), durante uma operação federal no último domingo, desencadeou uma resposta violenta e sem precedentes da organização criminosa .

A reação do cartel foi imediata e calculada para paralisar o país. Como forma de luto e protesto, membros do CJNG iniciaram uma série de ataques coordenados que se espalharam por diversas regiões.

  • Bloqueios generalizados: Foram registrados mais de 250 pontos de bloqueio em 20 estados mexicanos, com veículos incendiados e estradas estratégicas tomadas, impedindo a locomoção da população e o transporte de mercadorias .
  • Paralisia econômica e social: A capital de Jalisco, Guadalajara, uma das maiores cidades do país, se transformou em uma "cidade fantasma". As aulas foram suspensas em diversos municípios e o aeroporto da cidade foi palco de cenas de pânico, com voos cancelados por companhias aéreas nacionais e internacionais .
  • Saldo de mortos: Apenas nas primeiras 24 horas de violência, as autoridades de Jalisco, Michoacán e Guanajuato confirmaram a morte de pelo menos 14 pessoas, incluindo sete soldados da Guarda Nacional .

Esta explosão de violência não é um fato isolado, mas sim o ápice de um cenário de deterioração da segurança que vem se agravando nos últimos anos. O México vive um verdadeiro "estado de sítio" imposto pelo crime, cujos tentáculos se estendem por todo o território nacional. O governo dos Estados Unidos, principal parceiro comercial e vizinho, já havia classificado os cartéis como organizações terroristas e demonstra crescente preocupação com a instabilidade mexicana .

O Mapa do Medo e a Crise Humanitária

Enquanto o governo da presidente Claudia Sheinbaum tenta conter a crise, dados de organizações independentes pintam um retrato devastador da situação. Apesar da promessa de uma nova estratégia de segurança, os números mostram um país refém da violência crônica e do desaparecimento forçado.

  1. Onda de Desaparecimentos: O México ultrapassou a chocante marca de 132 mil pessoas desaparecidas. Esse número equivale à população de uma cidade de médio porte e expõe a tragédia humanitária que assola o país. Só no estado de Sinaloa, foco de disputas internas do cartel local, mais de 7 mil pessoas estão nessa condição .
  2. A Luta das "Buscadoras": A crise forense é um dos seus capítulos mais cruéis. Mães e familiares, organizados em grupos como as "Sabuesos Guerreras", assumem para si a tarefa que o Estado abandona: procurar seus entes queridos em valas clandestinas. Recentemente, 20 novas fossas foram descobertas no município de La Concordia, em Sinaloa. A fundadora do grupo, María Isabel Cruz, que busca o filho desde 2017, relata a indiferença das autoridades e o confronto direto com o crime organizado .
  3. Violência sem Fim: O cotidiano dos mexicanos é marcado por massacres, como o ataque a um campo de futebol em Salamanca, Guanajuato, que deixou 11 mortos e expôs a disputa violenta entre o CJNG e o Cartel de Santa Rosa de Lima pelo controle da região .
  4. Zonas Proibidas: A percepção de insegurança é tão alta que o governo dos EUA impôs restrições severas de viagem para seus funcionários. Grandes porções do território mexicano, incluindo os estados de Guerrero, Colima, Michoacán, Sinaloa e Zacatecas, são consideradas áreas proibidas ou de acesso extremamente limitado, com corredores rodoviários inteiros sob alerta máximo .

O Dilema Político e a Pressão Externa

A presidente Sheinbaum enfrenta um equilíbrio frágil. Por um lado, tenta mostrar resultados à administração Trump, que não hesita em oferecer apoio de inteligência — como no caso da morte de "El Mencho" — mas também ameaça com ações unilaterais em solo mexicano, evocando o fantasma de uma intervenção militar . Por outro, lida com um país profundamente traumatizado e com instituições de segurança fragilizadas. A recente reforma do judiciário e a militarização da segurança pública, heranças do governo anterior, são apontadas por analistas e pela Human Rights Watch como fatores que agravam a crise de direitos humanos e a impunidade, que ronda os 90% nos casos de homicídio . Em meio ao caos, a promessa de "abraços, não balas" do governo passado deu lugar a uma realidade onde a população se vê encurralada entre a violência dos cartéis e a resposta, muitas vezes igualmente violenta, do Estado .

Com informações de: Euronews, Human Rights Watch, R7 Notícias, Los Angeles Times, Folha de S.Paulo, Backroad Planet, Latinoamérica21 ■

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