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O governo do presidente argentino Javier Milei conquistou na madrugada desta sexta-feira (20) uma vitória crucial no Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou, com modificações, o projeto de Lei de Modernização Trabalhista, considerada uma das reformas estruturais mais profundas das últimas décadas no país. O placar foi de 135 votos a favor e 115 contra. Com as alterações, o texto retornará ao Senado para uma votação final, prevista para o dia 27 de fevereiro.
A principal modificação que motivou o retorno da proposta à Câmara alta foi a supressão de um artigo que reduzia os vencimentos de trabalhadores em licença médica. O trecho previa que, em casos de acidentes ou doenças não relacionadas ao trabalho, o salário poderia cair para 75% ou até 50%. "De que adianta toda uma biblioteca de legislação trabalhista se, no final das contas, o sistema que ela estabelece não serve para criar empregos?", questionou o deputado governista Lisandro Almirón durante o debate.
O governo defende que a modernização é essencial para estimular a criação de empregos formais e reduzir a informalidade, que atinge mais de 40% da força de trabalho argentina, além de atrair investimentos ao oferecer um marco legal mais previsível. Em comunicado, a Presidência classificou a iniciativa como o fim de "mais de 70 anos de atraso nas relações laborais".
Entre os pontos centrais da proposta, que conta com mais de 200 artigos, destacam-se:
A votação ocorreu em um ambiente de forte tensão social. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical do país, convocou uma greve geral de 24 horas que paralisou parcialmente o transporte, bancos e serviços públicos, afetando mais de 31 mil passageiros aéreos com o cancelamento de centenas de voos. Manifestantes contrários à reforma entraram em confronto com a polícia nos arredores do Congresso, resultando em dezenas de detidos. As forças de segurança usaram jatos d'água e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
A oposição, liderada pela coalizão peronista União pela Pátria, classificou a medida como "regressiva" e "inconstitucional". O deputado Sergio Palazzo prometeu uma "cascata de pedidos de inconstitucionalidade" nos tribunais assim que a lei for promulgada. "Contrabandearam, por trás das palavras 'modernização trabalhista', a regressão mais brutal dos direitos dos trabalhadores", declarou.
Com a aprovação na Câmara, o governo corre para que o texto seja sancionado pelo Senado até o dia 1º de março, data da abertura das sessões ordinárias do Congresso, onde Milei planeja exibir a reforma como um troféu de seu programa de ajustes.
Com informações de: Agência Brasil, Congresso em Foco, G1, Gazeta do Povo, O Tempo, GZH, Extra, Xinhua ■