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Ofensiva de Moraes contra a cúpula da PF expõe investigações sem aval da PGR
Diretor-geral Andrei Rodrigues é acusado de investigar ministros sem autorização e vazar informações à imprensa; relatório da Receita entregue a Moraes mirou delegados, que tiveram sigilo quebrado e endereços vasculhados em operação de repercussão nos bastidores da Corte
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 17/02/2026

A crise institucional entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) atingiu um novo patamar com revelações sobre os bastidores das investigações que envolvem ministros da Corte. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, está no centro de um turbilhão de acusações que incluem a investigação ilegal de membros do STF sem a devida autorização da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da própria presidência do tribunal, além de um suposto vazamento seletivo de informações para a imprensa.

De acordo com fontes da cúpula do Judiciário, Rodrigues teria determinado a produção de relatórios investigatórios sobre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes à revelia dos trâmites legais. A situação mais grave, segundo relatos de ministros em sessão reservada, foi a investigação contra Toffoli, cujo relatório foi entregue pela PF ao STF e resultou em sua retirada forçada da relatoria do caso Banco Master. Em conversas reveladas pela imprensa, o próprio Alexandre de Moraes classificou a atitude como um "absurdo" e uma "ilegalidade", enfatizando que não havia autorização prévia para que a cúpula da PF agisse dessa forma.

A tensão aumentou após a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, noticiar que um novo relatório da PF estava sendo preparado, desta vez mirando o ministro Alexandre de Moraes, com base em mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O vazamento da informação sobre o alvo do próximo documento acirrou os ânimos no tribunal e escancarou a guerra nos bastidores entre a corporação e o STF.

Em reação, o ministro Alexandre de Moraes determinou uma ofensiva contra os responsáveis por aquilo que o STF classifica como "investigações ilegais" e vazamentos de dados sigilosos de magistrados. A decisão de Moraes, tomada no âmbito do inquérito das fake news, baseou-se em um relatório encaminhado pela Receita Federal que identificou os responsáveis por acessos indevidos aos sistemas do Fisco.

O desfecho dessa apuração foi uma operação de busca e apreensão sem precedentes contra a própria estrutura da Polícia Federal e da Receita. Foram cumpridos mandados em mais de 30 endereços contra delegados e agentes da PF e servidores do Fisco acusados de integrarem um esquema de consulta e vazamento de dados fiscais de autoridades com prerrogativa de foro. Entre os alvos estavam quatro servidores ligados à Receita, acusados de múltiplos acessos sem justificativa funcional.

Os principais pontos da crise institucional são:

  • Investigação sem aval: Andrei Rodrigues é acusado de investigar os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes sem autorização da PGR ou da presidência do STF, o que configura, segundo magistrados, ilegalidade e abuso de autoridade.
  • Vazamento estratégico: A informação de que o próximo relatório da PF miraria Alexandre de Moraes foi antecipada à jornalista Malu Gaspar, elevando a tensão no tribunal e sendo interpretada como uma manobra para desgastar o ministro.
  • Relatório da Receita: Documento encaminhado ao STF apontou os responsáveis pelos acessos ilegais aos sigilos de ministros, dando respaldo à operação autorizada por Moraes.
  • Busca e apreensão: Mais de 30 endereços de delegados, agentes e servidores da Receita foram alvos de mandados, numa clara demonstração de força do STF contra a ala investigativa da PF.

A reação no Supremo foi uníssona contra o que se considerou um "abuso" da Polícia Federal. Em sessão reservada que decidiu pela redistribuição do caso Master, ministros como Gilmar Mendes apontaram que o relatório da PF era um "nada jurídico" e um "revide" a decisões contrárias de Toffoli. Cristiano Zanin chegou a afirmar que o material era "nulo", enquanto Flávio Dino o classificou como "lixo jurídico".

Com informações de: O Globo, CBN, Poder360, G1, Gazeta Brasil, Plauto Brasil. ■

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