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O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) enfrenta um turbilhão de investigações que expõem um intrincado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo milhões de reais escondidos em criptomoedas, dinheiro em espécie e até mesmo a participação de um ex-segurança pessoal do chefe do Executivo paulista. As revelações, que surgem de operações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Federal (PF), colocam em xeque o discurso de gestão eficiente e colocam o governador no centro de um furacão político .
O caso de maior repercussão é a Operação Ícaro, deflagrada pelo MPSP, que desarticulou um esquema bilionário de fraudes no ICMS dentro da própria Secretaria da Fazenda (Sefaz-SP). As investigações mostram que auditores fiscais manipulavam processos para liberar créditos tributários a empresas em troca de propinas que podem ter ultrapassado a cifra de R$ 1 bilhão . Para ocultar a origem do dinheiro, os valores eram convertidos em criptomoedas. O caso mais emblemático é do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como líder do esquema. Segundo a promotoria, a mãe do auditor, Kimio Mizukami da Silva, viu seu patrimônio declarado saltar de meros R$ 411 mil em 2021 para impressionantes R$ 2 bilhões, valor que seria proveniente, em grande parte, da compra de criptomoedas como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) através de uma empresa de fachada . O MPSP teme que os valores em ativos digitais, cujas chaves de acesso não foram totalmente entregues pelos investigados, desapareçam .
Numa nova fase da mesma investigação, realizada em fevereiro de 2026, o MP foi a campo e apreendeu um montante significativo na Delegacia Regional Tributária do Butantã. Foram encontrados US$ 68 mil (cerca de R$ 354 mil) e R$ 288 mil em espécie, além do bloqueio de criptoativos avaliados em aproximadamente R$ 1,8 milhão em bitcoins, totalizando R$ 2,4 milhões em valores apreendidos ou bloqueados .
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Coffee Break, que atingiu um cargo de confiança do governo. Mário Botion, então diretor de Convênios da Secretaria de Governo (pasta comandada por Gilberto Kassab), foi alvo de buscas e acabou exonerado após a PF encontrar a quantia de R$ 2,1 milhões em espécie em um imóvel ligado a ele, em Limeira. A investigação apura um esquema de fraudes em licitações na área da educação, com indícios de corrupção e lavagem de dinheiro .
Além dos casos na máquina pública, o entorno mais próximo do governador também foi manchado. O capitão da PM Diogo Costa Cangerana, que atuou como segurança pessoal de Tarcísio de Freitas (e também de Rodrigo Garcia), é apontado pela PF como operador de um esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro com criptomoedas entre 2021 e 2024. Segundo a investigação, o oficial atraía clientes para proteger patrimônio e lavar dinheiro utilizando a stablecoin USDT, além de facilitar a abertura de contas em nome de "laranjas" e estar envolvido em negociações de remessas ilegais de ouro para o exterior .
A profusão de escândalos gerou reação imediata na Assembleia Legislativa. A oposição, liderada por PT e PSOL, tenta vincular as irregularidades à imagem do governador e cobra explicações. Entre as principais ações estão:
Diante das pressões, Tarcísio de Freitas adotou um discurso de rigor. Em visita a Sorocaba, o governador prometeu punição exemplar aos envolvidos, afirmando que os responsáveis "vão sentir a mão pesada do estado" em todas as esferas (administrativa, cível e penal) e que o dinheiro desviado deve ser devolvido aos cofres públicos. O governo também revogou um decreto que simplificava o ressarcimento de ICMS e que, segundo investigadores, pode ter facilitado as fraudes .
Enquanto tenta se blindar politicamente, minimizando os fatos como "isolados" e anteriores à sua gestão ou de responsabilidade de "escalões inferiores" , Tarcísio convive com um cenário onde a corrupção digitalizada – que usa criptomoedas para esconder bilhões – expõe uma face até então pouco explorada do crime organizado dentro do Estado. A eficácia da "mão pesada" prometida pelo governador será testada na capacidade de recuperar estes ativos e punir os envolvidos, estejam eles onde estiverem.
A série de investigações coloca em evidência a fragilidade dos controles internos diante de esquemas modernos de ocultação de patrimônio, levantando um alerta sobre o uso de ativos digitais para desviar recursos públicos em São Paulo.
Com informações de Folha de S.Paulo, UOL, Portal do Bitcoin, G1, Metrópoles, Valor Econômico, CUT-SP, Sindicato dos Bancários de SP, Revista Fórum, Hora do Povo ■