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Moscou e capitais europeias trocam acusações sobre a morte do líder opositor em 2024
Análises encomendadas por cinco países apontam toxina de rã sul-americana, mas Kremlin classifica conclusões como "propaganda ocidental" e exige divulgação das provas
Leste Europeu
Foto: https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/agenzie/images/reuters/2024/02/16/14/1708088564921.JPG/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.1500.844.jpeg
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■   Bernardo Cahue, 15/02/2026

No segundo aniversário de sua morte, a figura da oposição russa Alexei Navalny voltou a ser o centro de uma disputa geopolítica de alta intensidade. Enquanto cinco países europeus divulgaram uma investigação que conclui que o ativista foi assassinado com uma toxina letal extraída do veneno de rãs sul-americanas, o governo russo rejeitou veementemente as alegações, classificando-as como uma tentativa de desviar a atenção de problemas internos do Ocidente .

Navalny, que era o principal crítico do presidente Vladimir Putin e denunciava a corrupção sistêmica na Rússia, morreu em fevereiro de 2024 em uma colônia penal no Ártico, onde cumpria uma sentença de 19 anos por acusações de extremismo que ele sempre negou . Na época, as autoridades prisionais russas informaram que ele teria passado mal após uma caminhada e perdido a consciência "quase imediatamente" .

A nova virada no caso foi anunciada durante a Conferência de Segurança de Munique. Os governos de Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Países Baixos divulgaram uma declaração conjunta afirmando que análises laboratoriais de amostras do corpo de Navalny confirmaram "conclusivamente" a presença de Epibatidina .

  • A toxina: A Epibatina é um alcaloide neurotóxico extremamente potente, encontrado na pele de rãs-flecha (conhecidas como poison dart frogs) nativas da América do Sul, especialmente do Equador .
  • O contexto: Os países europeus enfatizam que essa substância não é encontrada naturalmente na Rússia e que não há explicação inocente para sua presença no corpo do opositor .
  • A acusação: "Somente o Estado russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade para administrar essa toxina letal", afirmou o comunicado conjunto, que também prometeu denunciar Moscou à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) por violação da Convenção de Armas Químicas .

Yulia Navalnaya, viúva do opositor e também figura de proa da oposição russa no exílio, agradeceu a investigação europeia. "Eu tinha certeza desde o primeiro dia de que meu marido havia sido envenenado, mas agora há provas", declarou em suas redes sociais durante a conferência em Munique .

Países europeus fizeram a acusação sem confirmação das autoridades russas

Apesar da veemência da acusação ocidental, as autoridades russas não apenas negam responsabilidade como contestam a integridade e a motivação das investigações. O governo russo, que sempre sustentou que a morte de Navalny se deu por causas naturais, reagiu com ironia e ceticismo às novas alegações .

  1. Acusação de propaganda: A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que tais alegações são "mera propaganda destinada a desviar a atenção de questões ocidentais prementes" e classificou Navalny como um "blogueiro oficialmente designado como terrorista e extremista na Rússia" .
  2. Exigência de transparência: Zakharova declarou que Moscou só poderá comentar as acusações quando os resultados dos testes e as fórmulas das substâncias forem divulgados .
  3. Resposta contundente: A embaixada russa em Londres ironizou a acusação, questionando: "É preciso perguntar que tipo de pessoa acreditaria nessa bobagem sobre um sapo". Um porta-voz da embaixada também acusou os países europeus de promoverem um "escárnio dos mortos" e de não permitirem que o cidadão russo descanse em paz .
  4. Falta de detalhes: O governo britânico, que liderou parte das investigações, recusou-se a comentar como as amostras do corpo de Navalny foram obtidas ou onde foram avaliadas, limitando-se a afirmar que "cientistas do Reino Unido trabalharam com parceiros europeus para buscar a verdade" .

O caso reacende as tensões sobre o uso de substâncias químicas em solo russo, remetendo a episódios como o envenenamento do ex-agente duplo Sergei Skripal no Reino Unido com agente Novichok em 2018, ataque que um inquérito britânico concluiu ter sido ordenado por Putin .

Com informações de: Reuters, RNZ, Anadolu Ajans?, EFE, TASS, 9News ■

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