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Bannon e Epstein tentaram derrubar Papa Francisco, revelam documentos
Documentos desclassificados revelam conversas, mas especialistas alertam para narrativa simplista sobre suposta "conspiração" contra o pontífice
America do Norte
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSc94sc7DFj1qXhgKeEGqM3zJ9k3q_Qjmz7xQ&s
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

Recente liberação de arquivos do Departamento de Justiça dos EUA inclui trocas de mensagens entre o financista condenado Jeffrey Epstein e o estrategista político Steve Bannon. Em meio a discussões sobre política e finanças, surgiram menções ao Papa Francisco, alimentando relatos de uma suposta conspiração para "derrubá-lo". Uma análise mais aprofundada dos materiais e do contexto, no entanto, aponta para uma realidade mais complexa e menos espetacular do que a manchete sugere.

Os e-mails em questão foram trocados entre 2018 e 2019. Neles, Steve Bannon, ex-assessor do presidente Donald Trump e figura proeminente do conservadorismo americano, emprega sua retórica habitual e agressiva, referindo-se ao Papa Francisco como um adversário na "guerra cultural" e usando a expressão "derrubar Francisco". Jeffrey Epstein atuava principalmente como interlocutor nessas conversas.

Especialistas e análises jornalísticas alertam, contudo, que não há nos documentos evidência de um plano operativo concreto, contatos dentro da Igreja ou capacidade real de intervir na estrutura do Vaticano. As mensagens são interpretadas mais como bravatas e discussões ideológicas de Bannon do que como a descrição de uma conspiração viável. O próprio contexto da relação de Epstein com elites de todos os espectros políticos sugere que seu interesse era acumular influência, e não promover uma agenda ideológica específica.

O caso se insere na liberação massiva de milhões de documentos relacionados a Jeffrey Epstein, determinada por lei. O terceiro e maior lote, divulgado no final de janeiro de 2026, contém cerca de 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e 2.000 vídeos. Além das mensagens com Bannon, os arquivos trazem à tona:

  • Menções a centenas de figuras públicas globais, incluindo políticos como Donald Trump, Bill Clinton, e os brasileiros Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
  • Detalhes sobre a rede de relacionamentos de Epstein com a elite britânica e outras personalidades.
  • Alegações não verificadas e acusações que o próprio Departamento de Justiça classifica como "falsas e sensacionalistas", especialmente as dirigidas ao presidente Trump.

O perfil de Jeffrey Epstein, central para entender o contexto, é de um operador relacional, não de um ideólogo. Sua estratégia por décadas foi infiltrar-se transversalmente em diferentes esferas de poder — política, finanças, ciência e cultura — para gerar dependência e acumular capital de influência, frequentemente por meio da comprometimento moral de seus contatos. Seu método criminoso, baseado na exploração sexual, servia precisamente a esse fim de controle.

Nesse quadro, Steve Bannon aparece não como o arquiteto de um grande plano, mas como um exemplo de um contato influente e retoricamente excessivo dentro da vasta rede de Epstein. A leitura dos e-mails como um plano sério para depor o Papa carece de suporte factual quando confrontada com a natureza caótica, especulativa e frequentemente falsa de grande parte do material divulgado nos arquivos de Epstein.

O surgimento de narrativas como essa sobre o Vaticano ilustra o desafio de interpretar um volume tão grande de documentos, que misturam fatos comprovados, conversas privadas, bravatas e desinformação. A história recente mostra que os serviços de inteligência americanos de fato monitoraram e buscaram influenciar eventos no Vaticano, principalmente durante a Guerra Fria, mas não há indícios que conectem essa história às ações isoladas de Epstein ou Bannon.

Com informações de Infovaticana, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo e CNN Brasil ■

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